Prévias em São Paulo causam uma briga boa no PT, com participação de Lula, Marta, Mercadante, Suplicy e Dirceu.

Carlos Newton

A candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, forçada por Lula, não foi bem recebida pelo PT, é claro. Ele é um estranho no ninho do partido, sua passagem pelo Ministério da Educação tem sido patética, mas o ex-presidente gosta dele, e estamos conversados.

Lula quer fazer de Haddad uma nova Dilma Rousseff. O raciocínio do ex-presidente é linear. Se já conseguiu eleger um poste para a Presidência da República, por que não conseguiria eleger um poste ainda maior para a Prefeitura? Mas acontece que desta vez o PT tem precandidatos já trabalhando, é muito diferente da disputa presidencial do ano passado, quando ninguém se apresentou no partido como pretendente à candidatura.

Havia dois outros precandidatos em São Paulo são a senadora Marta Suplicy e o ministro Aloizio Mercadante, ambos com retrospectos eleitorais respeitáveis. Mas agora são cinco, porque o senador Eduardo Suplicy agora também resolveu se oferecer, disposto ao sacrifício de ser candidato, e os deputados federais Carlos Zarattini e Jilmar Tatto fizeram o mesmo.

Com o lançamento intempestivo da candidatura Haddad por Lula, eles resolveram defender uma solução democrática – a realização de prévias. Imediatamente, Lula veio a público, apoiou a reivindicação dos precandidatos e afirmou que também defende a realização das prévias, ao mesmo em que determinava que seu porta-voz e representante no Palácio do Planalto, Gilberto Carvalho, fizesse exatamente o contrário, para bagunçar a discussão.

E lá veio o ministro Carvalho a declarar que não é bem assim, o PT não costuma fazer prévias, porque só escolhe candidatos de consenso, como ocorreu na indicação de Dilma Rousseff, o que todo mundo sabe que não é verdade, já que em 2010 Lula fez o PT aceitar e digerir a candidatura de Dilma Rouseff.

E de repente o jogo começa a ficar mais animado. Eis que o ex-ministro José Dirceu surge das trevas num encontro da Diretório Nacional do PT no Rio e diz ser favorável às prévias no PT para decidir o candidato à Prefeitura de São Paulo.

“Eu prefiro que haja prévias, um grande debate no partido, mobilização e tudo. Não é a opinião de muitos dirigentes do partido, acham que pode ter divisão. Então ou muda o estatuto ou tem consenso. E pelo andar da carruagem, não tem consenso. Mas como carruagem pode encontrar tempestade, chuva, talvez possa haver um acordo”, disse ele, consciente de que Lula na verdade não quer as prévias. Com isso, Dirceu tenta colocar o ex-presidente em xeque-mate.

Lula não sabe jogar xadrez, mas se tornou grande-mestre em política intuitiva. Vamos ver qual será a próxima jogada. Vai  mover o peão (Carvalho) ou o cavalo (Haddad)?

***
PESQUISAS FAVORECEM MARTA

A divulgação da mais recente pesquisa Vox Populi sobre a corrida eleitoral para a Prefeitura de São Paulo em 2012 reforça a posição da senadora Marta Suplicy, que lidera com folga os cinco cenários em que é citada como candidata.

A pesquisa coloca o ministro Fernando Haddad com apenas 3% de intenção de voto, no cenário mais favorável ao petista, no qual o candidato do PSDB é o senador Aloysio Nunes Ferreira, que aparece com 6%.  A pesquisa entrevistou 1.000 pessoas e foi realizada entre 9 e 13 de julho.

No cenário em que o nome do PSDB é o do ex-governador José Serra, Haddad cai para 2% das intenções de voto. Serra lidera com 26%. Em terceiro, está o deputado Celso Russomanno (14%), do PP, seguido do vereador Netinho de Paula (8%), do PC do B. Depois estão o presidente da Força, o deputado Paulinho (7%), do PDT, e Soninha Francine (5%), do PPS.

Neste cenário, Haddad está empatado com o deputado Gabriel Chalita (PMDB) e na frente do secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), e do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), ambos com 1% – os dois são opções do prefeito Gilberto Kassab para a sua sucessão.

Já a senadora Marta Suplicy (PT) lidera os cinco cenários em que é citada como candidata. Com Serra no páreo, tem 29% das intenções de voto contra 24% do tucano. Nada mal, especialmente porque os dois  já foram prefeitos.

***
PT E EDUARDO PAES, TUDO A VER

Nesse encontro do Diretório Nacional do PT no Rio, foi fechada a aliança com o prefeito Eduardo Paes (PMDB) para a eleição na capital do Rio. A sigla ainda vai decidir o nome que ocupará a vice da chapa. Estão na disputa os deputados Carlos Minc, Gilberto Palmares, o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, e o vereador Adilson Pires, líder da prefeitura na Câmara municipal.

No caso do Rio de Janeiro, curiosamente Dirceu não defendeu a realização de prévias e até minimizou a iniciativa do partido de preparar base para a candidatura do senador Lindberg Farias (PT) para a sucessão do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que apoia o nome de seu vice, Luiz Fernando Pezão.

Para Dirceu, “é natural que ele [Lindberg] seja pré-candidato, por ser o senador mais votado”. “Mas não diminui em nada a candidatura do Pezão, que é um excelente nome”. Vejam a que ponto chegamos. Pezão, na condição de Secretário Estadual de Obras, superenvolvido com a Delta e outras empreiteiras de amigos do governador Sérgio Cabral, ainda é considerado “um excelente nome”. Era só o que faltava.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *