Primavera árabe no Egito foi apenas prenúncio da nova ditadura

Carlos Newton

Quando houve a Primavera Árabe, que se iniciou na Tunísia e teve o ápice no Egito, publicamos aqui um artigo em que dizíamos que o povo egípcio ainda ia ter saudades do ditador Hosni Mubarack, o terceiro depois do fim na monarquia, em 1952, com a deposição do Rei Farouk.

As ditaduras sempre foram moderadas e o Egito se tornou um dos países árabes mais ocidentalizados (outro é o Líbano). A primeira eleição mais ou menos livre no país ocorreu em função da Primavera Árabe e o vencedor foi Mouhamed Mursi, que representava a Irmandade Muçulmana, maioria islâmica do país.

Naquela época, comentamos que não podia dar certo essa mistura de religião e política, num país importante como o Egito. Foi o que aconteceu. Na verdade, a ditadura egípcia sempre foi comandada pelos militares, que só esperavam a oportunidade de voltarem ao poder.

IRMANDADE MUÇULMANA  

Não adianta a Irmandade Muçulmana anunciar que não vai participar de qualquer diálogo com as novas autoridades do país e condenar o “golpe de Estado”. Em nota oficial, a Irmandade apela para protestos pacíficos e critica qualquer forma de violência:  “Rejeitamos as práticas repressivas do Estado policial, como os assassinatos, as detenções e as restrições à liberdade dos meios de comunicação e o fechamento de canais de televisão”, acrescenta o comunicado, referindo-se à detenção, pelas forças de segurança, de dirigentes e apresentadores de canais de televisão religiosos islâmicos no Cairo e ao cancelamento de suas emissões.

Um dos obstáculos à democratização do Egito é o fato de a Justiça sempre estar ligada aos militares Agora, por exemplo, a Justiça a proibiu a saída do país do presidente deposto, que está em lugar desconhecido e será investigado por acusações de insulto ao Poder Judicial, assim como oito dirigentes da Irmandade Muçulmana.

LÍDER FOI PRESO

De acordo com fonte dos serviços de segurança, a Polícia Militar deteve hoje o líder supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, a pedido da Procuradoria egípcia.

A Procuradoria tinha já ordenado a prisão dos líderes da organização e de seu partido, Liberdade e Justiça, em operação que foi desencadeada na noite passada, logo após o alto comando militar ter anunciado a deposição de Mouhamed Mursi.

Em comunicado, o partido salafista Al Nur, que ficou em segundo lugar nas eleições legislativas egípcias, considerou a experiência de Mursi no governo “um fracasso, em consequência de práticas equivocadas que conduziram a uma divisão da sociedade egípcia”. O Al Nur diz que apresentou várias propostas para superar a crise política, que foram rejeitadas pela Presidência, contribuindo para que a oposição política a Mursi se convertesse em “oposição popular apoiada pelas instituições do Estado”.

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7 thoughts on “Primavera árabe no Egito foi apenas prenúncio da nova ditadura

  1. Assim como nosso vizinho, Presidente Lugo do Paraguai,que em rápido impeachment teve a seu favor apenas 3 Votos no Senado, e foi olimpicamente defenestrado, o Presidente Mursi do Egito, que ganhou as eleições 01 ano atrás por apertadíssima maioria, não soube ampliar sua Base de Sustentação, pelo contrário diminuiu-a muitíssimo, e também foi rapidamente defenestrado. Quem governa tem que ter maioria e ir ampliando-a, caso contrário, de um jeito ou de outro, cai do cavalo. Abrs.

  2. Quem sempre diz aqui que países da América latina, África e Arábias tudo só piora?
    O problema é cultural. A forte religiosidade desses povos impede a libertação do sentimentalismo de suas crenças para poder enxergar o óbvio, que por si só já mostra as medidas a srem tomadas ou o caminho natural a ser seguido
    O sentimentalismo inerente nas crenças impede a área do cérebro responsável pela captura do palpável e do visível. Aqui mesmo, o povo está nas ruas e o problema é um só: dinheiro e corrupção, mas o bando governamental parece que está no planeta Marte. Mas nem é por isso que a nossa presidenta se veste de vermelho e sim pelo seu fervor religioso marxista-leninista em que ela acredita estar nos salvando. Fosse no Egito a nossa “santinha salvadora” estaria de burka, que era o que o presidente Mursi estava armando com o pouco o tempo de poder na presidência de seu país.

  3. Independente da análise que se faça dos acontecimentos no Egito, podem ter certeza que Israel e EUA estão “totalmente comprometidos” com o novo governo do Egito.

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