Primeiro filme sobre Lula foi o “O filho do Brasil”. Pelo andar da carruagem, o próximo terá de ser “Lula, o dono do Brasil”, já candidatíssimo para 2014.

Carlos Newton

O resultado do primeiro filme deixou a desejar e foi até paradoxal, em relação ao elevadíssimo índice de aprovação do governo de Lula, com 87% em dezembro, no final de seu segundo mandato. Quer dizer, muitos dos lulistas fanáticos não se deram ao trabalho de ir ao cinema e se emocionar com uma história real e verdadeiramente capaz de comover o espectador.

Agora, o quadro que se configura, sem dúvida, mostra que as cartas já estão à mesa para a sucessão de 2014. Lula verdadeiramente não desencarnou da Presidência, não pensa em outra coisa, não faz outra coisa que não seja se comportar como presidente, interferindo, pressionando, direcionando decisões e tudo o mais.  

O quadro ainda é confuso, mas parece que a presidente Dilma Rousseff enfim começa a se descolar de Lula. Basta comparar a velocidade com que ela está fazendo a limpeza no Ministério dos Transportes e a leniência que mostrou no escândalo de Antonio Palocci, que tinha o apoio integral de Lula e demorou 23 dias até ser demitido, e só saiu quando ameaçava poluir a popularidade da presidente Dilma Rousseff.

Mas enquanto Dilma Rousseff chama a si a responsabilidade pela gestão, demitindo quem Lula tanto apoiava, o ex-presidente subitamente iniciou sua campanha rumo a 2014, com uma série de visitas a municípios da Bahia e de Pernambuco, e não vai parar por aí. Ele mesmo anuncia que vai percorrer o país inteiro, comportando-se como se fosse o dono do Brasil, que pode até ser o título da segunda refilmagem de sua invulgar biografia.

É óbvio que Lula já é candidato para 2014, não é preciso ser um grande analista político para identificar essa realidade palpável. A eterno pretendente tucano José Serra imediatamente deu uma entrevista ao jornal “El País”, da Espanha, afirmando que o ex-presidente Lula é candidato certo para 2014.

Mais curioso ainda é que o porta-voz oficial de Lula e seu representante no Palácio do Planalto, o ministro Gilberto  Carvalho, prontamente também tenha dado entrevista para assegurar que não há hipótese de Lula se candidatar em 2014. Em seguida, Lula disse sexta-feira que Dilma só não será candidata à reeleição se não quiser. Mas por qual partido? Pelo PT, que é inteiramente dominado por Lula?

Conforme já assinalamos aqui no blog, se Lula continuar em campanha e a presidente Dilma seguir se descolando dele, para tocar o governo sozinha, sem ser tutelada por ninguém, o rompimento será inevitável. Embora o jornalista Jorge Bastos Moreno, sobre o relacionamento entre os dois, tenha publicado que “o amor verdadeiro é o maior antídoto contra intriga, e onde existe amor, não há desconfiança”, tudo tem limites. Especialmente quando há possibilidades de os dois quererem disputar o mesmo cargo em 2014.

Acontece que os dois pertencem ao mesmo partido e só existirá uma candidatura pelo PT. Seria uma ilusão julgar que o PT poderia garantir a legenda à atual presidente, se Lula quiser se candidatar. É Lula quem manda no partido, ele e apenas ele, ninguém mais. Agora mesmo, atropelando Marta Suplicy e Aloizio Mercadante, já decidiu que o candidato do PT à prefeitura de São Paulo será o ministro Fernando Haddad, e estamos conversados.

Portanto, Dilma Rousseff nem pode sonhar com um segundo mandato. Ela está nas mãos de Lula, como todos os demais petistas, aliás. Não pode sequer deixar o PT, porque a legislação eleitoral a proíbe, sob risco de cassação de seu mandato presidencial, pois o Supremo já firmou jurisprudência no sentido de que o mandato pertence ao partido e não ao candidato.

A tentativa de um segundo mandato para Dilma Rousseff depende agora do famoso “jeitinho brasileiro”, conforme já registramos aqui no blog. Está em curso a chamada reforma política, e sabe-se que uma das medidas em preparação será a criação de uma alternativa para permitir o troca-troca partidário, pelo menos episodicamente, a qual os políticos chamam de “janela”.

O vice-presidente Michel Temer, por exemplo, que tem muito prestígio no Congresso, defende uma autorização para a troca de partidos nos seis meses que antecedem cada eleição, como forma de permitir que detentores de mandato insatisfeitos possam se filiar a outra legenda. A tese tem a simpatia do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que pode se bandear para o PMDB, como já foi aventado antes da eleição passada.

Se essa hipótese da “janela” se concretizar, e vai se concretizar caso a reforma política seja aprovado, o que depende exclusivamente de Dilma Rousseff e não de Lula, que não está mais de posse da famosa e milagrosa caneta presidencial, aí teríamos uma eleição verdadeiramente eletrizante, disputada entre Lula, Dilma, Serra (ou Alckmin), Aécio e outros menos votados, como Marina, Ciro Gomes, que está sendo convidado a entrar no PDT, e Anthony Garotinho, três pretendentes que já foram presidenciáveis e continuam sonhando com o Planalto. Não é uma hipótese plausível?

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LULA AGORA PRESSIONA POR JOBIM

Lula insiste, não desencarna da Presidência e segue atrapalhando o governo de Dilma Rousseff, que não suporta Nelson Jombim e jamais quis tê-lo no Ministério da Defesa. 

Sexta-feira, Lula deu declarações a respeito de Jobim e tentou minimizar o fato de seu ministro da Defesa ter preferido Serra para a Presidência, na última eleição.

– Nunca me preocupei em perguntar aos meus amigos em quem votam. Voto é uma coisa sagrada, é secreto, e cada pessoa vota em quem quer. Jobim não foi convidado para o meu governo por causa do voto dele. Foi convidado para o meu governo pelo que poderia fazer no Ministério da Defesa. Um homem da qualidade do Jobim, da competência do Jobim, é o único que vi em condições de construir um Ministério da Defesa, de aprovar o plano estratégico da Defesa, e acho que isso foi feito – disse Lula.

Caramba, jamais me passou pela cabeça que Lula chegaria ao ponto de considerar  insubstituível um político sem caráter como Jobim, que fraudou a Constituição e até se orgulha disso.

De toda forma, o futuro de Jobim depende do que afirmar hoje no programa Roda Viva. Se voltar a fazer ofensas, como dizer que os idiotas estão no poder ou coisas que tais, Dilma vai detoná-lo.  

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