Primeiros movimentos na política mineira

Heron Guimarães

A dança das cadeiras entre os partidos com vistas às eleições do ano que vem trouxe interessantes surpresas. Em Minas, sai fortalecido desse processo o senador e futuro presidenciável Aécio Neves. Regionalmente, ele soube mexer as peças e conseguiu manter em seu campo de influência os partidos que, no plano nacional, estão ou estavam na base de apoio da presidente Dilma Rousseff.

Um desses exemplos está explicitado na filiação do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro, ao Partido Progressista.

No Congresso, o PP fecha ou fechava questões com Dilma, mas, em terras mineiras, mantendo a indicação do vice do PSDB em 2014, o partido está definitivamente acorrentado aos tucanos, já com efeitos imediatos na política de alianças em todo o território nacional.

Certamente, os pepistas deixarão de lado qualquer que seja a orientação nacional para mergulhar fundo na campanha tucana, tanto para a de presidente, sob regência de Aécio, quanto na sucessão estadual.

Além disso, mesmo que a movimentação do presidente da Assembleia seja um balão de ensaio – afinal ele não confirma nenhuma negociação futura –, o senador acalma os ânimos de seus próprios pares ao mesmo tempo em que faz um aceno poderoso de que tem tudo sob controle, fortalecendo a candidatura de Pimenta da Veiga.

UM BOM VICE

Dinis Pinheiro, por sua desenvoltura com os colegas deputados e pelo seu comportamento conciliador, seria um bom vice para o PSDB. Alberto Pinto Coelho, do PP, e Marcos Pestana, do PSDB, que pleiteiam o direito de tentar uma vaga majoritária, estariam assim neutralizados.

Com a filiação de Alexandre Kalil ao PSB e o anúncio de que o palanque dos socialistas em Minas será dividido entre Aécio e o governador pernambucano, Eduardo Campos, que se desvinculou do governo petista, foi outra oportunidade bem-aproveitada pela engenharia aecista.

Levando em conta a filiação goela abaixo do “forasteiro” Josué Gomes da Silva, o PT mineiro, principalmente a ala ligada ao ministro Fernando Pimentel, não terá céu de brigadeiro e corre sério risco de se ver, novamente, isolado na disputa que se aproxima.

País afora, os holofotes continuam focados em Marina Silva. Com a impossibilidade de concorrer como ansiava, restará à “sonhática” uma incômoda rendição à estrutura de algum partido de aluguel, por mais que isso signifique incoerência em sua caminhada. Dilma, certamente, está mais aliviada com o fracasso da Rede, mas Aécio, sabendo lidar com o tabuleiro das vaidades, ainda pode se beneficiar. Aquela que promete ser a melhor das eleições presidenciais de todos os tempos já começa com fortes emoções. (transcrito de O Tempo)

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