Prisão de Guido Mantega no hospital foi um ato arbitrário, violento e covarde

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Mantega foi preso no hospital, quando a mulher ia ser operada

Jorge Béja

Como advogado, repudio e não posso concordar com a circunstância em que o ex-ministro Guido Mantega foi preso hoje pela manhã em São Paulo. Ao final da entrevista coletiva que membros integrantes da força-tarefa da Lava Jato deram em Curitiba, à frente o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, ficou visível o constrangimento de todos a respeito de como se deu a prisão de Mantega. Por duas ou três vezes Carlos Fernando dos Santos Lima tocou no assunto, espontaneamente.

E “cheio de dedos”, como se diz quando uma pessoa precisa justificar algo que deu errado, o dr. Carlos Fernando disse que a Polícia Federal não sabia que o ex-ministro estava no hospital acompanhando a esposa que iria se submeter a uma intervenção cirúrgica hoje de manhã. Que isso foi uma “infelicidade”. E que todos são iguais perante a lei, seja uma pessoa pobre ou uma pessoa rica, de projeção ou não. E que uma vez deflagrada a operação, os policiais federais não poderiam recuar. Que ordem judicial é para ser cumprida. Que o ex-ministro não resistiu à voz de prisão. Que os policiais federais não entraram no hospital. Que, contactado pelo telefone, o ex-ministro desceu do andar do Centro Cirúrgico, saiu pela porta lateral do hospital e na rua se entregou aos policiais. Ou seja, quis deixar entender que não houve violência, arbitrariedade e resistência. Que tudo foi normal.

ANORMALÍSSIMO – Não foi normal não, dr. Procurador. Foi anormalíssimo. Mantega não é um réu condenado em procedimento criminal com sentença confirmada por um tribunal. Nem é um fugitivo da polícia ou da justiça. Também não é indiciado ou denunciado em procedimento algum. Sua prisão preventiva foi pedida e negada pelo juiz Moro. Diante da insistência da promotoria, o juiz decretou, então, a prisão provisória. Disse o procurador da República que o fundamento é “a garantia da ordem pública”.

Mas que ordem pública Mantega, em liberdade, poderia comprometer? Aí está a primeira ilegalidade. Mas a mais grave é de outra natureza. Mantega foi preso quando estava ao lado da sua esposa, dentro de um hospital, nos instantes em que a paciente se preparava para se submeter a uma intervenção cirúrgica na manhã de hoje.

Prender um esposo nessa circunstância já não constituiu grave ato atentatório à dignidade, à privacidade, ao sentimento do esposo e da esposa? Será que a saúde e a vida de sua esposa e mãe de seu filho não estão acima do interesse público em levar Mantega para Curitiba para dele obter depoimento e provas que a polícia e os procuradores não têm?

FALTOU RESPEITO – É princípio que prevalece para todo e qualquer investigação, inquérito e processo, que os atos processuais dirigidos ao investigado, denunciado ou réu precisam ser praticados com certo cuidado. Com moderação. Com prudência. E acima de tudo, com respeito. Por exemplo, para que venha responder a processo na Justiça, réu não pode ser citado por oficial de justiça quando estiver participando de culto ou ato religioso; no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias seguintes à morte de seu cônjuge, de seu companheiro ou de qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colaeral em segundo grau; de noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento; de doente, enquanto grave o seu estado…Tudo isso está no Código de Processo Civil, a partir do artigo 244. E vale para o processo penal também.

Daí vem a pergunta: é legal a prisão de um esposo que — sem ter sido apanhado em flagrante delito, sem ter sido condenado por um tribunal, sem ser considerado fugitivo da polícia ou da justiça — se ache dentro de um hospital, à porta de um centro cirúrgico, acompanhando a esposa que se prepara para ser operada?

ILEGALIDADE – Essa prisão do ex-ministro Guido Mantega, mesmo que ele no futuro, depois do devido processo legal, venha ser considerado culpado e participante desse esquema de corrupção contra a Petrobras, foi de uma ilegalidade, mais que isso, de uma brutalidade, de uma desumanidade que fere os mais comezinhos princípios de urbanidade e solidariedade humana.

Por que não deixaram para prender Mantega outro dia, caso essa prisão seja mesmo legal, útil e indispensável. Tal como se deu, na manhã desta quinta-feira, 22.09.2016, foi ato prepotente, arbitrário, violento. Ato covarde. Um habeas-corpus de uma só pagina é o suficiente para devolver-lhe a liberdade. Isso se o juiz Moro não revogar ainda hoje, ele próprio, o decreto prisional que assinou, em razão deste fato de completa e absoluta “infelicidade”.

90 thoughts on “Prisão de Guido Mantega no hospital foi um ato arbitrário, violento e covarde

  1. Agora, com esta indicação do dr. Werneck, que só agora estou sabendo, me sinto aliviado. É uma preciosa indicação. Tão preciosa quanto seria ler também as considerações do brilhante advogado brasiliense a respeito desta prisão.

  2. Só acho estranho que se era uma cirurgia dramática,como diz a nota,a filha dele postando fotos na frente da Duomo em Milão.
    Ou ela não é filha da mulher do Mantega,ou a cirurgia não é tudo isso. Porque se fosse filha não estaria se expondo em Milão,estaria ao lado da mãe. E se não é filha podia respeitar o momento do pai.
    Esse é o lado da internet que não deixa passar nada.

  3. Dr. Jorge de Oliveira Béja.
    Estimo-o, pela competencia, racionalidade, humanidade.
    Neste caso, discordo, pois, decisões de tal envergadura, não são decididas de sopetão, não são doenças que corremos urgentemente ao hospital.
    Sabedores somos que são estudadas à muito tempo, em sigilo rigoroso e decididas após rigorosas analises.
    E lei é lei para José e Mané.
    Raciocinio, logica, discernimento, análise dos autos é muito importante para julgar e nunca pré julgar.
    Analise o modus operandi de uma operação de tal envergadura e emita sua opinião a qual sentir-me-ia gratificado e confortado se a mesma for igual.
    Como o pessoal saberia a meses atras de uma internação de urgencia de um investigado.
    Jamais ousaria discordar de quem muito admiro e venero, mas, não concordei, fostes muito duro em sua análise no meu entender.
    Por gentileza corrija-me em tudo que estiver errado.
    Peço-lhe perdão pois, com certeza estou errado.
    Saude e Paz ao Dr. e sua esposa.
    grato.
    Caliman

    • Boa tarde, sem querer polemizar, mas acho que mais uma vez o Dr. Béja se encontra coberto de razão. Diante de um ‘fato novo’ que ocorreu quando os policiais souberam da cirurgia, seria de bom senso que se utilizado do mesmo celular através do qual falaram com o Mantega, tivessem ligado para os procuradores.
      Só o fato do Mantega atender o celular e se apresentar, mostra que ele , em tese , não tinha a mínima intenção de fugir.
      Por esse e outros fatos, fico com a impressão de que os procuradores tem um calendário a cumprir, haja vista que essa prisão estava decretada desde agosto.

    • Prezado Caliman,
      é questão de princípios, de formação. É questão humanitária. Só quem já sofreu dores de toda ordem é que sabe o que é a dor. Tenho 70 de idade. E por 70 anos vivo à procura de alguém que entenda de dor, do que é sobrenatural, metafísico…Divino. O bem mais precioso da pessoa humana é a vida. Vida com saúde. Outro bem de igual valor é a família. Mas como é perigoso julgar! Julgar o próximo. Que medo, meu Deus!.Não julgo. E quando externo opinião, externo o que sinto como se fosse comigo. Há dois lugares que, creio eu, ninguém vai com satisfação, com prazer: ao fórum e a hospitais. No primeiro, vai em busca de da recomposição de um Direito violado, perdido. No segundo, porque a saúde periclica e a perda da vida está a um passo. Respeito o próximo. Seja um santo, seja um pecador. Respeito as esposas, as mães, os filhos, a família. Sei o que é dor.

        • Essa solidariedade é totalmente esperada do senhor, doutor.
          Pelo que já soube ao seu respeito, lendo nesta Tribuna, já sei que o senhor é um grande humanista, alguém que ajuda sem olhar a cor do sapato de quem precisa.
          Além disso, conforme o senhor mesmo frisou, para que essa pressa toda?
          Parabéns.

      • Dr. Béja, concordo com o senhor. É uma questão humanitária. Se esse direito não é respeitado com relação a todos os cidadãos, e a gente sabe que não é, isso não justifica a condenação da atitude correta do juiz Sergio Moro em revogar a prisão.

  4. Os Jogos Olímpicos podem esperar, já uma cirurgia..

    Mantega olímpico
    Brasil 22.09.16 10:14 .

    Mantega teve a ordem de prisão decretada em agosto, por Sérgio Moro.
    Só não foi preso naquele momento, por causa dos Jogos Olímpicos.
    ( O Antagonista ).

    Como se vê, estão cumprindo calendário.

  5. Arbitrário e nojento é esperar na fila do SUS, e se enterrado e depois de 2 anos chegar a guia para internação. Se a justiça fosse justa em reparar danos em igualdade. Fora isso nem um solicitado comparecer perante a justiça não pensou na conduta ilícita no ato da pratica de seus atos ilícitos. Mas ainda assim o Moro é um juiz fora da curva.

    • Sr. Doutor e Jornalista, leia antes a notícia, que o senhor mesmo indica, por favor. Este Lucas era um condenado pela justiça e que cumpria pena em regime semiaberto. Era condenado. Com sentença definitiva, quer dizer, transitado em julgado e contra a qual não cabia mais recurso. Cá fora, voltou a delinquir e foi preso novamente.
      É a mesma situação do ex-ministro Mantega?
      Répondez, s’il vous plaît.

  6. Dr. Béja e Sr.Virgilio.

    Os respeito demais, admiro-os.
    Mas, dor, perdoem-me discordar, é ir à hospitais públicos é sentir, externar compaixão oferecer ajuda aos desvalidos que lá estão, sem eira nem beira como disse o Alex acima.
    Não que seja dor diferente de quem esta em Albert Heinsten, nada disso.
    Só que não apresentamos solução ou sugestão à quem tenta cumprir seu dever.
    Trabalho honesto, sempre contrario ao gosto da plateia, sob duras criticas.
    Se esses erros fossem os maiores problemas de nosso Pais, seríamos um povo nobre.
    Perdoem-me a discordancia.
    Nunca fui inquirido, mas se necessário for, não tercerizarei.
    Que os procuradores errem aos montes na tentativa de melhorar nosso Pais.

  7. Reflexão: “O rico comete uma injustiça e ainda se mostra altivo; o pobre é injustiçado e ainda precisa de se desculpar.” O antropocentrismo nunca esteve tão presente nos tempos atuais. Deixem os mortos enterrarem os seus mortos, e segue a vida.

  8. Independentemente da saúde da esposa do ministro acusado de altas sacanagens com o dinheiro que nos pertence – a quem desejo pronta recuperação -, creio que o mal-estar pela decretação da prisão naquelas condições está superado.

    O juiz Moro, em boa hora, diante do inusitado, revogou o ato, certamente por boas razões.

    Só temo, como cidadão, credor das fortunas desviadas pela ORCRIM, é que, agora, uma vez ciente da situação que o envolve, o ex-ministro tome providências que não tomaria caso preso estivesse. Há um risco. Mas, solidarizo-me com o juiz Moro, como não corrê-lo?

    Será que a busca e apreensão de documentos, físicos e eletrônicos, ocorreu? Ou em nome de princípios humanitários, visando uma única pessoa, foi sacrificada a defesa do erário, que a todos pertence e a todos alcança e interessa?

  9. Caro Dr. Jorge Béja … me solidarizo com sua misericórdia … há vários comentários acima mostrando que no Brasil até a Misericórdia é coisa de classe … … … como (pe)emedebista dos históricos, sou pela CIDADANIA AMPLA GERAL E IRRESTRITA … … … todos os bandidos brasileiros são cidadãos – e merecem o mesmo tratamento … … … nadica de bandido político, empresário, banqueiro etc etc etc ter tratamento diferenciado … até na Igreja, o Emérito acabou com regalias!!! !!! !!! abrs.

  10. Muito barulho por pouca coisa, segundo essa informação nem entraram no hospital………………..”A assessoria do Albert Einstein acaba de confirmar a O Antagonista a informação divulgada mais cedo na coletiva em Curitiba: em momento nenhum, policiais federais entraram no hospital na manhã desta quinta-feira.”. …

    Toda justiça é boa até que ela não venha em minha porta, importunar o meu sossego e bem estar social. Mas uma pena que o MORO seja um ponto fora da curva o que assistimos na arvore da justiça.

  11. A dissonância de opiniões, me fascina é lindo demais enquanto vivo estiver, discordar!!!
    Um insignificante ser dialogando e discordando de pessoas com ilustre saber, erro no intuito de aprender.
    Debatemos sobre questão de princípios, de formação, humanitária, quem já sofreu dores de toda ordem,à procura de alguém que entenda de dor, do que é sobrenatural, metafísico…Bem de valor é a família. Respeito as esposas, as mães, os filhos, a família. Sei o que é dor.
    Debatendo estamos sobre dor e familia.
    A filha e o filho, não deveriam se familia o forem, estar ao lado dos pais em momento tão especial.
    Estariamos justificando os erros??

  12. Se fosse o sr. Zé das Couves?
    Bem, um erro (Mantega) não faz o outro (Zé das Couves) certo, certo? Agora se fosse mesmo o Zé e se algemado fosse, poderia estar pela hora da morte que levariam o dito cujo sob vara, certo?

    Como é delicioso os melindres deste artigo irado do Dr. Béja!

    • Não há melindres, absolutamente. Quero ver todos os que roubaram o dinheiro do povo na cadeia. O que o artigo aborda é matéria de cunho jurídico. A prisão foi motivadamente decretada. Nenhuma prisão é decretada desprovida de fundamento. A incorreção foi praticada na sua execução. A equipe da PF que primeiro foi à casa do ex-ministro e depois ao hospital tinha à frente um Delegado de Polícia. Na ordem jurídica só existem duas autoridades constitucionais: os magistrados e os delegados de polícia. Mais, não.
      Bastava o Delegado da PF comunicar ao juiz a surpresa. É certo que o juiz mandaria encerrar a diligência sem a prisão, que ficaria para outro dia, sem que fosse divulgado o nome. O sigilo e a fidelidade ao sigilo têm sito a tônica da Operação Lava Jato. Seriam cumpridos todos os demais mandados, menos esse contra o ex-ministro. E logo que fosse possível, o mandado seria cumprido e a operação complementada. Mas fizeram errado. Tanto fizeram que o juiz revogou a prisão.

    • Dr. Beja. Tenho um tio aposentado do TJ/SP que sempre finaliza os seus mandados assim: Cumpra-se dentro da normalidade , legalidade e reais possibilidades. Esse último termo ele usava porque muitas vezes existe até a impossibilidade de segurança do mandado ser cumprido.

  13. Os Humanistas ficam bravos quando percebe que o seu EU, é tratado igualmente ao seus carentes mortais. Um corporativismo social gigantesco que a sociedade pratica. Tudo é vaidade debaixo desse céu.

  14. Sou admirador, de carteirinha, do Dr. Beja. Mas, independente dessa afeição, nessa ele escorregou. Melhor teria sido o silêncio! Os corredores dos nossos hospitais públicos são consequência da atuação do ex-ministro e são milhares os enfermos com todo o tipo de sofrimento, principalmente do câncer… Que desça em sua cabeça o justo malho do Moro!

    • Meu Deus do Céu, será que o artigo que escrevi e leio na tela e um e os que os demais prezados leitores estão lendo é outro?. O artigo não faz a defesa do ex-ministro. Nem faz contra ele a menor acusação. O tema diz respeito à maneira de agir dos agentes da Polícia Federal. Não foram cautelosos. Sabendo que o ex-ministro não estava em casa e sim no hospital, para ficar ao lado da esposa, vítima de um câncer, e que ia ser operada hoje de manhã, a prudência mandava que o delegado que comandava a equipe da PF levasse o fato ao conhecimento do juiz Moro, que certamente mandaria recolher o mandado de prisão sem revogá-la. Deixaria o seu cumprimento para outra ocasião. Mas não. A PF cumpriu a ordem de prisão provisória. Da rua, ligaram para o celular do ex-ministro que estava no andar do centro cirúrgico, se identificaram, informaram do que se tratava e o ex-ministro desceu e se entregou na rua ao lado do hospital. Foi isso. Se tivessem ligado para o juiz, o Dr. Moro daria ordem para guardar (o termo jurídico usado é recolher) o mandado e cumpri-lo em outra ocasião. É contra esse açodamento que o artigo combate. Se tanto tivesse acontecido, o juiz não se veria obrigado a revogar a prisão, que agora está revogada e precisa ser restabelecida para que seja efetivada a prisão.
      Nesse contexto, onde se defende o ex-ministro? Onde se acusa?

        • Prezado Virgilio, perdoe a insistência, uma vez que já fiz igual pedido pela manhã e tudo ficou certo. Seu nome, Virgílio, voltou a aparecer Virgili. Penso que parte do seu computador, quando escreve seu nome no campo obrigatório. Veja lá, por favor.
          ###
          Permita-me indagar: este seu comentário acima “A prisão foi REVOGADA, não adiada…” refere-se ao meu comentário logo atrás postado?
          Se refere, escrevi no comentário que a prisão foi revogada. Para voltar a prevalecer, precisa ser restabelecida, ou seja, decretada outra vez.
          Jorge

  15. Enquanto estava roubando do povo brasileiro,
    tirando o pão da boca de tantos pobres, deixando
    que a maioria que busca o SUS, ficasse sem
    atendimento, sem remédio, cirurgias de urgência
    marcadas para um ano depois, pessoas desdentadas
    por falta de vitaminas e minerais,
    pessoas sem alegria de viver, pessoas sem futuro,
    sem perspectiva de vida, este senhor, o ex ministro
    não olvidou e roubou aos montes….
    Não nos esqueçamos da lei do retorno, a cada ação……..

  16. Caro Dr. Beja, respeito a sua opinião, embora não concorde com ela. Ato arbitrário, violento e covarde mesmo foi o do Lewandowisky e Renan e tudo feito “dentro da lei” como eles mesmo disseram.

  17. Parei de ler os comentários lá no leitor Alex. Tá ceerto. Depois de sua mulher (do mantega), ficar meses na fila do sus, foi marcada a cirurgia da moça. Não avisaram aos promotores. Mas, senhores, morrem todo dia nas filas dos hospitais do país inteiro e ninguem vê ou nao querem ver. Ah, li também a resposta do Sr. Eliel. Está tudo certinho e bem dentinho da lei. Somos todos iguais perante as leis, mas tem uns aí que são mais iguais. Ok estes procuradores são muito maus!!!!!!

  18. Imaginemos um cidadão comum, um Guto Mandinga qualquer, no Hospital Carlos Chagas em Marechal Hermes, indignado ao ver que sua sogra com câncer está no corredor esperando há mais de dois meses para fazer a tomografia, e sem perspectiva definhando na fila do SISREG carioca, e ele exige aos brados os direitos desta paciente e…um segurança troglodita viria e avisaria: “Fala baixo senhor senão eu vou ter que retirá-lo daqui…eu não quero violência, senhor….”
    Somos todos iguais perante a lei, né?
    Mas os ricos e famosos são mais iguais.

  19. Mantega e Dilma cometeram as periquitadas na gestão que arruinaram a economia, adoeceram o Brasil, e nenhuma cirurgia resolveu essa doença até agora…

    O lugar do Mantega é na cadeia. sem demora…
    Tivessem todos um casaco primaloft de grife como ele tem pra proteger do frio, tivesem todos direito de tratar a saúde num Albert Einstein; ele tem esses direitos adquiridos de forma espúria, roubando a União.

    Lembre o que passamos quando ele atuava como ministro, a coisa era doente, e deu no que deu. Esse Mantega é um ameba, cadeia nele.

  20. Respeitando as opiniões em contrário, concordo com Dr. Beja. A mim também parece que a prisão não deveria se ter efetivado naquelas condições, se é que era mesmo o caso de ter sido decretada. Que os corruptos sejam devida e duramente punidos. Mas por meio de um processo que respeite integralmente as garantias legais. Não é por eles. É por todos nós. Afinal, como disse Ruy Barbosa, “quando a lei deixa de proteger meu inimigo, deixa virtualmente de proteger-me”.

  21. O sr. Mantega, segundo li, chegou 1,20 hrs.no hospital, antes de ser inquerido.
    Cirurgia de cancer, não precisa de preparativos, jejum, internação?.
    Familia reunida, colegas, parentes etc..
    Desconheço, mas esta parecendo igual uma cirurgia de tirar unha encravada ou estou completamente enganado, corrijam-me por favor.
    Nossa familia para arrancar dente, fica preocupada, e a do Sr. Mantega, cancer e o pessoal viajando, muito estranho.
    Detesto socios remidos de grupelhos, ptistas, maçons e outro quetais
    Não gato na tuba??

    • Sr. Caliman, como autor do artigo que já supera mais de 50 comentários, me vejo no dever de pedir ao senhor para refletir:

      um filho menino de 16 anos em casa e sem os pais, 6 da manhã, a mãe com câncer (sem unha encravada) no hospital para ser operada , um pai com prisão provisória decretada, ambos no hospital (pai e mãe), carros da polícia federal com agentes armados até os dentes, na porta da casa, do edifício, do hospital, a exposição pública de todos… nenhuma condenação existe contra o pai, nenhum processo….a prisão é provisória, é para fins de obter do preso provas que a polícia e a promotoria pública precisam e não têm…..sem prévio direito de defesa, sem contraditório…tudo isso é doloroso, é invasivo, é prepotente, é brutal…sem nenhuma condenação…sem processo… sem prévio direito de defesa…É invasivo, é prepotente, é brutal, sem nenhuma condenação…não apenas para o personagem de hoje, o Guido Mantega e sua família, mas para qualquer outra que esteja em idêntica situação…que não se compara com facínoras, estupradores, assassinos….Não defendo os crimes cometidos. Defendo a pessoa humana. Não aceito o pecado, mas tenho compaixão do pecador….

    • A filha de Mantega contou que a madrasta trata um câncer desde 2011, mas ela estava fazendo uma endoscopia, não era cirurgia.
      Mas a forma como divulgaram, é claro, indicava novo golpe!

    • Se me precipitei, continuarei a me precipitar na defesa da pessoa humana, da família, da ordem jurídica, da dignidade, da privacidade…Me precipitei e acertei quando escrevi, sem saber que isso ia acontecer, que o próprio juiz Moro revogaria a prisão feita em tais circunstâncias. E depois li que Moro revogou mesmo. Então, fomos dois a precipitar: O dr. Moro e eu. Ainda bem que estou em boa companhia.

  22. Dr.Jorge, Com todo o respeito, mas, pq tanta indignação em relação a prisão do GM? Aquí no andar de baixo isto aconterce no dia a dia de forma normal e os advogados ainda dizem: bem feito, quem manda invadir o galinheiro dos outros!

    • Senhor Oling, o senhor e todos os demais fidalgos leitores que criticaram e combateram meu artigo, os senhores estão cobertos de razão. Não quero vencer este debate. Os senhores venceram. Os senhores estão cobertos de razão. Carlos Newton aprendeu com Raul Giudicelli, outro renomado jornalista durante um caloroso debate na TVEducativa ao vivo, em que CN queria até brigar. Foi quando Giudicelli, no intervalo, disse: “Carlos Newton, nos debates jamais queira sair vencedor”.

      CN contou essa passagem aqui na TI certa vez. Eu aprendi. E nunca mais me esqueci. Por isso reitero os senhores venceram.. Não quero ganhar. Reconheço que os senhores é que estão certíssimos.

    • Que o delegado poderia\deveria ter se comunicado com o juiz e relatado a situação, não há dúvidas. Fosse o investigado quem fosse. Sem a espetaculosidade prévia à execução do mandado, haveria o seu recolhimento, para que fosse executado quando possível. O problema está em avisar a imprensa antes. Por que essas operações vazam? Eis a questão.

  23. Nada como ser rico pra ter tanta defesa.
    Não sou advogado, mas a ordem de prisão foi expedida e deve ser cumprida.
    Os policiais foram até o apartamento, o cidadão não estava. Foi dito pelo filho que estava no hospital Frisando: o filho não estava no hospital). Foram até lá ficaram do lado de fora, distante do hospital e de maneira discreta, telefonaram para o petista destruidor da economia do país, que saiu para fora do hospital.

    ET.: a tal cirurgia era uma endoscopia.
    Foram até o apartamento onde o cara da elite ligou para o seu advogado e depois fizeram a busca no apartamento.

    Se você pobre, não fosse petista e em consequência da elite, não estariam tão preocupado.
    Errado foi o Moro que soltou esse sujeito.

  24. Não acredito que tenha havido vencedores ou derrotados neste debate, já que entendo que a intenção do comentário original foi positiva e as críticas foram oportunas, mas nem sempre adequadas. No meu humilde entender acho que o vício do comentário reside na sua inoportunidade, já que seu teor veio a reforçar a estratégia petista de contestar, politizar e ridicularizar o cumprimento da Lei por parte de MP, PF e judiciário.

  25. Não vejo como questão de torcida de vencer ou perder, uma pena que o contraditório parece ofensa no momento.
    Paz para todos e que a Sra. Esposa do Mantega se recupere da endoscopia ou outro procedimento. Há um justo nessa Terra.

  26. PARABENS DR. BÉJA! Mesmo com um sentimento de querer que “arranquem os figados” dos petralhas, tenho que aceitar suas ponderações baseadas antes de mais nada dentro da própria estrutura legal-processual. Esse é o verdadeiro papel de um legitimo operador do direito, que não aceita ver erros e arbitrariedades. A VERDADEIRA VOZ DA RAZÃO! PARABÉNS DOUTOR!

  27. “foi um ato arbitrário, violento e covarde” e os atos praticados ao longo de um década pelo excelsio ex ministro, culminando com centenas, milhares de mortes de brasileiros sem ter a mesma sorte de usufruir de um hospital como este que a sra do ex ministro usa fazer para procedimentos médicos?
    Temos que refletir…..
    Certamente não nos dá o direito de desejar nem a morte do cachorrinho da nobre família!!!

  28. O recorde eterno de Mantega

    Por Rodolfo Amstalden

    “Bom dia: Mantega preso”.

    Quando abri meu email, hoje cedo, fui diretamente atraído pelo assunto na newsletter matinal de O Antagonista.

    Mantega preso, até que enfim! – foi minha primeira reação.

    Eu estava louco para clicar na notícia e entender os motivos.

    Por memória, desconfiava já dos 10 mlhões de reais recebidos por Dona Xepa de empresários indicados por Mantega.

    E lembrava também do codinome “Italiano” nos códigos da máfia propinocrata.

    Antes de clicar, porém, quase por esporte, fiquei imaginando um universo alternativo…

    Universo no qual Mantega seria um sujeito de caráter, a despeito das atrocidades que cometeu na Fazenda (atrocidades que bastariam para prendê-lo, sem dúvida).

    O famoso universo gauche de tolerância-perdão ao “incompetente, porém honestíssimo”.

    Um universo alternativo e imbecil.

    O ministro Mantega precisava ser incompetente para ser desonesto, e precisava ser desonesto para ser incompetente.

    Não podia ser coisa ou outra; dependia das duas.

    E assim logrou a marca de ministro da Fazenda mais longevo da história da República.

    Março de 2006 a novembro de 2014.

    Torço para que ninguém supere seu recorde.

  29. “……
    Senhor Deus dos desgraçados!
    Dizei-me Vós, Senhor Deus!
    Se é delírio … ou se é verdade,
    Tanto horror perante os céus?!!

    Existe um povo que a bandeira empresta
    P”ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
    E deixa -a transformar-se nesta festa
    Em manto impuro de bacante fria….

    Mas é infâmia demais! da etérea plaga
    Levantai-vos heróis do Novo Mundo,
    Andrada! arranca esse pendão dos ares!
    Colombo! fecha a porta dos teus mares!”

    O Navio Negreiro
    Castro Aves

  30. Arbitrário, violento e covarde são os frutos da corrupção, da ladroagem, do achaque a fundos de pensão, da pré falência das empresas estatais e de um sem número de ações criminosas que põem em risco até mesmo a soberania da nação e que liquidaram a esperança de aposentadoria de milhões de pessoas. Além disto, é revoltante constatar a indiferença de individuos supostamente esclarecidos, mas que se deixam ludibriar por sofistas.

  31. O QUE FEZ O AMANTE MARIDO – MANTEGA,
    AO DEIXAR A PF?????

    Não, não correu para o hospital…!!!!
    Ele foi pro apartamento fazer as contas do que
    a PF tinha levado.

    So foi ver a amantíssima esposa, horas,
    horaaaas depois.
    Dado a gravidade do estado de saúde dela!!!!

  32. Fico imaginando osarcasmo de jornalista que não sei se tem algum a defender. A petralhada é um lixo só e ficou esses 13 anos fazendo cabeças idiotas por aí. Deizem no facebook, muito bem e engraçado que comeram-lhes os cerébros com o dinheiro fácil adquirido, deixando a miséria de milhões sem emprego.

    • Ricardo Dionísio, prezado leitor.

      Essas diligências sempre são comandadas por um Delegado de Polícia. Se eles (policiais e delegado) agiram friamente, por conta própria, em cumprimento do Mandado de Prisão e Busca e Apreensão e não entraram em contato com o Juiz que decretou a prisão e ordenou a busca e apreensão, eles são os culpados. E creio que foi isso que aconteceu.

      Na entrevista coletiva o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima justificou que a diligência não poderia ser suspensa. Poderia sim, doutor. Tanto poderia — e deveria — que o Dr. Moro depois foi mais além: revogou a prisão. Tenho, pois, que a culpa foi da Polícia Federal, pela falta de bom senso e dos cuidados que um diligência desse porte exige.

      Uma mandado judicial na rua (“na rua” é a expressão que se usa para localizar onde está o mandado, se no cartório ou se em poder dos seus executores, geralmente oficiais de justiça ou policiais), não é para ser cumprido às cegas, descuidadamente, diante dos imprevistos, peculiaridades e das surpresas que seus executories eventualmente podem encontrar. Veja que o artigo aponta algumas delas.
      Grato por ter lido e indagado.

    • Lei é lei. Isso é verdade. Mas ao leitor Clau relato um fato que ocorreu na década de 70, quando a Lei de Tóxico não distinguia entre traficante e usuário, dependente, experimentador….A todos tratava com o mesmo rigor: penas de reclusão por mais de 10 anos.

      Eis o fato, acontecido aqui no Rio.

      Uma jovem de 18 anos, que nunca tinha fumado um cigarro de maconha, decidiu comprá-lo na calçada da Rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Queria experimentar. Abordada pela polícia quando seguia para a sua casa, foi presa com a droga e encaminhada à delegacia. O auto de prisão em flagrante caiu nas mãos da juíza Márcia Nunes, da vara criminal estadual (hoje a Dra. Márcia é juíza federal, por concurso), pessoa simples, de voz baixa, que não usa pintura e se veste com roupa simples e já a vi usando sandália e fazendo compras na feira, puxando carrinho.

      Eu estava presente quando a jovem foi apresentada à juíza que lhe perguntou se ela era usuária. A moça respondeu que era a primeira vez.

      Então a juíza disse a ela. “Não vou condenar você porque no cumprimento da pena aí mesmo e que você corre o risco de se tornar usuária por causa do ambiente prisional. Vou absolver você. Mas uma vez por mês se apresente a mim para contar o que anda fazendo na vida”.

      A moça chorou. E durante quase um ano compareceu uma vez por mês à presença da Juíza Márcia. Até que um dia desapareceu. Então a juíza mandou uma intimação para a sua casa. Foi quando a mãe e a irmã da moça foram até a juíza para dizer que ela tinha se recolhido a um convento de irmãs beneditinas. E forneceu o endereço e telefone. A Juiza após confirmar que a notícia era mesmo verdadeira, dispensou a moça da obrigação do comparecimento.

      Hoje, passados mais de 40 anos, aquela moça, agora com quase 60 de idade, continua lá no convento beneditino e se tornou freira.

      A lei é para todos. Se a juíza fosse aplicar a fria letra da lei, a moça seria condenada a mais de 10 anos de reclusão. Mas a sensibilidade, a inspiração, e a imensa visão humana e social da juíza salvaram aquela jovem de um destino crudelíssimo para lhe proporcionar uma vida pura, sem vícios, defeitos e vaidade.

      Aquela moça, hoje Irmã Teresa (nome onomástico) soube aproveitar a oportunidade que a Divina Providência lhe deu. Aquela moça é minha afilhada. Minha esposa e eu, por mera coincidência do destino, estávamos presentes na audiência quando ela foi apresentada à juíza e por isso presenciamos tudo o que aconteceu. Ficamos comovidos e decidimos também ajudá-la. E na sua ordenação fomos ser padrinhos.

      A lei é mesmo para todos. Mas foi sábio o legislador quando estabeleceu no artigo 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro que:

      “Artigo 5º – Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum ” (Decreto-lei nº 4657, de 4 de Setembro de 1942).

      O que disse o ministro Celso de Mello, conforme se lê no endereço indicado, diz respeito à generalidade. Não, às peculiaridades. O ex-ministro Mantega estava dentro de um hospital acompanhando sua mulher que, segundo constou, se preparava para uma intervenção. Ela tem câncer. Não havia pressa para prender o ministro, que nem ofereceu resistência. Poderia ter sido preso dia ou dias depois. Nem ele é um condenado por um tribunal. Nem denunciado é. E ao revogar a prisão, o que fez espontaneamente o juiz Moro, este escreveu que a prisão se tornava desnecessária uma vez que o que foi apreendido na casa do ministro era suficiente e o ex-ministro não colocava em risco o sucesso da diligência policial, nem as investigações. Se ficou constatado que Mantega não representava perigo, por que prendê-lo?. Não se faz aqui a defesa do ex-ministro, mas a defesa do que é razoável, o que é coerente e diz respeito ao bem comum.

      • Data venia, Doutor: estaria, então, o Sr. Guido Mantega inclinado ao monastério? Obviamente sem antes, contudo, doar todos os seus bens à caridade? Sua Excelência o Juiz Moro parece ser um atroz paladino da Justiça! Deveríamos transformar os presídios brasileiros em casas de oração.

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