Prisão de oficial que comandava UPP evidencia o acordo que Cabral fez com os traficantes para ‘pacificar’ as favelas.

Carlos Newton

A prisão de 11 pessoas, quinta-feira passada, numa operação da Polícia Federal contra a existência de pontos de vendas de drogas no Morro do São Carlos, no Estácio, na Zona Norte do Rio, confirma os sucessivos artigos publicados aqui no Blog por Helio Fernandes, denunciando o acordo entre o governador Sergio Cabral e os barões do narcotráfico, para instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas do Rio .

O acordo foi mediado por José Júnior, do AfroReggae, nos seguintes termos, conforme a denúncia do diretor-redator-chefe da Tribuna da Imprensa:

1) a PM ocuparia os morros e os traficantes não reagiriam;

2) Não haveria mais “soldados do tráfico”, com máscaras ninjas e armas pesadas nas comunidades, nem balas perdidas;

3) Em compensação, as forças estaduais de segurança não mais reprimiriam o tráfico, que poderia continuar a ser feito, mas de forma discreta e preferencialmente no sistema de “delivery”, com entrega a domicilio por meio de “motoboys”.

Foi justamente por isso que a Polícia Federal teve de entrar em ação no Morro do São Carlos, e entre os presos está o ex-comandante da UPP no morro, capitão Adjaldo Luís Piedade. Segundo a polícia, ao todo, foram expedidos 19 mandados de prisão, sendo 11 já cumpridos, e seis mandados de busca e apreensão no Morro do São Carlos.

Há pouco tempo, foram presos também alguns integrantes da UPP do Morro da Coroa, em Santa Teresa, que garantiam o caminho livre para os traficantes. Um dos PMs presos estava com R$ 13 mil no bolso da farda, em dinheiro vivo.

A informação que corre nos bastidores da Polícia do Rio é de que um dos melhores negócios do momento é trabalhar nas UPPs. Os soldados da PM ficam numa boa, sem arriscar a vida enfrentando criminosos, Eles apenas supervisionam a comunidade, resolvendo casos de bebedeira, discussões entre vizinhos, brigas de casais etc. E o suborno do tráfico é mais do que garantido.

A maior prova da liberação do tráfico pelo governador Sergio Cabral é a lei da oferta e da procura. Se a instalação das UPPs realmente significasse combate ao tráfico, os viciados estariam fazendo fila nas favelas onde ainda não existe UPP e o preço das drogas teria subido muito.

Nada disso aconteceu. Não houve inflação nem aumento da procura nas favelas sem UPP. Como ensinou aquele assessor de Clinton, “é a economia, idiota!”.

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VIVENDO DE ILUSÃO

O mais incrível é que a quase totalidade da população do Rio ainda não entendeu isso e continua achando sensacional a “política de segurança” do governo Cabral.

Poucos já conseguiram perceber que o principal efeito dessa “política” é o desemprego dos soldados do tráfico, que perderam os empregos e desceram às ruas, para cometer outros crimes. Muitos se mudaram para a Baixada Fluminense, onde a criminalidade aumentou expressivamente e está batendo recordes.

Já ia esquecendo: o próprio governador Sergio Cabral se entregou, por vaidade, ao afirmar que, no caso da instalação da UPP no morro do Cantagalo/Pavão/Pavãzinho, deu “prazo de 48 horas para os traficantes saírem”.

Na época, Helio Fernandes perguntou: “Deu a prazo a quem? Falou direto com os traficantes e não prendeu?” Ou tinha intermediários diretamente envolvidos?”

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TIROTEIO NO CARNAVAL

Na segunda-feira de Carnaval, um tiroteio na “favela pacificada” do Morro de São Carlos, deixou um morto e quatro feridos na madrugada desta segunda-feira. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da região teriam reconhecido o traficante conhecido como “Cheru“ no bloco “Boi Sem Chifre”, que passava por volta das 2h pelo cruzamento da Ladeira São Diniz com a Rua São Carlos.

Houve troca de tiros, e uma viatura da polícia foi incendiada. Wendel Timóteo Rodrigues Nunes, de 14 anos, levou um tiro nas costelas e morreu no Hospital Central da Polícia Militar (HCPM). Entre os feridos, estão Marcílio “Cheru” de Oliveira, que seria responsável pelo tráfico local, e Paulo Roberto Barros dos Santos, vulgo “Dorei”, que seria o braço direito de Cheru. Ambos tem 24 anos e estão internados no Hospital Souza Aguiar. Já o mototaxista Carlos Diego Gonçalves dos Santos, de 25 anos, levou um tiro nas costas e está internado no HCPM. Ainda não há informações sobre o outro ferido.

Um carro da Polícia foi incendiado e moradores atiravam garrafas nos PMs. Pacificação é isso aí, como diz o slogan da Coca-Cola.

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