Privatização da Eletrobrás custará quase uma Eletrobrás e meia aos contribuintes brasileiros    

Charge do Léo (Arquivo Google)

Deu no Estadão
Editorial

O Senado aprovou na quinta-feira passada a Medida Provisória (MP) 1.031/2021, que abre caminho para a privatização da Eletrobrás. Foram 42 votos favoráveis e 37 contrários. Tal com foi aprovado, o texto é péssimo para o País. Está abarrotado de “jabutis” inseridos por deputados e senadores que custarão R$ 84 bilhões aos consumidores de energia, segundo associações e consultorias que acompanham o setor.

 Para dar a dimensão do descalabro, basta dizer que o governo tem a expectativa de levantar, aproximadamente, R$ 60 bilhões com a diminuição de sua participação acionária na estatal, caindo dos atuais 60% para 45%. Ou seja, vender uma Eletrobrás custará quase uma Eletrobrás e meia para as famílias e as empresas. Qual o sentido disto?

NÚMERO MÁGICO – O governo argumenta que a privatização da Eletrobrás poderá reduzir a conta de energia em até 7,36%, mas faltou explicar ao distinto público como surgiu este número mágico e quando a eventual redução seria sentida no bolso dos consumidores.

Havia no mercado a expectativa de que os senadores retirassem do texto da MP os “jabutis” que, na prática, tornaram a reforma uma insensatez sob quaisquer perspectivas, sobretudo a matemática. Ledo engano. Não só foram preservados os quelônios de estimação dos deputados, como outros foram introduzidos pelos senadores. O que era ruim foi piorado, e nada indica que será corrigido na Câmara, para onde o projeto seguiu.

TUDO ACORDADO – “Os deputados vão manter o texto do Senado. Foi tudo acordado”, disse o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), relator do projeto na Casa.

Um dos “jabutis” mais pesados para o consumidor carregar, proposto pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), relator do projeto no Senado, é o que impõe à União a obrigação de aumentar de 6 mil para 8 mil megawatts (MW) a contratação de energia de usinas termoelétricas movidas a gás natural, localizadas, preferencialmente, em capitais, regiões metropolitanas e Estados que muitas vezes não têm reserva ou qualquer ligação com a infraestrutura para transporte de gás.

O custo bilionário da construção de gasodutos para levar o gás até estas usinas, evidentemente, será repassado para as contas das famílias e das empresas por meio de aumento de tarifas.

CUSTOS MAIORES – Outra exigência descabida inserida na MP é a contratação mínima, pela União, de 40% de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que são, como o nome sugere, pequenas usinas com potência de geração de até 50 MW. O custo desta obrigatoriedade também deverá ser repassado aos consumidores. “O governo joga para a sociedade o prejuízo (de uma privatização malfeita)”, disse ao Estado a economista Elena Landau.

A deformação do texto da MP não tem outro objetivo que não acomodar os interesses paroquiais de deputados e senadores, que têm uma eleição no horizonte. Já o presidente Jair Bolsonaro cedeu e se empenhou pela aprovação desta puída colcha de retalhos porque a ele também interessa posar como “o presidente que privatizou a Eletrobrás”, plano acalentado por outros que o antecederam.

Pouco importa se o projeto da hora é péssimo para a sociedade. Lutar pelo que é melhor para o País nunca foi uma preocupação que tire o sono de Bolsonaro. Embora tenha sido eleito prometendo uma onda de privatizações sem precedentes na história do País, esta foi apenas mais uma de suas falsas promessas. Bolsonaro jamais foi um reformista, e menos ainda o liberal que inventou como personagem para atrair segmentos da sociedade e vencer o pleito.

O melhor para o País é a MP 1.031/2021 perder sua validade na próxima terça-feira, até mesmo porque há “jabutis” flagrantemente inconstitucionais, como o que dispensa a autorização do Ibama e da Funai para a construção do Linhão Manaus-Boa Vista, que ligará Roraima ao Sistema Integrado Nacional.

A privatização da Eletrobrás requer um novo projeto que privilegie o interesse público. Há muito o setor elétrico é alvo da exploração política irresponsável, com pesados custos para a sociedade. O tema precisa ser tratado com seriedade e espírito republicano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É preciso dizer que essas maluquices são cometidas por um economista entreguista como Guedes, que se aproveita da ignorância de Bolsonaro e dos generais do Planalto, além da servidão do vice-almirante Bento Albuquerque, que assiste à dilapidação do patrimônio brasileiro sem dar um pio. Deveria se demitir e devolver a espada à União. (C.N.)

12 thoughts on “Privatização da Eletrobrás custará quase uma Eletrobrás e meia aos contribuintes brasileiros    

  1. Deveriam privatizar toda a Eletrobrás pois seus servidores abastados com inúmeras regalias, pouco produzem.
    Se fossem capazes a empresa não estaria gerando seguidos prejuízos nos governos anteriores.

    • Discurso programado é coisa de entreguista mesmo!

      Se as estatais brasileiras forem compradas por estatais de outros países e nos fod****, o bobalhao do José Roberto não tá nem aí!

  2. Dezessete Anos,sem o lider LEONEL DE MOURA BRIZOLA.

    Faz falta esse grande Nacionalista.
    Sem dúvida ,no plano espiritual sofre em ver seu povo escravizado pelos mercenários mistificadores.

    Descanse em paz caudilho,gratidão por ter deixado o legado da EDUCAÇÃO,o Norte da alforria.

    • Leonel Brizola foi um homem público que agregou num só corpo: a diligência de um verdadeiro líder e o carisma dum ídolo sem maquiagem.
      Seus méritos mais sublimes residem, na honestidade ímpar e, sobretudo, na sua capacidade de se manter íntegro sob tiroteios multivetoriais: de militares, grande mídia, EUA e setores conservadores diversos e adversos.
      A propósito, meu saudoso genitor me falava que o Brasil teve apenas dois líderes autênticos: João Goulart e Brizola. E que os demais foram burilados pelo marketing massificante e pelo poder que adquiriram de manipular, censurar e hostlizar.

  3. Estadistas como Brizola são difíceis de aparecer. O mais comum é surgirem, aos borbotões, boçais ignorantes e presunçosos, crentes que são os melhores, acompanhados de idiotas como os que controlam a economia e a administração. Pena que o povo não entende isso.

  4. Quando perguntam o por que de apoiar o Lula, não é devido ao indivíduo.
    E devido ao PT, basta olhar quem votou a favor e quem votou contra a esse roubo do que é nosso.
    O Lula pouco importa.

  5. Brizola atingiu esse patamar de nacionalista, de ser um político voltado para o bem, para o povo e País, mediante uma determinação sua, só uma:
    Coragem!

    Foi corajoso com a Educação, iniciando no RS, onde foi governador na década de cinquenta, erguendo mais de seis mil escolas;
    foi corajoso ao enfrentar os golpistas em 61, que não queriam Jango assumir a presidência da República, por ocasião da renúncia de Jânio.
    Responsável pelo movimento conhecido como Legalidade, conduziu o vice-presidente eleito ao seus devido lugar, o Planalto;
    foi corajoso em ser candidato ao governo do Rio de Janeiro em duas eleições;
    foi corajoso em implantar, junto com outros mentes brilhantes e legitimamente patriotas, o Ensino em Tempo Integral, inaugurando uma fase que ainda o Brasil desconhecia com relação à escola para pobres e miseráveis;
    foi corajoso em jamais se deixar ser corrupto, sendo até hoje exemplo de seriedade, honestidade e integridade!

    Convenhamos, faz-se necessário ser muito corajoso para seguir os exemplos de Brizola!

  6. Faz tempos que eu não venho à TI porque aqui não é mesmo minha praia. Todo mundo de articulistas a comentaristas das matérias é pertencente ao grupo dos cidadãos de bens, defensores da tradicional família brasileira e dos bons costumes, nacionalistas, que amam a pátria e temem a Deus e que até 2018 trabalharam incansavelmente para colocar no governo o projeto da “nova política”. Hoje por falta do que fazer vim aqui dá uma olhada.

    Da vontade de rir. Mas a vergonha é grande.

    Quem é o próximo salvador que vocẽs irão ter como substituto do mito, já que pelas matérias e pelos comentários me parecem que estão todos feito avestruzes?

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