Procurado no mundo inteiro pela Interpol (exceto no Brasil), Maluf continua livre, leve e solto, com mandato na Câmara. Alguém poderia explicar?

Carlos Newton   

São fatos realmente sem explicação. Quando um criminoso famoso é procurado pela Interpol (polícia internacional), mais dia, menos dia ele acaba sendo apanhado. Mas no Brasil é muito diferente. Aqui o criminoso Paulo Maluf continua solto (só esteve preso uma vez, e muito rapidamente), tem direitos políticos assegurados e pode até disputar eleições. Atualmente, ele se diz deputado federal (PP-SP), embora raramente vá à Câmara e nada faça por lá. Não se conhece nenhum projeto, não faz discurso, não comparece às Comissões Técnicas, não é relator de nada, a não ser de sua própria impunidade.

Agora os jornais anunciam que fracassou um acordo negociado entre Maluf e a Promotoria de Nova York, no qual ele admitiria a suposta falsificação de dados bancários no exterior. O acordo permitiria a repatriação, para o Brasil, de US$ 13 milhões em uma conta bancária na Ilha de Jersey, que o Ministério Público de São Paulo afirma pertencer à família do ex-prefeito. A Prefeitura de São Paulo era favorável ao acordo, já que receberia os US$ 13 milhões, que o prefeito Gilberto Kassab até prometeu que seriam investidos na área social, embora ninguém possa acreditar nisso.

A desistência ocorreu há duas semanas, de acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”. Maluf, porém, não comenta o assunto e seus advogados não confirmam a história. A “Folha de S. Paulo” apurou que a desistência partiu do filho do deputado, Flávio Maluf, que também é processado pela promotoria. Com tudo pronto, ele se recusou a assinar o acordo.

Em troca, eles teriam seus nomes retirados do alerta vermelho da Interpol, que os impede de viajar para o exterior, onde seriam imediatamente presos, com algemas, fotografias e tudo o mais. Também seria extinto o processo que respondem nos Estados Unidos.

O Ministério Público, que confirmou a existência de negociações entre Maluf e a Promotoria de Nova York, também era favorável. Seria a primeira vez que o ex-prefeito admitiria a autoria de um crime. Como todos sabem, Maluf sempre negou que mantenha recursos no exterior. O processo continuará a tramitar normalmente nos Estados Unidos. Ele também responde a processo no Brasil, mas o desfecho dessa ação criminal, podemos até esquecer.

De tudo isso, fica a indagação. Por que Maluf admitiria ter desviado US$ 13 milhões para um paraíso fiscal, quando se sabe que ele depositou mais de US$ 200 milhões? Isso é uma mixaria para um político do porte dele. Pegaria até mal ele dizer que só roubou essa pequena quantia dos cofres públicos de São Paulo, não é mesmo?

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