Procurador-geral da República desperta da letargia e diz que vai abrir inquérito contra Orlando Silva e Agnelo Queiroz.

Carlos Newton

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, anuncia que deverá pedir nesta sexta-feira a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o ministro do Esporte, Orlando Silva, e seu antecessor no cargo, o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

Com se sabe, ambos são suspeitos de envolvimento no desvio de vultosos recursos do Programa Segundo Tempo, destinado ao incentivo da prática esportiva entre crianças e adolescentes.

Antes disso, segundo a repórter Carolina Brigido, de O Globo, o procurador quer avaliar o depoimento prestado pelo policial militar João Dias Ferreira à Polícia Federal. Nesse depoimento, Dias confirmou todas as acusações de participação do ministro nas irregularidades e deu novas informações.

“Ainda não vi o inquérito do STJ. De qualquer forma, a ideia é pedir que ele seja transferido para o STF provavelmente até amanhã (sexta-feira). Estava só querendo dar uma olhada antes no depoimento do João Dias à Polícia Federal. Vamos exatamente avaliar a parte que ele já prestou” – disse ontem o procurador, que ainda não cogita em fazer acordo para eventual delação premiada: “Ainda está cedo para a gente avaliar”.

Com a devida vênia, devemos registrar que o procurador-geral está funcionando em ritmo de Martinho da Vila – devagar, devagarzinho. Já existe um inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) investigando Agnelo pelas supostas práticas de corrupção. Portanto, caso Gurgel realmente se manifeste, então essa investigação será automaticamente transferida para o STF e juntada com as apurações contra o ministro Orlando Silva, juntando no mesmo inquérito os dois ex-correligionários do PCdoB.

Gurgel esclareceu que, no primeiro momento das investigações, pedirá apenas diligências iniciais: “Nesse momento, provavelmente não haverá quebra de sigilos, apenas coleta de informações administrativas, sobre o programa”.

Como recordar é viver, é sempre bom lembrar que em junho, no primeiro escândalo do governo, Gurgel considerou “inocente” o então ministro Antonio Palocci e não abriu inquérito contra ele. Mas logo em seguida teve o dissabor de presenciar seus subordinados da seção da Procuradoria no Distrito Federal desrespeitarem sua autoridade e abrirem, eles próprios, um inquérito contra Palocci, que está em franco andamento. Como se sabe, autoridade que não se dá ao respeito, não pode mesmo ser respeitada.

 

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