Procuradoria investiga má conduta do ministro Pazuello na crise da saúde no Amazonas

Pazuello e a Covid - Nando Motta - Brasil 247

Charge do Bruno Motta (Arquivo Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração preliminar para analisar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Amazonas, especialmente sobre a falta de oxigênio que vitimou pessoas e agravou a crise local.

A PGR quer saber se o ministro foi informado com antecedência sobre os problemas para o fornecimento de oxigênio no estado. Em documento obtido pela TV Globo, a Procuradoria pede que Pazuello preste informações em 15 dias.

ESCASSEZ DE OXIGÊNIO – “Solicito ao representado [ministro] que envie, em até quinze dias, informações sobre o cumprimento, ou não, de medidas que são de competência do Ministério da Saúde, ante a notícia de que teria sido previamente avisado, na condição de titular da pasta, “sobre a escassez crítica de oxigênio em Manaus por integrantes do governo do Amazonas, pela empresa que fornece o produto e até mesmo por uma cunhada […] mas não agiu”, diz a PGR.

Pazuello ainda não é formalmente investigado, mas, se a Procuradoria avaliar que há elementos, pode requisitar ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar o ministro.

CHEGOU A RECONHECER – Na semana passada, o ministro esteve no Amazonas e chegou a reconhecer publicamente a crise do oxigênio.

“Quando cheguei na minha casa ontem, estava a minha cunhada. O irmão não tinha oxigênio nem para passar o dia. ‘Ah, acho que chega amanhã. O que você vai fazer?’ Nada. Você e todo mundo vai esperar chegar o oxigênio para ser distribuído”, afirmou.

Em outra frente, a PGR pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ampliar um inquérito que investiga suspeita de desvios para o combate à Covid-19 no Amazonas com fatos relacionados à crise de oxigênio.

MENOS RECURSOS – O que já se sabe, com precisão, é que Manaus (AM), que enfrenta um colapso do sistema de saúde, foi a segunda entre as 27 capitais do país que menos recebeu recursos federais por habitante em 2020.

A capital do Amazonas recebeu R$ 2,36 bilhões no ano passado, o que equivale a um valor médio de R$ 1.063,26. Esse valor só não é mais baixo que o da cidade do Rio de Janeiro, que recebeu o equivalente a R$ 946 por habitante em 2020.

No topo aparecem Vitória (R$ 4.017 por habitante), Palmas (R$ 4.015) e Porto Alegre (R$ 3.473). Os valores consideram todos os repasses federais, inclusive verba para ações de combate à pandemia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro-general-logístico Eduardo Pazuello não deveria ser investigado sobre suas “realizações”. O mais certo seria condená-lo sumariamente pelo conjunto da obra. (C.N.)

5 thoughts on “Procuradoria investiga má conduta do ministro Pazuello na crise da saúde no Amazonas

  1. Com derrota em vacina, militares do governo veem desgaste e defendem saída de Pazuello
    Para integrantes de alta patente, quadro vinculou ao general imagem de negligência, colocando em risco a aprovação das Forças Armadas
    Por Folhapress

    18/01/2021 12h18 Atualizado há 2 horas

    Nota: no quadro de intendentes da Marinha, não há possibilidade de um intendente receber a quarta estrela. Pazuello já tem tempo de serviço suficiente para solicitar sua remoção para a reserva remunerada com vencimentos integrais.

    Ele não solicita sua transferência para a reserva remunerada, por uma jogada política de Jair Bolsonaro, tendo, com isso, outra consequência nefasta com seus colegas de farda e intendência.

    A jogada política de Bolsonaro, ao exigir a manutenção de Pazuello no serviço ativo do Exército, é a tentativa de atrelar o seu desgoverno com a instituição Exército, o que o próprio oficialato superior do Exército (os generais da ativa principalmente) já estão repelindo. O Exército se recusa a ser caudatário do desgoverno Bolsonaro.

    A consequência nefasta com seus colegas de farda e intendência é a de que, Pazuello está ocupando uma vaga, impedindo que outro general de duas estrelas, general intendente, possa ser promovido a general de três estrelas. Só é possível um general de duas estrelas conseguir a terceira e última estrela – ápice da carreira para intendentes – se houver vaga, que no momento vem sendo ocupada por Pazuello, o que demonstra uma falta de consideração com seus colegas da intendência da Marinha do Brasil.

  2. As FFAA são poderio bélico + pessoal. Se um general demonstra ser tão mal preparado para gerenciar, fica a dúvida se é um problema individual ou do corpo a que ele pertence. De qualquer jeito, pegou mal colocar o Estrategista dia D, hora H como ministro da Saúde.

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