Proibido defender-se

Luiz Eça (Site Olhar o Mundo)

Aviões de Israel bombardearam a Síria três vezes nos últimos meses. Netanyahu falou que os sírios não deveriam levar a mal. Não era contra eles.  O alvo seriam armamentos que estavam de passagem por Damasco, a caminho dos quartéis do Hizbollah, inimigo jurado de Israel.

O problema é que os ataques violaram a soberania síria, destruíram edifícios e instalações públicas e mataram dezenas de soldados e funcionários do país. A defesa antiaérea síria viu-se impotente para evitar a ação dos supermodernos aviões israelenses, fornecidos pelos EUA.

Diante deste legítimo ato de guerra, o governo de Damasco limitou-se a ameaçar reagir da “próxima vez”.  Ninguém acreditou. Assad não teria condições de enfrentar ao mesmo tempo Israel e os rebeldes.

Contratou então com os russos a compra do sistema antimíssil S-300, capaz de atingir aviões e mísseis a uma distância de 200 km. Furiosa indignação em Tel-aviv.

‘Como esses audaciosos sírios se atrevem a se armarem para se defenderem de nossos bombardeiros? E os russos já pensaram como o S-300 poderia dificultar futuros ataques nossos?’.

Lembrou a fábula do Lobo Mau e os três porquinhos, quando o lobo ficou furioso por ter o porquinho Prático construído uma casa de pedra, resistente a seus assoprões…

Israel mandou logo emissários a Moscou para impedir essa venda  “inadmissível”. E os EUA se juntaram a seus protestos. Nessa curiosa inversão dos fatos, em que a bombardeada Síria torna-se uma ameaça para o bombardeador Israel, a hipocrisia se disfarçou com roupas de justiça.

A hipótese do S-300 em Damasco foi tratada como um verdadeiro crime contra a civilização ocidental. Mas os russos explicaram que o S-300 tem uso apenas defensivo. Só atuaria para prevenir bombardeios de Damasco por aviões estrangeiros. Como os rebeldes não têm aviões, nunca seria usado contra eles.

Aí, Israel resolveu apelar.  Em reunião com embaixadores da Europa Unida, o assessor nacional de Segurança Yaakov Admidror declarou que a aquisição do Sistema S-300 pela Síria obrigaria Israel a uma ação militar para impedir que entrasse em operação.

Por sua vez, Moshe Ya´alon, ministro da Defesa, sugeriu em entrevista que Israel bombardearia os navios russos que transportassem o S-300 para a Síria.  Dois ultimatos, portanto.

Toda esta análise baseia-se na certeza da instalação do S-300 em Damasco e dos desdobramentos prometidos.

Claro, ainda há uma esperança de que o presidente Obama convença Bibi a tirar o dedo do gatilho. Aí as coisas seguirão outro rumo.

Nos próximos dias ficaremos sabendo o que acontecerá. Seja o que for, a imagem de Israel já ficou suja pela incrível ameaça de atacar um país por pretender se defender. (artigo enviado por Mário Assis)

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2 thoughts on “Proibido defender-se

  1. Tanto o Iraque como a Palestina, foram e estão sendo vítimas da covardia dos EUA e de
    Israel. A bola da vez agora é a Síria. Assim são os covardes: ´só atacam aqueles que não podem
    se defender.

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