Promotora bolsonarista sai do caso Marielle, mas faltam as outras duas

Resultado de imagem para carmen eliza bastos de carvalho"

Carmen Carvalho fez campanha para Bolsonaro em 2018

Italo Nogueira
Folha

A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho decidiu nesta quinta-feira (31) se afastar das investigaes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). A deciso foi tomada aps a divulgao de fotos de Carvalho em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que quebrou a placa em homenagem vereadora assassinada. O anncio foi feito em nota do Ministrio Pblico do Rio de Janeiro.

Carmen Carvalho postou em sua conta no Instagram foto vestindo camisa em apoio a Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. Ela tambm manifestou emoo no dia 1 de janeiro, na posse do presidente.

VITRIA – “H anos que no me sinto to emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitria”, escreveu ela.

Tambm publicou foto ao lado de Amorim na solenidade de entrega da medalha Tiradentes promotora. A comenda foi proposta pelo deputado estadual Carlos Augusto (PSD-RJ), delegado da Polcia Civil do Rio de Janeiro. As imagens foram divulgadas pelo jornalista Leandro Demori, editor-chefe do site The Intercept Brasil, em sua conta no Twitter.

A Lei Orgnica Nacional do Ministrio Pblico veda aos promotores que exeram “atividade poltico-partidria”.

RECOMENDAO – Em 2016, o Conselho Nacional do Ministrio Pblico expediu recomendao deixando expresso ser proibida “a participao de membro do Ministrio Pblico em situaes que possam ensejar claramente a demonstrao de apoio pblico a candidato ou que deixe evidenciado, mesmo que de maneira informal, a vinculao a determinado partido poltico”.

A legislao, contudo, no deixa expressas as sanes para a prtica. A anlise cabe Corregedoria das promotorias, que tm o poder de advertir, censurar, suspender, demitir e cassar a aposentadoria dos membros do Ministrio Pblico “em caso de negligncia no exerccio das funes”.

Carmen Carvalho membro do Gaeco (Grupo de Atuao Especial de Combate ao Crime Organizado), que concentra o acompanhamento das investigaes da Polcia Civil.

COLETIVA – Ela participou na quarta-feira (30) da entrevista coletiva em que o Ministrio Pblico do Rio de Janeiro classificou como falso o teor do depoimento do porteiro que envolveu Bolsonaro na morte de Marielle. Essa declarao foi dada pela promotora Simone Sibilio.

Promotora desde 1994, a lotao original de Carmen Carvalho no 2 Tribunal do Jri da capital. Ela tambm integra o Gaeco. O caso mais famoso em que atuou foi na investigao do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013, na Rocinha.

A promotora atuou tanto na investigao como no julgamento do caso na primeira instncia, que culminou com a condenao dos 12 denunciados quatro foram absolvidos na segunda instncia.

PORTEIRO – Reportagem do Jornal Nacional na ltima tera-feira (29) apontou que um porteiro cujo nome no foi revelado deu depoimento dizendo que, no dia do assassinato de Marielle, lcio Queiroz, ex-policial militar suspeito de envolvimento no crime, afirmou na portaria do condomnio que iria casa de Bolsonaro, na poca deputado federal.

Pelo depoimento do porteiro apresentado pela TV Globo, ao interfonar para a casa de Bolsonaro, um homem com a mesma voz do presidente teria atendido e autorizado a entrada. O suspeito, no entanto, teria ido a outra casa dentro do condomnio.

A promotora Simone Sibilio afirmou na quarta-feira que a investigao teve acesso planilha da portaria do condomnio e s gravaes do interfone e que restou comprovado que a informao dada pelo porteiro no procede.

NA CASA 58 – Na planilha de controle da portaria do condomnio, apreendida pelo Ministrio Pblico, constava que no dia 14 de maro de 2018 quando a vereadora foi assassinada lcio havia ido para a casa 58, que pertence a Bolsonaro.

A Promotoria no citou hipteses que possam explicar por que houve anotao incorreta do nmero da casa. Disse, apenas, que isso pode ter ocorrido por vrios motivos e que eles sero apurados.

Mas o Ministrio Pblico disse no ser possvel confirmar ainda nem mesmo se a gravao registrada na portaria do mesmo porteiro que prestou depoimento embora diga poder afirmar que lcio entrou uma nica vez no condomnio e que, pela percia “nos padres voclicos de quem autorizou”, foi confirmada a autorizao dada por Ronnie Lessa.

###
NOTA DA REDAO DO BLOG
A entrevista coletiva das trs promotoras foi convocada apressadamente com o objetivo expresso de julgar e condenar o porteiro, que apenas cumprira sua obrigao. O comportamento delas jogou na lata do lixo a imagem do Ministrio Pblico Estadual. E o resultado s poderia ser o afastamento delas. Mas as outras duas insistem em ficar, embora tambm no tenham demonstrado a devida iseno. (C.N.)

16 thoughts on “Promotora bolsonarista sai do caso Marielle, mas faltam as outras duas

  1. O porteiro um detalhe menor. O que importa saber QUEM mandou/pagou/enganou o porteiro a fazer o que fez. Faam suas apostas. A minha a de que tem o dedo do PSOL nisso a talkey!

  2. Esta tal de Estabilidade Total pra Funcionrio Pblico, d nisto. Como que uma Procuradora, ou Juza, pode participar de campanha poltica?
    Demita uma vez uma delas e o problema estar resolvido pra sempre. assim que funciona a iniciativa privada.

  3. A repblica est bichada, acometida da peste do partidarismo eleitoral. Isso a, visvel em quase todas as instituies da repblica. E a peste do aparelhamento das instituies se entrega pelas suas prpria palavras e condutas.

  4. Tem uma hiena presidente do $TF, que foi advogado do criminoso/terrorist/multi-condenado Jos Dirceu, do PT, e que NUNCA se declarou suspeito de votar qualquer coisa relativo a Lula, Dirceu, PT, etc.
    HAJA HIPOCRISIA nessa impren$a !!!

Deixe um comentário para Eliel Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.