Propaganda pela TV só influencia o eleitor nas capitais. Nas outras cidades, poucos assistem.

Carlos Newton

Com se sabe, a propaganda dos candidatos que estão na disputa pela sucessão municipal de 2012 só começa  dia 21 de agosto, 43 dias antes da eleição, e ocupará, diariamente, 60 minutos da programação do rádio e TV até 4 de outubro. É um alívio saber que vai durar tão pouco (apenas 40 dias).

Vamos assistir mais uma vez àquele desfilar de promessas e falsos compromissos, além das baixarias das acusações mútuas, que só servem para demonstrar o deplorável nível em que se encontra mergulhada a política nacional. Se o governo federal se transformou num balcão de negócios, entregue a políticos e executivos corruptos (o caso Valec é apenas o mais recente exemplo), pode-se imaginar o que ocorre nos governos estaduais e nas prefeituras, uma verdadeira farra do boi.

Mas não adianta reclamar. É sabido que a qualidade da representação política sempre dependerá dos representados – ou seja, os eleitores, aqueles que fazem as escolhas, através do voto. Conclui-se que Pelé tinha e continua tendo razão, quando disse que o povo brasileiro não sabe votar.

O padrão do eleitorado só vai melhorar quando houver uma educação pública de qualidade. Ou seja, é coisa para as próximas gerações, se o Congresso aprovar o projeto que destina 10% do Orçamento da União para investimentos e gastos em Educação, que o governo do PT luta com todas as forças para que seja rejeitado.

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COMO O ELEITOR DECIDE

Ao abordar a propaganda eleitoral, os jornais costumam citar uma pesquisa do Datafolha, divulgada nas eleições presidenciais de 2010, indicando que 65% do eleitorado decidem em quem votar a partir do que assiste na televisão. Essa estimativa pode até estar correta no tocante às eleições presidenciais e governos estaduais. Mas no caso de eleições municipais, o resultado da pesquisa é inaplicável.

Na eleição presidencial, todas as TVs abertas transmitem a mesma propaganda, é uma massificação, o telespectador que não dispõe de TV por assinatura não tem opção. No caso das eleições municipais, porém, a publicidade é repartida. A TV Globo, que tem maior audiência, transmite exclusivamente a propaganda eleitoral das capitais. As propagandas eleitorais das outras cidades são exibidas por alguma outra emissora, como SBT, Record, Band e CNT, que têm audiência muito menor.

Ou seja, na eleição municipal das cidades menores, o panorama eleitoral é muito diferente do que ocorre nas capitais. A propaganda pela televisão tem influência muito menor, praticamente inexpressiva. Esta é a realidade.

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