Proposta de Temer acaba com o efeito Tiririca ou efeito Enas. No vai mais existir puxador de voto de legenda. No haver mais eleies proporcionais, e sero eleitos para deputado ou vereador, exclusivamente os mais votados.

Carlos Newton

A existncia de puxadores de votos, como ocorreu na ltima eleio com a candidatura de Tiririca e acontecia a cada candidatura de Enas, pode estar com os dias contados, se for aprovado o projeto apresentado quarta-feira bancada do PMDB pelo vice-presidente Michel Temer.

O objetivo evitar que um deputado federal seja eleito apenas com 275 votos, beneficiado pela legenda, que teve um puxador que alcanou mais de um milho de eleitores. Pela proposta apresentada pelo vice-presidente Temer, s os mais votados chegaro Cmara Federal, s Assemblias estaduais e s Cmaras de Vereadores.

O sistema proporcional a negao do princpio mximo da Constituio de que o poder do povo. A populao no consegue entender como um deputado que tem 128 mil votos no eleito e um que teve apenas 275 votos vire deputado, assinalou Temer, ao justificar o projeto perante a bancada, no primeiro encontro partidrio sobre a pretendida reforma poltica.

Temer defendeu uma janela para troca de partido (ele chamou de porta) a ser aberta a cada trs anos e meio, seis meses antes de cada eleio, ou a cada sete anos e meio, uma vez que o partido no pretende hoje acabar com a reeleio. Mas o chamado voto em lista, em que o eleitor vota na legenda e os partidos definem quem fica no alto da lista com mais chance de ser eleito, no est nos planos do PMDB.

Existe ainda uma grande resistncia no que diz respeito formao de uma lista de candidaturas. A grande preocupao dos deputados tinha relao com o caciquismo local, que poderia influenciar negativamente na composio da lista, justificou Temer.

Outro tema o financiamento pblico de campanha. Nossa maior dificuldade pagar uma campanha. Temos que ter o financiamento pblico exclusivo, afirmou o deputado piauiense Marcelo Castro, sem empolgar a bancada, que ainda no sabe como se posicionar.

O mais paradoxal que, at alguns meses atrs, Temer jamais defenderia a tese do voto majoritrio para deputados e vereadores. Em sua carreira, ele sempre foi eleito graas ao coeficiente eleitoral. Na ltima eleio que disputou para a Cmara, em 2006, nem chegou a ser eleito. Ficou como suplente e s assumiu o mandato porque o titular foi cassado. Nada como um dia aps o outro.

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