Prossegue a faxina

Carlos Chagas

Informamos ontem que mais frigideiras estavam no fogo, depois da fritura verificada em três,  e de outra dessas panelas encontrar-se  quase no ponto. Pois não é que ontem mesmo apareceu fumaça na quarta? O escore, agora, está PMDB, 3, PR, 1, e PT, 1, Quer dizer, já exonerados, 3 ministros, e por exonerar, 2.  

Depois de Antônio Palocci, da Casa Civil, Alfredo Nascimento, dos Transportes,  e Nelson Jobim, da Defesa, demitidos,  fervem  na frigideira Wagner Rossi, da Agricultura, e agora Pedro Novais, do Turismo. Por coincidência, um  teve o seu secretário-executivo abruptamente  demitido,  e outro, preso pela Polícia Federal. Ambos do PMDB.                                                       

Eis mais uma prova da mentira que certa imprensa vinha  espalhando a respeito de estarem blindados os ministros e as estrututras do maior partido nacional, liderado pelo vice-presidente Michel Temer. Acresce que no caso do ministério do Turismo, vinte altos funcionários tiveram decretadas suas prisões provisórias ou preventinas.                                                      

Alguém ainda ousará sustentar  que a presidente Dilma Rousseff celebrou acordo com o PMDB para deixar o partido  de fora da faxina anunciada e executada?                                                       

Faltavam detalhes, ontem, das causas  das prisões, mas se um secretário-executivo vai para trás das grades, não será pelo desaparecimento de lápis ou pelo uso do carro oficial para madame fazer compras no supermercado. Será coisa grossa, sucedendo-se para o ministro  do Turismo a mesma indagação que atinge o da Agricultura: Suas Excelências ignoravam as atividades de seus mais próximos  auxiliares? Possível, é, mas provável,  de jeito nenhum.                                                        

A faxina prossegue,  enquanto crescem a confiança na presidente Dilma  Rousseff  e o pânico na  base oficial. No mínimo,  não cuidaram direito das indicações feitas quando da composição do ministério.  No máximo, só Deus sabe…        

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CONTINUAM PRESTIGIADOS                                                        

No “Brasileirão”, 13 técnicos já foram dispensados por conta da má performance de suas equipes. Injustiça em alguns casos, necessidade em outros,  mas significativos números a confirmar que sempre haverá um responsável por fracassos e derrotas. O singular é que até quinze minutos antes de serem mandados embora os técnicos sempre estão “prestigiados” pela diretoria dos clubes.                                                         

No ministério, pela primeira vez em muitos anos,  acontece o mesmo. Ministros foram e continuarão sendo exonerados diante de denúncias, evidências e até provas de mau comportamento.                                                        

No futebol, são as torcidas organizadas que iniciam e impulsionam  o processo de mudança dos técnicos.  Na administração pública, esse papel é desempenhado pelos meios de comunicação, diante dos ministros. Até  tudo se completar, porém, cabe à  presidente da República manifestar plena confiança nos ministros que dispensará no momento  previsível. 

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MOSQUITOS GOVERNISTAS                                                        

Evidência maior de que o ex-ministro Nelson Jobim anda mesmo às voltas com sintomas de dengue  está no fato de que no último domingo, contrariando anos de rotina, ele deixou de almoçar com  a família  num dos restaurantes da moda, em Brasília. Mulher  e filhos foram, mas ele ficou em casa, submetido a exames de sangue e outras  cautelas necessárias à doença.                                                        

Agora, se estava decidido a não comparecer às cerimônias de posse e de  transmissão de cargo ao  seu sucessor, é outra história. A dengue serviu de argumento, mas certamente existiam outros para explicar sua ausência.                                                         

Jobim anda na baixa, em especial pela falta de solidariedade de seu partido, o PMDB, durante as escaramuças que manteve com a presidente Dilma. Não pode queixar-se de ter sido  picado pelo mosquitinho infernal quando recebeu ordem da chefe do governo para deixar Tabatinga, na Amazônia, o mais breve possível, para ser demitido na capital federal. Terá sido mera coincidência. Mas não deixa de ser singular que tendo ido tantas vezes à região, só agora os insetos tenham avançado nele. Seriam governistas, esses bichinhos? 

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OS MALES DO CAPITAL-MOTEL                                                         

Muita gente se pergunta porque a Bovespa cai  mais do que qualquer outra bolsa de valores do planeta, inclusive as dos Estados Unidos e da Grécia, situações díspares e antagônicas nessa selva de vigarices onde se ganha sem trabalhar.                                                       

A resposta é simples: deve-se às facilidades e regalias dadas desde o governo Fernando Henrique ao capital-motel, aquele que chega de tarde, passa a noite e vai embora de manhã depois de haver estuprado um pouquinho mais nossa economia. Claro que também  se deve a essa  deletéria política de juros, praticada para atrair recursos ao preço até mesmo de nossa soberania. O resultado aí está: o capital-motel foge daqui em velocidade ímpar para comprar títulos da dívida americana, por ironia ainda os mais garantidos, mesmo depois da proximidade da bancarrota nos Estados Unidos.                                                        

Aqui, o capital-motel não tem obrigações, não paga imposto de renda e nem é forçado a permanecer sequer alguns meses na Bovespa. Entra e sai quando quer. Resultado: tanto a iniciativa privada quanto a estatal vão para o precipício.  A Vale e a Petrobrás perderam 42,6 bilhões  de reais em 24 horas.

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