Protestos em xeque

Heron Guimarães 

Para muitos, as manifestações já surtiram efeitos, desengavetando projetos da Câmara e do Senado Federal. De fato, movido pelas pressões que vêm das ruas, os políticos resolveram trabalhar de uma hora para outra, mas o empenho demonstrado até aqui não é o bastante. Falta muito para tirar o brasileiro do abismo em que se encontra, e a intenção das aprovações dessa semana deve ser vista com desconfiança.

Tudo bem, a derrubada da PEC 37, a transformação da corrupção em crime hediondo e a expropriação de imóveis cujos proprietários tenham como prática o trabalho escravo podem ser consideradas vitórias populares, porém, além de terem que passar pelo crivo do Senado e pela sanção da presidente, não são garantia de punição, e isso é o que realmente interessa a todos.

O comportamento do Parlamento até aqui parece ser mais uma resposta à presidente do que propriamente uma preocupação com a opinião pública.
Isso porque, ao chamar governadores e prefeitos de capitais, Dilma passou por cima do Congresso, tentando estabelecer um diálogo direto com a população, o que acabou revelando uma estratégia torpe por parte da Presidência e de seus pensadores.

Dilma queria o compartilhamento de responsabilidades e posou para fotos, porém os deputados, espertamente, reverteram o jogo, devolvendo para ela a palavra final sobre projetos polêmicos.

PONTO CRUCIAL

Os protestos mudaram o cotidiano de todos e neste momento atingem um ponto crucial. Hoje, dia da final da Copa das Confederações, espera-se uma grande concentração.

Se depredações e mortes ocorrerem no Rio de Janeiro, como aconteceram em Belo Horizonte, a tendência é de enfraquecimento da causa. Se o movimento for “pacífico” e a Seleção se tornar campeã, as notícias podem se voltar em grande parte para o futebol, deixando para trás dias de “tormenta”.

De qualquer forma, a sociedade parece ter se lembrado de que é tomando as ruas que as coisas acontecem. O estardalhaço feito até agora provocou mudanças, por menores que sejam. Elas serão mais significativas se a mobilização continuar.

O domingo será importante, mas a segunda é o dia “D”. Nela saberemos se as manifestações terão força para continuar. Por isso, um outro protesto, articulado pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, terá papel relevante.

Se os caminhoneiros resolverem parar, aí, sim, o Brasil para de vez, e a população ganha força para exigir, com mais vigor, o fim da parcimônia nacional. (transcrito de O Tempo)

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

3 thoughts on “Protestos em xeque

  1. Moradores do Rio, conhecem o movimento Viva Rio. Pacificamente por anos vive plantando cruzes e rosas vermelhas em Copacabana. Qual foi a resposta do políticos do Rio as demandas do movimento?????? Esses políticos precisam conhecer a realidade brasileira e saber que dentre aqueles que pacificamente ficaram assistindo jornal, novela e jogo de futebol na tv durante muito tempo, existem aqueles que estão disposto de ir para tudo ou permanecer no nada que são hoje. Vem pra rua e vamos parar de falar desses manifestantes. Essa é uma mensagem para os políticos que ainda tiverem a sabedoria de abrir mão dos aneis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *