Protestos populares

Luiz Tito (O Tempo)

De tudo, muito se ouviu nos últimos dias, motivado pelos protestos acontecidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, no bojo do aumento das tarifas de ônibus. Mais do que protesto pela significância do aumento, o que o povo colocou pra fora foi sua indignação com a forma como são tratados assuntos de interesse público e a ira de uma sociedade cansada de crer em vão e de esperar pelo que nunca lhe é retribuído.

Ninguém aprova a violência que se firmou no inconformismo dos manifestantes, nem a truculência empregada pela polícia para repreendê-los. As cenas acontecidas nas duas maiores cidades do país – com centenas de pessoas presas ou feridas, prédios e lojas depredados, policiais atirando a esmo sem saber o que iriam atingir, respondendo a pedradas arremessadas desordenadamente –, nos deixam um alerta: a população não vive a felicidade demonstrada na publicidade dos governos.

Há uma insatisfação latente no inconsciente popular, que, à menor provocação, se manifesta. É míope – ou mentirosa e irresponsável – essa postura dos nossos governantes ao não perceberem a indignação presente em todo cidadão desse país, independentemente de sua classe social, do grau de instrução, do acesso ou não às facilidades do desenvolvimento. Ontem, foi o aumento das passagens de ônibus, que é um serviço próximo e essencial ao cotidiano do cidadão nas cidades. A gota d’água foi a majoração, que, por si mesma, não chega a impactar no mesmo grau do protesto dos manifestantes. O que está em jogo é muito mais.

CIDADÃO AMEAÇADO

O cidadão, o mesmo que usa todos os dias o transporte coletivo, é aquele que dispende quatro horas, também todos os dias de sua vida, para ir e voltar de seu trabalho. É aquele que vive ameaçado, ele e sua família, pela violência e pela insegurança – que driblam ou com ela são confundidos, ou nela envolvidos – em razão da ocupação das cidades, da criminalidade impune e da miséria sem alívio ou solução.

Sem violência – ou, lamentavelmente, com ela –, motins estão na prateleira à espera de quem os encabece: a volta da inflação, que desafia a presidente e as autoridades monetárias; a corrupção deslavada e sem medidas, presente no Judiciário, no Legislativo, no Executivo, enfim, em todos os andares e instâncias do poder público; a péssima qualidade dos serviços de saúde, de educação, de segurança, de transporte de massa, em todo o país, que afronta e desrespeita a sociedade. Isso somado à atividade criminosa do setor financeiro, que não se envergonha de embutir taxas de até 18% ao mês de juros e outras tarifas sobre operações de que se serve parcela significativa da população.

Esse amálgama é a matéria prima que tem nas mãos o cidadão comum, cotidianamente. Não há, e isso vem sendo denunciado todos os dias, uma atitude articulada, expressa em políticas públicas sérias e profundas, que possa aplacar esse quadro de carências e de equívocos. Estamos no meio de um caminho sem volta, e os nossos governantes, especialmente no plano federal, não se apresentam com projetos nacionais. Seguimos com medidas de varejo e incertezas no atacado.

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4 thoughts on “Protestos populares

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  2. A revolta contra toda essa tirania, que tortura a grande maioria da nação brasileira, será avassaladora quando desaguar em cima do embuste que é nosso processo eleitoral, eivado de entes perniciosos,mentirosos e descarados.
    O que não consigo entender, é que cada mentira dura mais tempo….
    a mentira petista já dura dez anos.Mentira de um trabalhismo que só salva malandros e afins…
    Todos esses movimentos populares que aconteceram, juntaram forças excepcionais, pela quantidade de pessoas naturalmente envolvidas, mas toda essa força foi canalizada em prol de minorias que se aproveitaram dessa força para mudar na aparência, mas no fim mudar somente os usufrutuários dos resultados.
    Por último tenho a afirmar que o movimento sindical que formou o pt é irmão de escola de nossas instituições políticas!

  3. Ainda sobre a noite anterior aqui no Rio e no resto do pais.
    Revolta do Vinagre

    No final apenas 3 coisas valem a pena:

    O nascer do sol
    O por do sol
    E A ESPERANÇA NOS OLHOS DOS JOVENS

    O povo não aguenta mais o engodo, a corrupção, a falta de opção.
    A política do pão com circo.

    De quem é esta ira santa ?

  4. Caro Jornalista,

    Agora está explicado o real motivo do desarmamento das PESSOAS DE BEM enquanto se fazia vista grossa com os bandidos armados!

    Agora está explicado o motivo da existência do ESTATUTO DO DESARMAMENTO, gerado e parido pelos nossos democratas!

    Abraços.

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