Protógenes pede CPI para investigar bicheiro que diz ter se reunido com ele para tratar de assuntos ‘nada republicanos’.

Carlos Newton

O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) entregou esta terça-feira ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), requerimento para instalação de uma CPI para investigar suposta relação de parlamentares com o bicheiro-empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Pelo menos 208 dos 513 deputados assinaram a proposta de CPI. Segundo Protógenes, o objeto da comissão de inquérito será investigar se existe “relação patrimonial, promíscua ou de financiamento de campanha de parlamentares” pelo empresário.

Quando soube da proposta de CPI para investigar suas atividades em Goiás, Carlinhos Cachoeira, que se encontra recolhido a um presídio federal em Natal, utilizou seus contatos pessoais, que o visitaram, para mandar um recado ao deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), autor da proposta: “Estou ansioso para relembrar as reuniões que tive com Protógenes em Goiânia, sempre na companhia do agente Dadá, até para tratar de assuntos nada republicanos”.

O agente citado é o sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, um dos presos pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou atividades ilegais de Cachoeira e de policiais a seu serviço.

“Há duas situações distintas: relação de amizade, que não é crime, pois ninguém pode ser acusado de ser amigo de bandido; e se há ilícitos”, disse  Protógenes, que conseguiu apoio na maioria das bancadas na Câmara, inclusive DEM, PSDB, PSC e PT. São necessárias 171 assinaturas para instalar uma CPI na Câmara. Não há data para ser instalada.

O Ministério Público Federal em Goiás ofereceu denúncia à Justiça Federal contra Cachoeira e mais 80 pessoas, por envolvimento em uma suposta quadrilha desarticulada pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
Segundo a Procuradoria, o grupo era encabeçado por Carlinhos Cachoeira e explorava direitos dos pontos de jogos caça-níquel em Goiânia e no entorno de Brasília, onde as máquinas estavam clandestinamente instaladas. O negócio se mantinha com apoio de policiais militares, civis e federais.

Relatório do Ministério Público Federal aponta que o grupo comandado por Cachoeira, entregou telefones antigrampos para políticos. O objetivo, diz o Ministério Público, seria dificultar eventuais investigações.

Um dos políticos é o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o mais íntimo amigo de Cachoeira e que já admitiu ter recebido o aparelho. Outro citado é Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que nega. Cachoeira teria ligações próximas também com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

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