PSB não poderia fazer oposição e ficar no governo Dilma


Pedro do Coutto


A Folha de São Paulo publicou matéria sobre encontro em Brasília, entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula quando os dois discutiram sobre a permanência de dois ministros indicados pelo PSB e o comportamento do governador Eduardo campos que está fazendo oposição ao Planalto e se apresentando como pré-candidato à sucessão de 2014. Dilma Rousseff afirmou-se disposta a substituir Fernando Bezerra da Integração Nacional e José Leônidas Cristino da Secretaria dos Portos. Está correto seu posicionamento, mas Lula pediu que espere um pouco, pois está disposto a convencer Eduardo Campos.

Não sei se conseguirá, mas Rousseff está certa. O partido que integra a administração não pode praticar a dualidade em que se encontrava. Durante o dia era governo, à noite partem para oposição. Tem todo direito a fazer oposição, porém neste caso tem de entregar os cargos que ocupa. Se entrou na equipe de Dilma pela participação administrativa que recebeu, se passou a adotar comportamento oposicionista deve entregar os postos. Não se trata apenas de uma questão de ética, mas também faz parte do jogo próprio do poder.

Dou como exemplo o que aconteceu no governo Jango Goulart, em 1962. A dificuldade que envolveu a posse de Goulart (não fosse a atuação de Leonel Brizola à frente do Rio Grande do Sul, ele não assumiria) fez com que fosse implantado em 61 um governo de coalizão partidária. A UDN participou. Indicou dois ministros e o embaixador junto à ONU. Virgílio Távora nos Transportes, Gabriel Passos em Minas e Energia, Afonso Arinos de Melo Franco na ONU. Isso no primeiro ano do mandato, mas em 62, em julho, a UDN, em convenção nacional, resolveu romper com Jango. Virgílio, Passos e Afonso Arinos entregaram os cargos para as quais haviam sido nomeados.

Jango fez um apelo pessoal a Virgílio Távora para que permanecesse. Estava na sala de Virgílio quando o presidente telefonou. Távora respondeu que não poderia assumir tal atitude. “Sou um homem de partido, apesar de nossa amizade pessoal”. Sinal dos tempos que passaram.

Há muita diferença entre o ontem e o hoje. A mesma Folha de São Paulo de sábado publica reportagem de Estelita Carrazai sobre o escândalo – mais um – que explodiu no Ministério do Trabalho. Foram demitidos titulares de cargos de confiança, mas o ministro Manoel Dias permanecia surpreendentemente. Chegou a dizer que em todos os ministérios existem irregularidades, como s corrupção pudesse ser encarada como uma rotina. Foram passados milhões de reais a diversas ONGS que emitiram recibos à base de notas frias. Manoel Dias – acentua a FSP – afirmou que muitos convênios foram cancelados e outros vão sofrer auditorias. Como? Auditorias em consequência das denuncias da imprensa? E quem devolve o dinheiro roubado? Mas esta é outra questão.

ONGS CRIMINOSAS
O fato é que, por essas e outras, proliferam ONGS pelo país afora em praticamente todos os setores da administração pública federal, estadual e municipal. Claro. Engolem verbas e mais verbas e, salvo exceções, não produzem nada positivo. Nem poderiam. O seu nome Organização Não Governamental traz consigo uma contradição insuperável: como é possível que organizações não governamentais possam resolver problemas governamentais? Não existe saída para esse dilema. Os governos terminam repassando recursos financeiros para que entidades privadas realizem aquilo que eles deveriam realizar. Caso da Saúde, por exemplo; caso do registro civil; caso da educação profissionalizante, e vai por aí afora.

Enquanto os presidentes da República, governadores e prefeitos mantiverem esse caminho, estarão criando mais condições para que a corrupção e a lavagem de dinheiro estejam sempre presentes na vida nacional. Os governos possuem campos de atuação nos quais se tornam insubstituíveis. Substituem-se  a si mesmos, através de ONGS, (inúmeras delas são fantasmas) significa ao mesmo tempo uma renúncia e um desastre. Perda de tempo, dinheiro jogado fora.
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5 thoughts on “PSB não poderia fazer oposição e ficar no governo Dilma

  1. Concordo plenamente, Sr. Pedro. Algo tem de ser feito pelo Congresso contra essa infinidade de ONGs no Brasil.

    Os exemplos de desvio e lavagem de dinheiro são fartos. O que estão esperando?

  2. Essa é uma pesquisa expontanea, se o Eduardo e seu PSB lerem direito, mudam de posição:
    ESPONTÂNEA
    Não sabe 62,88%
    Ninguém 6,26%
    Dilma Rousseff 13,34%
    Lula 6,76%
    Aécio Neves 3,23%
    Marina Silva 2,82%
    José Serra 1,73%
    Joaquim Barbosa 0,75%
    Eduardo Campos 0,73%
    Geraldo Alckmin 0,22%
    Fernando Henrique Cardoso 0,18%
    Outros nomes citados 1,13%

  3. Sr. Pedro, 99% das Ongs, são meios de enriquecer seus donos declarados ou ocultos.
    Ong – …não governamental é piada,o Brasil é o “Paraíso da utopia da honestidade”, tá tudo certo, o Governo para prestar o “serviço” lhe custaria R$1,00, entrega à Ong, paga R$4,00, e a Ong presta um mal serviço ou não presta,e a “prestação de contas econômico-financeira”, de notas frias, etc., se não houver escândalo sobre o serviço contratado, e prestação de contas, vai tudo para as “Calendas gregas…”.
    Se o Brasil fosse sério, uma “auditoria em todos os sentidos” teria que construir muitas penitenciarias,mas…conforme disse De Gaulle, o País não é serio, o que é lamentável, pois o “Zé e Maria bagaço, vivem no pão e circo e me engana que eu gosto.

  4. Acontecerá o seguinte.

    O PSB dará uma de valente, independente, etc, mas ao notar, QUE POR EXEMPLO, seu candidato não tem cacife para enfrentar uma eleição, volta correndo para os braços do poder, como sempre.

    Mamar faz bem a esses caras, engorda(seus bolsos) e faz crescer(a sua ganância).

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