PSDB começa a punir as “traições” cometidas por tucanos paulistas contra Alckmin

Alckmin luta contra “fogo amigo” dentro d0 próprio partido

Silvia Amorim
O Globo

O PSDB começou uma caça a políticos filiados ao partido que estão declarando voto a adversários de Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição presidencial em São Paulo. A primeira suspensão foi aplicada nesta segunda-feira a um vereador do interior do estado que, durante visita de Jair Bolsonaro (PSL) na semana passada, afirmou que faria um voto “Bolsodoria” — Bolsonaro para presidente e para governador do candidato do PSDB, João Doria.

Ao vereador eleito por Presidente Prudente, Mauro Neves, que é tenente da Polícia Militar, o PSDB paulista enviou uma carta nesta segunda-feira dando prazo de cinco dias para que ele apresente sua defesa ou uma retratação. Desde então, o tucano está com a filiação suspensa. O Globo revelou em junho o fenômeno do voto “Bolsodoria” em São Paulo, e os efeitos dele para a candidatura de Alckmin.

Na quarta-feira passada, o vereador Neves disse que a simpatia dele por Bolsonaro não era novidade para as lideranças locais, e que ele não temia ser punido.

— Nunca escondi e, se acharem que devem me punir por isso, não terei o que fazer — afirmou o tucano ao jornal “O Estado de S.Paulo”.

Ao Globoo vereador informou, por meio de sua assessoria, que não havia recebido até hoje a carta do PSDB. E não se manifestou sobre a suspensão da filiação.

O estatuto do PSDB prevê três tipos de punição para casos de infidelidade partidária: advertência, suspensão e expulsão. Um dirigente do partido em São Paulo explicou que, se não houver retratação por parte dos que declararem voto em adversários do PSDB, seja na eleição paulista ou nacional, a expulsão será a medida a ser adotada. Por enquanto, esse é o único caso de infidelidade a Alckmin que está sendo analisado pelo PSDB em todo o país.

O prefeito de Glicério, Ido Gaúcho (PSDB), também recebeu Bolsonaro na semana passada com festa na praça principal da cidade e classificou o deputado como um “candidato diferenciado.” Na avaliação de dirigentes do PSDB, ele não declarou voto, portanto, não foi advertido.

O PSDB paulista tem mais quatro processos disciplinares abertos nesta eleição por traições à campanha de Doria. Nestes casos, os tucanos declararam apoio ao atual governador e candidato à reeleição Marcio França (PSB). São eles: o prefeito de Fartura, Hamilton Cesar Bortotti; o prefeito de Penápolis, Célio de Oliveira; o prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão; e o ex-prefeito de Limeira, Pedro Kuhl.

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