PSL reage à desfiliação de Bolsonaro, articula para expulsar Eduardo e destitui diretórios do RJ e de SP

Grupo ameaçado de expulsão se  diz vítima do “autoritarismo”

Renato Onofre
Rafael Moares Moura
Estadão

Em reação à desfiliação do presidente Jair Bolsonaro e ao anúncio de criação de um novo partido, a cúpula do PSL vai analisar, no próximo dia 26, cinco pedidos de expulsão do deputado Eduardo Bolsonaro (SP) por infidelidade partidária.

Dirigentes ligados ao presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), avaliam que “há elementos suficientes” para que o filho de Bolsonaro perca o mandato parlamentar. Eduardo pode ser o primeiro de uma lista de deputados que devem ser punidos por terem ficado ao lado de Bolsonaro na disputa pelo comando do PSL.

ALIANÇA – Na última terça-feira, dia 12, em reunião com um grupo de parlamentares no Palácio do Planalto, Bolsonaro anunciou que ele e o senador Flávio Bolsonaro (RJ) deixariam o partido para fundar uma nova sigla, batizada de Aliança pelo Brasil.

O PSL destituiu nesta terça-feira os diretórios do Rio e de São Paulo e afastou Flávio e Eduardo do comando do partido no Estados. Uma série de medidas ainda serão tomadas para afastar a influência de Bolsonaro e sua família da legenda. O partido ainda vai tirar Eduardo da liderança da bancada na Câmara.

SEM RISCO – Bolsonaro e Flávio podem sair da legenda sem risco de perder o mandato, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou entendimento, em 2015, segundo o qual a regra de fidelidade partidária só vale para cargos proporcionais, como vereadores e deputados.

“Eduardo é quem tem mais elementos para ser expulso do partido. Na próxima semana, o PSL se reúne para definir o futuro dele e de outros deputados que foram denunciados no Conselho de Ética”, afirmou Júnior Bozzella (PSL-SP), do grupo de Bivar.

ACORDO – Em agosto, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) foi expulso do PSL após criticar Bolsonaro, mas o partido não reivindicou na Justiça o seu mandato. No acordo para que a punição não fosse tão drástica, o PSL também levou em conta o fato de que Frota se absteve no segundo turno de votação da reforma da Previdência.

Dois integrantes do Conselho de Ética do PSL ouvidos pelo Estado disseram que o caso de Eduardo não pode ser comparado ao de Frota, que, na visão deles, não foi “infiel” à legenda. Para os bivaristas, Eduardo “tramou” contra Bivar para destituí-lo do comando do PSL, pôs em xeque a prestação de contas do partido e incentivou a desfiliação ao anunciar a intenção de criar a Aliança pelo Brasil.

ATOR DA TRAMA – A avaliação é a de que esses motivos seriam suficientes para o partido afastar Eduardo por infidelidade partidária e retomar o mandato. “Eduardo é um dos principais atores dessa trama. É uma das situações mais graves para o Conselho de Ética avaliar”, afirmou o senador Major Olimpio (PSL-SP).

“Quem quiser sair que saia, mas o mandato é do partido. Não tem conversa”, disse a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), destituída em outubro por Bolsonaro da liderança do governo no Congresso. A interlocutores, Eduardo tem dito que sua expulsão seria “a prova” de que sofre perseguição política no partido.

JUSTIFICATIVA – Essa é a justificativa que ele e outros deputados pretendem apresentar para conseguir, na Justiça, manter os mandatos. A defesa do deputado vai argumentar que ele não cometeu infração ética, mas apenas externou críticas à alegada falta de transparência da legenda.

A legislação considera justa a saída do partido em apenas duas situações: mudança substancial ou “desvio reiterado do programa partidário” e grave discriminação política pessoal. Uma outra possibilidade para a troca de sigla ocorre na janela partidária – período de 30 dias que ocorre sete meses antes de uma eleição.

MIGRAÇÃO – Dos 53 deputados do PSL, 27 anunciaram que pretendem acompanhar Bolsonaro. Mas, ao contrário do presidente, que deve ficar sem partido até a Aliança pelo Brasil sair do papel, os bolsonaristas precisam permanecer no PSL e migrar apenas quando a nova sigla for aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Se anteciparem a saída, correm o risco de perder o mandato. A equipe jurídica de Bolsonaro busca uma forma de permitir que a nova legenda fique com parte do Fundo Partidário destinado ao PSL.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Quem acompanha as publicações diárias desta TI, independentemente de suas convicções políticas, ao analisar racionalmente o andar da carruagem dentro do PSL nas últimas semanas, pode ver claramente a disputa pelo poder que gerou uma grande crise interna, troca de acusações e manobras para o controle do fundo partidário da legenda. Bolsonaro ameaçou parlamentares para conquistar a liderança para Eduardo, o ex-quase embaixador; romances foram desfeitos entre partidários e as “armas dos dedinhos” voltaram-se umas contra as outras. Ninguém sabia mais quem era o líder do cabaré, Jair ou Bivar. O primeiro bateu em retirada, após todas as articulações possíveis. E quem ainda está com um pé lá e outro cá, os ameaçados de expulsão do PSL, agora choram pelos cantos, dizendo serem alvos de “indubitável e desarrazoada perseguição” dentro do partido. E não para por aí. Alegam sofrer represália por terem se revoltado contra o “autoritarismo”  e em favor da democracia e da transparência intrapartidária. Uma coisa é tentar preservar o mandato e de quebra ainda levar alguma vantagem. Mas se fazer de vítima e brincar com a inteligência alheia é raso demais. Esse pessoal tem grande chance de ganhar o troféu “Piada do Ano” da TI. (Marcelo Copelli)

6 thoughts on “PSL reage à desfiliação de Bolsonaro, articula para expulsar Eduardo e destitui diretórios do RJ e de SP

  1. Cadê o depoimento da vaca amarela???????

    O panelaço aguarda!

    Ou roubaram ela, com a panela o cocô e tudo mais???

    Uni duni tê
    Os salamês minguês trampanaros deram um jeito de calar a cousa????

  2. Aos novos NEOPATOS da nova direita mofada:

    A tradição ensina, PARMITO bão é aquele que se embrulha no papel aluminio, cava um buraco na areia, enterra o parmito já salgado, cobre com areia e coloca por cima toda a brasa da fogueira.

    Quando ele derreter, está pronto.

    Mais alguma dica pra nao termos que lembrar da existencia desse clã vbozolado de merda por um dia mais que seja?

    PS: vai bem servido com moluscos, pode ser uma mariscada…

  3. Deu na IstoÉ que o depoimento da Joice estava marcado pra esta semana, e até agora nada!

    Outro veículo de comunicação mencionou que, havendo depoimento da Joice, a coisa vai tombar pro lado da cassação do presidente….

    Silencio total….

    ALÔ BRASILIA ! NENHUM MORRINHO POR AÍ???
    PROCUREM LÁ, RESTOS DE PNEUS QUEIMADOS E A PRESUNTA….

  4. O único que presta é o Bivar, os Bolsonaros não valem nada, vivem choramingando no breu das tocas.
    Viva Bivar, o editor, e os comentaristas açougueiros.
    Viva Frota, viva Joyce, e um viva final, viva a suruba!
    Mais um pouquinho de viva, viva o Carniça!

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