PT agora induz Dilma ao sonho delirante de convocar eleição presidencial

No desespero, Lula pede que Dilma tente convocar nova eleição

Júnia Gama, Leticia Fernandes e Cristiane Jungblut
O Globo

Com a probabilidade cada vez maior de o afastamento da presidente Dilma Rousseff ser aprovado no Senado nas próximas duas semanas, a tese de convocação de novas eleições vem crescendo no Palácio do Planalto. O discurso que está sendo construído é de que a ofensiva seria um “contragolpe” ao impeachment e, portanto, teria mais legitimidade que a mera substituição de Dilma pelo seu vice, Michel Temer. A ideia também seria um trunfo para negociar a absolvição final de Dilma no Senado, desde que ela assumisse o compromisso de deixar o cargo para que ocorresse uma nova eleição.

Na quarta-feira, o assunto foi tema de conversa entre Dilma, seu chefe de gabinete, Jaques Wagner, e o ex-presidente Lula, em almoço no Palácio da Alvorada. Segundo relatos, Jaques Wagner já está convencido de que esta seria a melhor alternativa para o PT e o governo neste momento. O presidente Lula ainda estaria analisando a proposta e Dilma já estaria inclinada a considerar algo que, até dias atrás, nem sequer cogitava.

A ÚLTIMA TENTATIVA

Além de Wagner, ministros e auxiliares próximos à presidente, como Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Carlos Gabas (Secretaria da Previdência) trabalham pela tese de novas eleições. No caso de Berzoini, há ainda dúvidas sobre a forma como isto se daria. O ministro analisa se o melhor seria enviar ao Congresso uma proposta de plebiscito ou apoiar, desde já, uma Proposta de Emenda à Constituição convocando novas eleições. Para Gabas, não há dúvidas de que uma nova eleição seria a melhor saída para o PT:

— Uma nova eleição é a melhor alternativa neste momento. É o contragolpe, um discurso à militância e às bases sociais para oferecer um amanhã — disse a interlocutores.

Gabas defende que a medida seria um caminho para trazer o ex-presidente Lula de volta e, assim, assegurar a sobrevivência do PT. Há em discussão uma proposta de, nesta nova eleição, o mandato ser de seis anos, sem reeleição.

EM BUSCA DE VOTOS

As negociações de interlocutores do governo com senadores se dão no sentido de assegurar alguns dos 28 votos necessários para evitar a condenação de Dilma no Senado, quando a Casa analisar o mérito do processo, após o eventual afastamento, em até 180 dias.

Segundo auxiliares da presidente, ao menos três senadores já teriam assumido o compromisso de votar contra o impeachment nesta última etapa caso Dilma “faça um gesto” e encampe o discurso das novas eleições, o que implicaria abrir mão do restante de seu mandato. O consenso no Planalto é que uma decisão sobre o tema deve ser tomada até a próxima semana, antes, portanto, do Senado apreciar o afastamento de Dilma.

Apesar de não haver consenso, o governistas já tratam a convocação de novas eleições como uma possibilidade concreta que estaria “bem encaminhada”.

APOIO DO CONGRESSO

Um interlocutor do governo disse que a presidente Dilma Rousseff até “está convencida”, mas ainda avalia o “momento exato” de defender a proposta, que requer apoio político substancial do Congresso. Um dos problemas seria construir apoios para aguentar as críticas que virão do PMDB do vice Michel Temer, beneficiário direto do afastamento da presidente.

Líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-CE) admitiu que não será fácil construir consenso pela proposta de novas eleições.

— Tem que se criar viabilidade política, o que não é uma tarefa simples — disse o senador.

SENADORES AGEM

Há no Senado um movimento para viabilizar a proposta. Na quarta-feira, um grupo de senadores que defende eleição direta em outubro se reuniu com Lula, e, nesta quinta, estará com a presidente Dilma. O grupo ainda se encontrou com Marina Silva, da Rede, e marcou reunião com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Os senadores apresentaram uma PEC instituindo para 2 de outubro a data para a eleição presidencial.

Depois de um encontro com Michel Temer na quarta, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), praticamente descartou a viabilidade da PEC propondo novas eleições presidenciais. Renan disse que essa ideia é “meio inatingível”, lembrando que são necessários 3/5 dos votos (308 votos na Câmara e 49 votos no Senado), em duas votações, para a aprovação de uma PEC.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É apenas mais uma desesperada tentativa de embromar o Congresso, conseguir mais sete votos para Dilma e manter o PT no governo. Renan já avisou que não há condições. Mesmo assim, Lula e o PT vendem esse peixe a Dilma, e ela acredita que existe possibilidade. A situação é patética. (C.N.)

15 thoughts on “PT agora induz Dilma ao sonho delirante de convocar eleição presidencial

  1. Esse apego do PT ao poder é para defender os empregos com altos salários da companheirada, e a subvenção dada aos movimentos sociais, com dinheiro dos nossos impostos. Farão o impossível para não desgrudarem das tetas do governo.
    Querer novas eleições é tentativa de golpe, é querer mudar a regra do jogo no meio da partida, indo contra a constituição e as leis. vigentes, diferentemente do impeachment.

  2. O ministro quarto de hotel fez a um papel ridículo ao pedir o afastamento de Procurador da Lava Jato , que teve a ” ousadia ” de investiga-lo. Mas como o Circus Petralis não pode parar , trouxeram um Nobel da Paz para falar em golpe e falar com o MTST que está com o movimento ” Brasil em Chamas… Bela paz !!!

  3. Dilma não entrou nessa, foi pressionada mas não concordou. Já foi publicado na Internet. Se malucamente partir para esse caminho é a desmoralização total. Não pode é inconstitucional.

  4. O Dr Lula ainda não entendeu!
    Como madame vai chamar novas eleições?
    Com qual argumento?
    No momento que renunciar já era!
    Se a comissão da Câmara aprovar, também!
    Neste momento, Inês é morta!

  5. O PT precisa urgentemente realizar uma seção de lavagem de roupa suja. Enquadrar o lula a explicar
    de onde tirou a ideia delirante de por a Dilma “no trono”.
    Explicar em minúcias, o mensalão e petrolão, alem da compra da refinaria americana e outras coisitas
    mais.
    O PT, ainda não sucumbiu por completo e se como uma FÊNIX, desejar ressurgir da lama
    em que se meteu, tem que começar pela expulsão do “cumpanhêro mor”.

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