Putin impede candidatura de Medvedev e já se prepara para voltar à presidência na Rússia. Lula pode fazer o mesmo com Dilma.

Carlos Newton

A democracia russa é muito estranha e tem semelhanças com a Venezuela e até mesmo com o Brasil. Na Rússia, Vladimir Putin se tornou uma espécie de Hugo Chávez em versão moscovita, embora nem necessite de plebiscitos para se manter no poder. Seja na presidência ou como primeiro-ministro, ele é o verdadeiro governante do país, e não há possibilidade de tirá-lo do poder.

Atualmente, Putin se apresenta na condição de primeiro-ministro, mas já se prepara para voltar à Presidência. No sábado, ele recebeu a indicação de seu partido para disputar o cargo nas próximas eleições, em 2012. A convenção do partido Rússia Unida (RU) também aprovou sua proposta de que o atual presidente, Dmitri Medvedev, encabece a lista da legenda nas eleições parlamentares de dezembro, para ocupar o cargo de primeiro-ministro, fazendo um troca-troca com ele.

Premier desde 2008, depois de ser presidente por oito anos, Putin manteve grande influência sobre a atuação de Medvedev, visto por alguns apenas como marionete. Muitos russos veem em Putin, ex-diretor da KGB, o homem forte necessário para lidar com problemas do país, como a corrupção, a insurgência islâmica e a desigualdade econômica.

Na verdade, o atual presidente Medvedev é uma espécie de Dilma Rousseff de terno e gravata. Pela Constituição, teria direito a disputar mais um mandato, mas isso simplesmente não acontecerá. Seus assessores ficaram desapontados com a decisão do partido de não dar a ele a chance de concorrer a um segundo mandato. No entanto, a convenção do partido aprovou o troca-troca sem oposição aparente. A indicação de Medvedev foi sugerida por Putin, que depois foi indicado pelo aliado para disputar a Presidência. No Brasil, Lula pode fazer o mesmo em relação a Dilma Rousseff em 2014, para voltar logo ao poder.

Mudanças constitucionais que estenderam o mandato presidencial de quatro para seis anos começam a vigorar em 2012. Isso significa que, caso seja eleito para novos dois mandatos, Putin poderá ficar no poder até 2024. Somado, seu período no poder chegaria a 24 anos, ao final do segundo período como presidente, contados os atuais quatro anos como primeiro-ministro onipotente..

A disputa presidencial, prevista para 4 de março, será precedida pela eleição parlamentar, em 4 de dezembro, quando o partido dos dois líderes tentará manter o controle do Parlamento, onde atualmente tem 312 dos 450 assentos. Ou seja, é hegemônico e elege quem Putin quiser. Na verdade, Putin é pior do que o Rasputin.

 

 

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