Qual candidato fará menos mal aos norte-americanos: Obama ou Romney??

Sandra Starling

Agora, não há como esconder: Mitt Romney quer governar para os que “pagam impostos” e não para os que, para sobreviver, dependem dos impostos arrecadados. Sua visão de democracia tem, na verdade, outro nome: plutocracia, isto é, o governo do dinheiro. A divulgação de um vídeo sobre seu pronunciamento, na Flórida, frente a uma plateia de abonados doadores de campanha, apagou qualquer dúvida sobre a quem quer servir. Obviamente, aos ricaços que enchem as burras do Partido Republicano.

O “programa” do candidato dos milionários norte-americanos é simples: redução das despesas sociais e corte no imposto de renda (dos mais afortunados, evidentemente). É o chamado darwinismo social explícito. Apenas para registrar: o candidato à vice-Presidência na chapa de Romney, Paul Ryan, já anunciou que, se ganharem, elevarão os gastos militares dos Estados Unidos, na contramão das solicitações do próprio Pentágono. De fato, o poderoso complexo industrial-militar, favorável ao belicismo de Romney, não pode sobreviver sem as encomendas do Estado.

Romney se recusa a divulgar quanto tem em ativos financeiros no paraíso fiscal das ilhas Cayman. Mas sua declaração de renda nos oferece uma amostra muito clara do seu estilo de vida e dos seus propósitos. Em 2011 Romney recolheu US$ 1,94 milhão, o que equivale a 14% dos seus rendimentos no ano: US$ 13,7 milhões. Para que se tenha uma comparação, Obama recolheu US$ 157 mil, correspondentes a uma renda de US$ 789 mil. Vale dizer, a alíquota aplicável, nesse caso, foi de 20%, bem acima daquela imposta ao plutocrático desafiante do presidente em exercício.

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RETRATO VIVO

Romney é o retrato vivo daquilo que é trivial na grande burguesia, conforme confessou Warren Buffet, o segundo mais rico dos EUA: os donos dos negócios pagam menos Imposto de Renda que suas secretárias. E eles ainda querem pagar menos! Os pobres que se lixem.

Se levarmos em conta os recentes dados da revista “Forbes”, segundo os quais os ricaços norte-americanos elevaram seu patrimônio, em 2011, em cerca de 13%, enquanto a economia cresceu aproximadamente, no mesmo período, 4%, dá para sentir o que esse pessoal pensa a respeito de concentração de renda, e qual dos candidatos essa turma está disposta a apoiar.

Mas é preciso ter em mente que, por mais que odeiem “a burocracia”, os burgueses sabem muito bem que o capitalismo não se sustenta sem a proteção do poder público, que garante o curso da moeda nas transações mercantis (para que o lucro se realize); que sempre socorrerá o sistema bancário, como no “bail-out” de 2008, para evitar o “risco sistêmico”; que impulsionará a máquina de guerra, quando se tratar de assegurar mercados e suprimentos às empresas do grande império. E que, em última instância, assegura-lhes o direito de propriedade. Por isso se empenham em capturá-lo, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

Os norte-americanos estão agora obrigados a votar, como diz meu neto, naquele que fará “o menor estrago”.

(Transcrito do jornal O Tempo)

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