Quando a arte se oculta por trás de um beijo de duas idosas…

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Fernanda Montenegro e Natalia Timberg repetem o beijo

Luiz Fernando Stamile Racco

Qual a importância – para o “bem” ou para o “mal” – que o tal beijo das duas idosas tem, para fins de dramaturgia, cultura, artes e coisas do gênero? Nenhuma. Os meios de comunicação em massa só se preocupam com a “polêmica” (ô palavrinha insuportável!) que a cena causa e, claro, com a audiência, que gera propaganda e anunciantes, que vendem desde produtos de limpeza para fogão, até carros luxuosos.

Uma vez disse o Alberto Dines: “Criam-se novas necessidades; esquecem-se das eternas exigências”. Se ambas se beijaram, para mim tanto faz. Apenas vejo uma fase de pobreza criativa, que vem dando lugar a cenas desnecessárias, tolas e inúteis, em detrimento da verdadeira arte – aludo a todas: literatura, escultura, dança, teatro, pintura, música e, considerando-a como a sétima, o cinema.

Deixaram a verdadeira arte no sótão e liberaram para exibição as traças que lá se encontravam. Querem mostrar duas senhoras se beijando? Se chupando (com ruídos!)? Se comendo com cenas de nitidez ginecológica? Muito bom. Pulitzer, o inventor da imprensa marrom, há mais de 100 anos, aprovaria e editaria um número extra de páginas amarelas, para comentar sobre o assunto.

EXIBAM AS ARTES!

Pelo menos, tirem as artes que estão guardadas naquele sótão e as exibam com entusiasmo.

E entre um beijo falseado sob o manto fajuto da “dramaturgia” e a boa e sacana pornografia, fico com a última. É mais honesta e interessante. Mas, por favor, sem Natália nem Fernanda. Tenham dó!

Ah, e quanto à política ou moral cristã (hoje, no Brasil, são a mesma coisa)… às favas! Ambas me causam repugnância. PT, PSDB, PMDB, PDT, PQP ou qualquer “P” são sopa indigesta de letrinhas. Só.

30 thoughts on “Quando a arte se oculta por trás de um beijo de duas idosas…

  1. A ideia é criar uma polêmica para desviar a atenção do publico das mazelas do Executivo, Legislativo e Justiça.

    A GLOBO deveriam ter e muitos de seus artistas deveria participar do “Programa Tudo Por Dinheiro” ou “Por Dinheiro Vale Tudo.” Programas estes onde o normal é o anormal.

    Como a audiência do BBB esta despencando eles estão apelando para tudo.

    Tem artista da Globo que adora meter a mão na merda.

  2. A TV brasileira sempre foi a divulgadora de um comportamento de nossa sociedade que se pode afirmar deturpada, problematizada, desnorteada pela ausência de princípios e valores morais.
    Dá audiência!
    Traições entre marido e esposa, amantes, planos maquiavélicos, vinganças, abandonos, falta de escrúpulo, sempre foram os ingredientes para uma novela de sucesso, e não se muda mais a fórmula porque é exatamente o que o povo quer assistir, pois se trata de uma espécie de catarse nacional, cujos defeitos de corações e mentes, que todos nós temos, não existissem apenas na ficção, mas no cotidiano do povo, pois a maioria das pessoas ou é má ou deixa a desejar!
    Desta forma, aquilo que escandalizaria nas ruas, o famoso beijo entre as duas veteranas e excelentes atrizes, dentro de casa não causaria tanto espanto, haja vista que as novelas são assistidas pelas famílias, homens, mulheres, idosos, crianças, que compõem não somente o público alvo, mas também o coloca como participante, que deixa de lado o jantar, de conversar com as pessoas, de criar um ambiente legitimamente familiar para ver as cenas mais quentes de uma novela, haja vista a participação do povo na trama mediante comentários e palpites dia seguinte, seja no trabalho, com as vizinhas, nas escolas, em vários lugares.
    Concordo com as palavras do comentarista sobre a falsa moral cristã, se levarmos em consideração o verdadeiro ambiente familiar.
    Marido que bate na esposa, que chega bêbado, que tem amantes, filhos com outras mulheres, que não serve de exemplo para ninguém, quando não sai de relacionamentos variados deixando filhos com cada mulher que teve.
    As mulheres, que tanto admiro, não ficam muito para trás, vamos ser sinceros.
    Há uma atração irresistível que elas sentem por crápulas, indecentes, marginais, bandidos, e se deixam bater, machucar, humilhar, porque imaginam que merecem o castigo, pois não trabalham, são apenas “domésticas” ou porque não os satisfazem.
    Não há filho que, testemunhando os horrores de uma família mal constituída, que não terá sequelas no futuro, que se tornará um agressor ou agredido ou terá o mesmo comportamento desvirtuado do pai e da mãe ou, até pior.
    Desta forma, o beijo entre duas senhoras de idade deveria ser entendido mais como carinho que escandalizar uma substancial parcela de uma sociedade cínica e hipócrita, que comete muitos mais escândalos diurnos e noturnos que o ósculo entre Natália e Fernanda, que, se meio fora de tempo, pelo menos representa sentimentos de afeição, e não de rejeição ou ódio, que nos têm impulsionado a vida ultimamente!
    Indiscutivelmente, os gays estão ocupando espaços antes impensáveis e inimagináveis na TV, quanto mais se beijando (já tivemos homem com homem e agora mulher com mulher).
    Pois acho que os heterossexuais deveriam fazer o mesmo, no lugar de criticar o amor, o sexo entre pessoas do mesmo gênero, e pensarem menos em patifaria, corrupção, desonestidade, serem de fato provedores, não abandonar suas famílias por um novo rabo-de-saia e, as mulheres, se conscientizarem mais dos seus papéis como tal, e não porque devem lutar com os homens em busca de espaço na sociedade, mas em busca de suas próprias posições, chanceladas pela feminilidade, sensualidade, maternidade, e um pouco mais de recato, pois está dando muito mole para trastes, cafajestes, homens que não valem nada!
    Lá pelas tantas, acho que os heterossexuais chegaram à conclusão que estão sem graça, justamente pela falta de carinho, de amor, enquanto olham no beijo homossexual o afeto que não sentem há tempos, e esta visão os incomoda, perturba-os, não pela audácia, pela afronta, mas pela coragem de duas pessoas confessarem que se amam!
    É pura inveja esta reclamação, pois advinda de quem não sabe amar e se dar para o seu amor o beijo que a novela mostrou entre duas octogenárias, dois seres humanos, duas pessoas que preferem o afeto e não a separação, o ódio, a repulsa, a vingança, cardápio favorito do macho e da fêmea ultimamente, tanto do PT quanto do PSDB!

  3. Senhores,

    Posso está errado, mais tive a impressão que a polêmica toda não foi por causa do beijo ter acontecido entre duas mulheres. Foi por causa do beijo ter acontecido entre duas idosas!

    O PROBLEMA NÃO FOI RELATIVO AO SEXO, MAS RELATIVO À IDADE!

    Algumas pessoas agem como “fiscais do politicamente correto” e não admitem que as pessoas com mais de 50 anos, principalmente se for mulher, ainda saiam de casa para se divertir à noite ou que tenham vida afetiva ativa. Quando estas saem para algum lugar que não seja um restaurante ou uma igreja, são ridicularizadas pelos presentes, apontadas como “velhas que querem ser jovens”, escanteadas e viram motivo de olhares.
    Quando se trata de homem que tem dinheiro, ainda é admitida a sua presença. Agora, quando se trata de mulher, essas pessoas pegam pesado – principalmente as outras mulheres.

    Já ouvi várias vezes que “certo lugar” não presta porque “só tem velho”. Já vi roqueiros sendo ridicularizados simplesmente porque, apesar de idosos, mantinham o mesmo gosto pelo rock que tinham quando eram jovens e ainda gostavam de dançar esse ritmo e viver a vida com alegria.

    De acordo com essas pessoas, fiscais do politicamente correto, as vovós e os vovôs devem encerrar a vida afetiva (nem entro no mérito da vida sexual), ficar em casa fazendo tricô ou assistindo novela e esperar a morte chegar. E esse tipo de aceitação acaba fazendo com que eles, realmente, fiquem trancados em casa, ouvindo a sua música e o seu ritmo favorito, ante o “deslocamento” a que são submetidos em certos lugares que gostariam de ir, curtindo uma espécie de MORTE ANTECIPADA.

    Se o BEIJO em questão tivesse acontecido entre DUAS MULHERES JOVENS e voluptuosas, ao invés de ter causado polêmica, teria causado excitação. Nessas mesmas pessoas que as criticaram.

    Abraços.

    • Caro Francisco:

      É indiferente o fato de serem duas idosas ou nem tanto. Imaginemos a Carolina Dieckmann e a Angelina Jolie trocando uns chupões. Só estou em busca da arte perdida. Ou, no extremo do aduzido, de uma pornografia bem conduzida, que, lado outro, nada tem de “artístico”.

      Abraços!

  4. A verdade é que, cada um a seu modo, todos os comentários e mais o texto principal estão corretos. Se fossem duas gatinhas, o que a gente vê toda hora, teria nego doido só de imaginar um à trois. Falassério!

  5. Concordo. Tanto no PSDB quanto no PT. E, outros mais.
    Me lembrei dos filmes mexicanos, os dramalhões da Pelmex,
    dos anos 50. Tudo bem, até que tinha alguma arte e qualidade.
    Mas, era a época. Anos 50. Sei lá, sei lá.
    Mas hoje ??? E o tal de BBB ? Bom para se ver, COM A TELEVISÃO DESLIGADA.
    Mais uma vez, lembrando o Juca Chaves, em uma de suas sátiras musicais:

    ”Que dramalhão, reunião de deputados. É palavrão que só sai pra todos os lados.
    se um deputado abre a boca, é um atentado; e a mãe de alguém , é quem sofre toda vez, porém no fim do mês, R$ 120.000,00 de ordenado !

  6. O politicamente correto surgiu há pouco, não é coisa de muito longe não. O politicamente correto cria o preconceito, a vítima e o preconceituoso. O que se discute não é o beijo entre pessoas do mesmo sexo, não é a fato de se tratar de duas senhoras, nada disso, afinal quem não tem um parente homossexual? O que causa repugnância é a afronta com que é feita a divulgação, é o marketing totalitário, o que indigna é a forma como são desafiadas as pessoas que não gostam deste tipo de cena, o que indigna é que a televisão cria desnecessariamente uma briga, insulta as pessoas desnecessariamente… O que mexe com as pessoas é a forma como tem sido veiculado. Veicula-se como se fosse a coisa mais normal do mundo, como se sempre tivesse sido assim, o que não é verdade. No horário da tarde estar se retransmitindo o sucesso Rei do Gado. Pergunto: ver se naquela ótima obra teledramatúrgica este tipo de cena? As pessoas de 20 anos eram mais preconceituosas ou mais más ou mais boas que as de hoje? Nada disso.

    Dizem que a sociedade brasileira não tem moral pra reclamar de nada. Mas a sociedade em si é um superser simbólico que não é especificamente nem eu nem você. É fácil criar um monstro comportamental intitulando o de “a sociedade é assim” e a partir daí criar um padrão adequado a seja lá quem for, de modo a que INDIVÍDUOS se sintam-se excluídos caso tenha seus valores de uma vida inteira coincidentes com o monstro criado por interesses sei lá quais. Reclamar da moral cristã só denuncia um conhecimento supérfluo do que é ser cristão. É melhor rever as próprias premissas.

    O beijo entre pessoas do mesmo sexo é feio? Eu não tenho nada a ver com isso… O marketing gay é danoso? Sem dúvida. As atrizes são culpadas? Não. São heróis? De quê? Ator é só isso: ator. Nada mais que isso. Ator não significa intelectual. Escritor de novela não é obrigatoriamente um Shakespeare da vida. Até por que Shakespeare escrevia pra pessoas bem mais cultas. E o público dos noveleiros brasileiros são pessoas de baixo nível de instrução, nem vou dizer sem exceções…

    Agora virou moda rotular as pessoas de preconceituosas, de homofóbicas… Coisa dos últimos cinco anos. A velha história: crio farisaicamente um monstro chamado sociedade, e obrigo os indivíduos a mudarem tudo que pensam. Isso tem outros nomes: totalitarismo, ditadura do politicamente correto…

  7. É lamentável q uma atriz de tal porte q era admirada pelo Brasil e q se recusou a aceitar a academia de letras no passado talvez até por uma questão de disciplina ou pela sua personalidade nobre , veio aceitar o vergonhoso papel q a poderosa lhe ofereceu seria por dinheiro? q fortuna valeria a pena no fim de sua carreira trazer p dentro de nossos lares tamanha essa infâmia tão imprudente vc. nunca teve família? se ñ bastasse o porco vergonhoso Agnaldo silva bosta.

  8. 1) Lembrei do Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, afirmava que “A melhor coisa na TV brasileira é o botão de desligar”.

    2) Os defensores das novelas – e neste caso eles tem razão – dizem que imoral é a fome; indecente são as filas nos hospitais públicos; absurdo é a corrupção e os corruptores; inadmissível são os transportes coletivos caros e ineficientes.

    3) O deputado pastor Feliciano recomendou um boicote às empresas que anunciam nos horários das telenovelas: não comprar os produtos que anunciam; não revender; avisar de boca a ouvido fazendo uma corrente de boicote… (mas isto as grandes mídias não divulgaram; li na mídia evangélica).

    4) Vamos nos desapegar das TVs. Quem topa ?

  9. Desprezo total, completa e absolutamente esses lixos ” das nove, das sete, das seis, das onze” ou seja lá o horário que tiverem. Deseducam , desinformam, deformam, iludem, mentem, enfim, não guardam a menor relação com Arte e Cultura. Um sujeito qualquer, escrevinhador profissional, cisma com alguma coisa e joga no ventilador_simples assim. Foi-se o tempo em que esse produto teve importância pela qualidade e dignidade de princípios, e no qual se apresentava temas relevantes para a sociedade. Incrível a emissora “quase ex-líder” de audiência deixar ir pro ar qualquer coisa, como se seus telespectadores não passassem disso mesmo_ qualquer coisa.
    Espero que a audiência caia a zero absoluto, e uma revolução cultural comece a despontar na televisão.

    Saudações,

    Carlos Cazé.

    PS: se minha conta de luz dependesse da TV, seria quase zero. Aliás, como a Netflix vem ajudando a derrubar a audiência dessas emissorazinhas ridículas, do Brasil!

    • Caro Carlos,

      A ultima vez que dei alguma audiencia a televisao, estavam procurando o assassino de um tal de Salomao Ayala!
      Agora com a internet e que nao assisto tv mesmo!

  10. Denotei preconceitos no comentário acima ou estou enganado?
    Não há sociedade estática, ela muda com o tempo, aperfeiçoa-se, altera seus padrões, busca novos comportamentos, e tenta manter os pilares básicos éticos e morais, pois estes devem ser imutáveis.
    Mesmo assim, a tolerância, a condescendência, predominam muitas vezes sobre o que se entende de moral, de um tipo de conduta que não choca as demais pessoas, que antes estava de acordo com os padrões conhecidos.
    Mas, as pessoas não são assim.
    Elas não são padronizadas, pois as variáveis que atuam sobre a vida de um cidadão determinam quem ele será na “sociedade”, pois os seus membros podem ser de diferentes grupos étnicos. Também podem pertencer a diferentes níveis ou classes sociais. O que caracteriza a sociedade é a partilha de interesses entre os membros e as preocupação mútuas direcionadas a um objetivo comum.
    Ora, o objetivo de todos é viver bem, aceitar as diferenças e tolerar pensamentos contrários aos seus em nome do bem comum, da paz e harmonia entre grupos que precisam conviver entre si.
    Desta forma, a sociedade é constituída por um mosaico de mentes, costumes e modos, menos determinada pela educação, surpreendentemente ou, até mesmo, pela moral e ética, mas por códigos de comportamento, por leis, que todos devem obedecer, fundamentalmente não matar e roubar, prejudicar o próximo e sonegar impostos.
    Assim, afirmar que as novelas são feitas para gente de pouca instrução não está correto, basta lembrar o final daquelas que tiveram grande sucesso e que pararam o País para que a população assistisse o último capítulo.
    Igualmente a respeito da existência de várias “moral”, seja a cristã, a protestante, a judaica, budista, espírita, que não influem no modo de ser de uma sociedade, a não ser em comunidades, que é diferente.
    A sociedade é um caleidoscópio do ser humano com as suas nuances de caráter e personalidade, honra e demérito, vencedores e perdedores, ricos e pobres, inteligentes e gente de poucas luzes, portanto, se a maioria do povo brasileiro assiste novelas, a sociedade em geral tem o este gosto, e não porque meia dúzia de pessoas viram o rosto de lado para esta diversão.
    Quem não gosta de novelas, que troque o canal ou desligue o aparelho, se entendem que as imagens são agressivas ou que irão prejudicar a moral e bons costumes, mas não se pode negar a realidade, que supera a ficção, conforme eu escrevi no comentário anterior a respeito de falsas “morais” que, no entanto, não impedem um comportamento absolutamente antisocial e predador de gente que se acha com mais cultura que os espectadores dos folhetins televisivos diários.
    Aliás, atualmente, os maiores bandidos no Brasil não assistem novelas, são cultos, possuem educação superior, enquanto que os de pouca instrução ou nenhuma – outro grave descaso do governo com a população, a falta de Educação e Ensino -, assistem em paz a sua novelinha, sem roubar ou matar!
    Agora, a meu ver, a sociedade brasileira não tem mesmo moral para coibir certas atitudes consideradas agressivas à moralidade, pois permite passivamente a falta de moral e ética no governo, que ela quem coloca no poder e tira, se quiser, muito mais fácil que querer mudar o comportamento alheio, então cria as barreiras, alimenta o preconceito cultural, deseja uma sociedade dividida, algo absolutamente impossível.
    Quer a separação? Viva em comunidade, construa a sua com base na moral cristã ou seja lá de que religião ela se coadune ou com gente bonita ou de olhos verdes ou cabelos lisos ou com mais de um metro e oitenta de altura ou magros e elegantes, mas a sociedade é a mescla de todos os cidadãos, onde nela se encontram as indefinições do ser humano, e não as suas preferências ou conveniências.

    • Prezado Francisco:

      Não me faz diferença alguma se Fernanda e Natália se beijaram na boca. O problema que circunda essas tais cenas “polêmicas” (minha diverticulite se torce, quando falo essa palavra, no singular ou no plural) é que elas (as cenas) não têm importância alguma, sob o ponto de vista da dramaturgia e/ou da arte em geral.

      Não vou menoscabar a relevância dessas duas atrizes (nossas maiores, a meu ver), que já se consagraram em todos os palcos do país e do mundo, mas entendo que, como a arte aqui por estas plagas anda escondida e elas são suas portadoras (de estirpe elevada), por outro lado, elas têm que pagar o condomínio, o pão, o arroz… Aí já viu… Beijo na boca, polêmica (cacete, minha diverticulite de novo!), artigo no jornal e nós aqui falando sobre isso! Aliás, a questão política foi até esquecida de tão, desculpe o termo, merda que ela é.

      Outro dado: a TV poderia ser o veículo de divulgação de todas as formas artísticas a que me referi – e que estão guardadas no sótão. E para a maioria de nosso povo é o único meio de que dispõem para adquirir cultura, informações de primeira e por aí vai. Por isso, não é uma questão de tão-somente “desligar a TV”.

      A propósito, eu não vejo novela, reputo-as insuportáveis e representam não a contracultura, mas a anticultura. É isso, Francisco, se vende e se elege (na vertente-matriz, por assim dizer, da prosa), vale tudo. Até suruba hétero…

  11. Particularmente acho as novelas esteticamente horrorosas.
    Usam demasiadamente o close corta-testa, que coloca a imagem gigantesca da pessoa que fala, cortando inclusive sua testa. Isso é um recurso de marketing usado para penetrar com mais força na conversa das pessoas que assistem a TV. Quase sempre jantando e conversando.
    Outra péssima opção estética é a câmera acompanhando incessantemente quem fala. Nos diálogos gera um frenesi de imagens, pulando rapidamente de um personagem para o outro. E sempre em close.
    Isso é outra técnica de marketing tentando manter a atenção. Vejo quem fala, portanto não me perco na trama.
    No cinema muitas vezes a pessoa fala e a imagem da pessoa não é mostrada pois existe a busca da reflexão do espectador. O inconsciente trabalha. O conhecimento acontece.
    Além disso os diálogos não tem pausa entre uma fala e outra. Isso não existe na vida real. As pessoas quando conversam geram sempre uma pequena pausa para a resposta. Nas novelas não. A resposta é imediata, para não se desperdiçar tempo.
    Toda essa enxurrada de marketing agressivo simplesmente é mais uma tática goebelliana de controlar o pensar e embotar o refletir.
    Por isso , para mim, é até irrelevante discutir os temas abordados. São secundários diante da prisão orwelliana e cotidiana que a rede globo nos oferece.

    • Prezado José Augusto Aranha:

      Parabéns pelos irretocáveis e precisos comentos. As TVs adotaram o padrão “1984” (escrito por Orwell em 1948) e “Brazil, o Filme” (o título deste último seria 1984 e 1/2, mas como a obra de Orwell foi lançada nos cinemas antes deste filme de Terry Gilliam, este optou por mudá-lo). Orwell só não imaginou que as pessoas seriam imbecilmente alegres (no livro, são todos tristes e deprimidos) com o domínio exercido pelo monitoramento feito pelo vídeo.

      Abraços!

  12. Caro Vicente:

    Que tal a seguinte ideia: que prossigam os beijos entre quaisquer pessoas na TV, mas que ela retire do sótão todas as demais artes que foram sonegadas à população. Assim, você poderá ver homens se osculando, mulheres também, mas terá acesso à, por exemplo, 5ª Sinfonia de Mahler, regida pelo saudoso Bernstein; ou o balé da Suíte Quebra-Nozes, com o Bolshoi; os lundus e as modas da Chiquinha Gonzaga. E assim por diante.

    Que tal?

    E, por fim, para não nos esquecermos dos partidos, da política e de todo o merdelê que o país arrosta, que tal a despartidarização e o fomento às candidaturas autônomas? Que tal o voto distrital?

    Abraços!

  13. Em nome dessa linda sociedade se fazem revoluções sanguinolentas, em nome dessa sociedade se cobram impostos abusivos para o bem social, em nome da sociedade moldam-se valores, sacrificam valores, em nome do bem da sociedade se aceita discutir absurdos como a ideia do aborto, em nome da sociedade criam-se ideologias da noite pro dia, por de tanto se falar numa sociedade em evolução constante acaba que chegamos onde chegamos, a um tecido social vazio, sem expressão, sem rumo e sem raízes morais em que se apegar, e continuará assim a ser pois é necessário reinventar a sociedade, a sociedade precisa evoluir conforme artigo acima… Em nome da sociedade segregam-se grupos e valores tradicionais em favor de modismos, em nome da sociedade e dos direitos sociais criam-se grupos de vítimas, vítimas sociais abraçadas pela famigerada causa da minoria. Mas quem é essa minoria? A minoria que os valores modernos tentam justificar como sociedade é uma expressão semanticamente relativa. Essa minoria que pode ser eu mas também pode ser você. E neste ínterim de ninguém saber quem é quem é que está todo o espaço para o mal-caratismo, intrínseco da natureza humana. Na verdade é um equívoco confundir mudança individual como uma imagem real a ser refletida em algum espelho, criando-se a falsa impressão de evolução da sociedade. Pois a ideia de evolução da sociedade dar espaço para uma revisão constante. E é aqui que grupos poderosos como a Rede Globo se aproveitam para casar e batizar, engolir ou cuspir saliva a bel prazer. Ora, se a sociedade é um mosaico então é terra de ninguém, logo vamos impetrar mudanças, a mudança que queremos, a mudança que achamos conveniente a cada tempo, e ai daquele que for contra, pois ser contra o discurso de evolução da sociedade é ser a favor da epigenética social, é ser a favor de um mundo de pessoas altas, magras, de olhos azuis e ricas… Paciência. Sem hipocrisia pro meu lado! Respeitar ao menos as crianças. Pois eu prefiro o conservadorismo, prefiro o que garante segurança social, prefiro o agora do que o risco de ficar numa eterna mudança, nessa panaceia de estar melhorando para termos um futuro, e nisso temos essa sociedade imatura, essa sociedade eternamente jovem, essa sociedade imbecil, eternamente insegura, eternamente fraca, eternamente invertebrada. É claro e evidente que ninguém aqui estar falando contra a opção sexual de ninguém; o que se critica é a forma como se tem posicionado os setores que tentam empurrar goela abaixo os próprios conceito, tentam moldar, tentam denegrir com termos pessoas que têm seus costumes.. Suponho que 95% dos pais de família são contra a forma como se estar abordando esse tema tão importante e complexo. Será que estes pais de família estão apenas defendendo o próprio umbigo? O umbigo da sua comunidade? Como frisei, todos temos parentes homossexuais, todos temos amigos, irmãos, filhos, e os amamos, os protegemos até mais que outros parentes… O que é repreensível é esta propaganda que cria o vilão e o mocinho, essa propaganda que racha deliberadamente a concepção das pessoas, que cria a concepção de segregação, pois já segredada a sociedade fica tudo mais fácil, basta associar o indivíduo conservador (nem por isso pessoa ruim) aos piores nomes. Em nome da sociedade fratura-se a sociedade. Claro, tudo isso em nome do bem da sociedade..

  14. (Ainda hei de descobrir que tecla é essa que aperto sem perceber)

    continuando…

    É preciso salientar que a novela não é mais(?) a vilã moral das casas. Hoje é comum as pessoas terem TV por assinatura que passam filmes indescritíveis, no que diz respeito ao comportamento sexual humano, nos canais para adultos, mas que os jovens são mestres em raquear.
    Perto deles, novelas são programas infantis.

    Será que os deputados e senadores que criticaram a novela são os mesmos que “liberaram a concessão” desses canais e que os assistem nos motéis?

    No momento, o que está fazendo a gasolina mais cara e a inflação perto de dois dígitos não é a vida sexual de ninguém, mas a roubalheira dos nossos parlamentares e dos seus apadrinhados. Isto é que deveria preocupar as nossas autoridades.

  15. Prezado Racco,
    Especialistas em filmes dizem que o cinema se divide entre antes e depois do célebre Império dos Sentidos.
    Lembra dessa película?
    Um pornô japonês, que deram ao enredo os maiores elogios possíveis e imagináveis.
    O beijo dado por dois atores da Globo anteriores a esta novela, não causou tanto furor quanto das atrizes, independente de serem idosas ou não, apesar de eu entender que uma cena homossexual entre dois homens é muito mais agressiva, mas sou eu escrevendo, a minha opinião.
    Por outro lado, Racco, esta anticultura que mencionas, tem a sua raiz na Educação do povo brasileiro, que atualmente deixa a desejar em vários sentidos, principalmente no que diz respeito a pensar mediante seus próprios conhecimentos, seu senso de interpretação dos fatos, sua consciência de cidadão.
    Ora, sabemos o quanto somos deficientes em termos culturais, na leitura de livros a cada ano, no fraco conteúdo das aulas no Ensino Fundamental e Médio, no despreparo dos alunos que seguem adiante em cursos superiores, enfim, tais problemas educacionais são diagnosticados quando se constata a diversão que o povo prefere:
    Futebol, Carnaval e Novela.
    Decididamente essas maneiras de extravasar não podem ser consideradas artísticas, mas tão somente de laser, razão pela qual discordo um pouco quando tentam criticar as novelas de forma incisiva, mas não vejo críticas quanto ao enorme espaço que o futebol arrebanha das emissoras!
    Carnaval é uma semana, mas futebol e novela são diários.
    Atores e jogadores se misturam para apresentar bons espetáculos, e são pagos regiamente para desempenhar seus papéis.
    Se o enredo da novela em questão apontava um beijo entre duas senhoras – excepcionalmente bem feito pelas duas atrizes escaladas para esta cena -, por que não considerar arte a disposição que tiveram para interpretar à altura o que lhes era exigido?
    Não aplaudimos boas jogadas e os goleadores, no futebol?
    Os bons goleiros e defesas quase impossíveis?
    Por que não consideramos o mesmo quando duas pessoas, sabidamente heterossexuais, Fernanda e Natália, interpretaram duas homossexuais?
    Os atores que desempenharam papéis de homossexuais foram elogiadíssimos pela crítica tanto especializada quanto pelo povo, então a anticultura prevaleceu ou a interpretação dos dois atores foi magistral?
    Então houve arte, e não anticultura, a meu ver.
    Agora, se discutíssemos o baixo nível cultural do brasileiro, a conversa seria diferente, mas não podemos acusar uma distração como representante da anticultura, da imbecilização do povo, da sua idiotice, sob pena que esta análise recaia sobre nós quanto à alienação política que nos caracteriza e o acomodamento quando não somos nós os prejudicados por atos governamentais!
    Não podemos exigir o que não damos, não ensinamos. Afinal das contas, há quantos anos as novelas e os programas de auditório por mais degradantes que sejam dominam o gosto do brasileiro?
    E substituir as novelas pelo quê?!
    Filmes?
    Enlatados?
    Programas culturais de gosto duvidoso?
    Quem pode me acusar de inculto se eu não gosto de certos autores considerados pela crítica como extraordinários?
    O cara que me disser que Ulisses, de James Joyce, é uma obra maravilhosa, que deve ser lida, eu compro no lugar o Tio Patinhas, e daí?!
    A Divina Comédia, de Dante Alighieri, um dos maiores clássicos do mundo, alguém tem paciência para ler?!
    Pois me coloquem este título na frente de uma pessoa e a revista Caras, e vamos ver qual ela prefere.
    Errado? Certo? Não é este o caso, mas diversão, passar alguns momentos sem pensar, apenas assistir, ver, ouvir, e mais nada!
    Será que as novelas causam tantos males assim?
    Pelo menos milhares de pessoas têm emprego.

    • Prezado Francisco:

      Assisti a Império dos Sentidos e não me choquei com o belo filme dirigido por Nagisa Oshima. Intrincado e doentio psicologicamente, com cenas de sexo explícito e escatológico, não consegui enxergar necessariamente pornografia na referida película. Mas o sexo às escâncaras que há em Império dos Sentidos não arruína sua beleza estética e artística. Havia a fusão de dois corpos em um único. Apenas um ser, que embora inicialmente fossem dois, têm sua gênese na famosa cena do ovo, por mais abjeta que possam considerá-la.

      Da mesma forma que li A Morte em Veneza (Thomas Mann) e assisti ao filme (Luchino Visconti) e não consegui vislumbrar nada de pornográfico, além da decadência do personagem (no livro, Gustav von Aschenbach, um escritor; no filme, um compositor). Aliás, a grande mágica dessa obra reside no que os canais de Veneza representam para o personagem, o que é corroborado pelas falas do gondoleiro que não “tem concessão” – mas tudo é desviado para o amor doentio que exsurge pelo Tadzio. O que era a maquilagem de Aschenbach que não a própria máscara da morte? O que era, tão logo chegou a Veneza, a bicha igualmente maquilada, antevendo a ruína (já irreversível) do personagem, de forma irônica? O que representava a urna na qual o personagem transportava seus pertences no barco, com suas iniciais destacadíssimas?

      Li a Divina Comédia, em prosa e com várias notas de rodapé – dessa forma, tornou-se inteligível e oportunizou a vários leitores conhecerem os tipos que Dante lançou nos nove círculos do inferno. O purgatório é bom. Mas o céu é um pouco maçante. Todavia, é obra, a meu ver, obrigatória. Não li o Ulisses do JJ.

      O que causa espanto não são as novelas; não é o carnaval; nem o futebol. Mas, friso “ad nauseam”, o fato de todas as demais formas de artes terem sido surrupiadas de nossa população. Não temos democracia artística; somente uma patética ditadura que nos obriga – a mim não! – a enxergar de forma apequenada o limitadíssimo rol de opções que nos é impingido. Friso: NÃO TEMOS DEMOCRACIA ARTÍSTICA.

      O país funciona da seguinte forma: duas senhoras (as maiores atrizes do país) sapecam um beijo na boca. Aí, o cara que disser que aquilo é uma merda, é reputado “preconceituoso”. Mas se o indivíduo disser que aquilo é uma manifestação artística – repetirei até a morte, sem que a ele tenham sido franqueadas as artes varridas para debaixo do tapete – ele é ovacionado, desprovido de preconceito, um ser moderno e consentâneo com os costumes de sua era.

      Quem melhor delineou a mecânica anticultural das novelas foi o leitor JOSÉ AUGUSTO ARANHA, a quem parabenizo pela visão sintética e precisa a respeito do assunto.

      Como as novelas são umas merdas, o foco se concentra em uma meia dúzia de situações “polêmicas” (putz, de novo minha diverticulite reclamou). Uma vez criadas e expelidas na tela da TV, o país se divide em “preconceituosos” e “tolerantes”. “Vanguardistas” e “retrógrados”. Porra, isso não é arte! Nem entretenimento!

      Por fim, indago: por que essa arte (olhe, são seis, ou sete, se considerarmos o cinema como a “sétima arte”) não nos é revelada? Por que arte não pode ser, também lazer?

      Não demonizo as novelas, nem o beijo das nossas atrizes (afinal o pão está caro, a manteiga… ora, elas têm que pagar suas contas) mas é só isso de que dispomos? Estou certo de que a resposta é negativa. Quando a arte for democratizada, o povo (seja da classe rica, média ou dura) verá que foi enganado por muitíssimo tempo. E concluirá que a inteligência é limitada e precisa ser alçada com todos os esforços, mas a burrice é atrevida e, por isso, perigosa – isso pode ser mudado, pois não?

      Abraços!

      PS – ouso dizer que já houve muitas novelas revestidas de cunho sobremodo artísticos. O Casarão foi um bom exemplo disso. Mas faz tempo.

  16. Quanta porcaria.. Se esta emissora reprisasse O rei do gado no horário nobre, tenho certeza que haveria recorde de telespectadores… A capacidade de piorar desse pessoal é algo surreal..Aliás, O rei do gado foi a última novela que assisti.. Bem , é simples: não gosta como eu, muda a porra do canal ou desliga..

  17. Racco,
    Entendo onde queres chegar, que existem outras opções que não sejam os mesmos clichês usados nas novelas.
    E concordo contigo, plenamente.
    No entanto, observa:
    Se tu entregares este teu último comentário para um trabalhador simples, sem maiores estudos (não que eu os tenha, mas compreendo o que escreves), ele não vai entender nada do que tentas transmitir!
    Se a diversão do povo é esta, antes de provê-lo com uma educação e ensino condizentes será chover no molhado exigir que a TV depure a sua programação.
    Se é esta a fórmula que dá audiência, e tal significa dinheiro, faturamento às emissoras, elas não estão nem um pouco preocupadas em mudar o esquema, ao contrário, será mantido em nome da preservação do negócio, do lucro, do empreendimento.
    A TV é um negócio qualquer, e não um agente cultural, temos de reconhecer este mandamento.
    Programas que exigem pensar ou sobre artes ou reportagens científicas, os canais pagos oferecem várias opções, mas não vamos encontrar sofisticações nas TVs consideradas abertas, gratuitas.
    A Globosat tem uma grade de programas excelentes. Até pouco tempo atrás mostrava as obras de artes em museus espalhados pelo mundo, e relatava a história de cada quadro dos grandes mestres, assim como reportagens que se intitulavam O Mundo Visto de Cima, uma viagem por vários países, algo fantástico.
    Definitivamente, se uma TV aberta as tivesse como parte da sua programação não teria espectadores!
    Na razão direta que o povo não exige programas melhores, a TV continuará fornecendo a maneira que tem dado certo para ela em primeiro lugar, ou seja, lucro, para depois levar em conta o gosto mais refinado ou sofisticado de parte da população, e não ao contrário.
    Nessas alturas, se a programação é medíocre, deve à mediocridade cultural brasileira, ao analfabeto funcional.
    Desta forma, isento a TV neste aspecto, e acuso o governo pelo mau estado do Ensino brasileiro, simplesmente o causador desse hiato existente entre novelas apelativas e programas com melhores conteúdos.
    Por outro lado, Racco, a grosso modo, eu havia classificado o filme japonês como pornográfico, que efetivamente é pornográfico e pelo sexo explícito e escatológico como tu mesmo escreveste que, no entanto, tu o definiste como uma beleza estética e artística (fico lembrando aquela cena do ovo, e me questiono, respeitosamente, Racco, onde tu viste estética e arte naquelas imagens?!).
    Ora, o beijo entre as duas atrizes da Globo foi infinitamente mais belo tanto artística quanto esteticamente melhor que as cenas de sexo entre o casal oriental, a meu ver.
    Mais a mais, sexo não tem nada de artístico ou estético, Racco, mas de desejo, instinto, hormônios, cheiro, atração, necessidade física, sentimento, a vida pulsando … enfim, é um “rala e rola” absolutamente individual, sem roteiro, sem poses, mas a busca irrefreável de se dar e ter prazer!
    O Império dos Sentidos mostrou um casal que se fechou em um quarto para fazer sexo por vários dias, e com a permissão de ambos para sensações diferentes, mostrando explicitamente o casal em seus momentos íntimos, nada que a maioria dos seres humanos não faz igual ou até melhor, com mais criatividade, inclusive!
    Evidente que a TV poderia aumentar e qualificar a sua grade de programas, entretanto, se o público prefere esta forma para se divertir, tudo bem.
    Um abraço, Racco.

    • Prezado Francisco Bendl:

      Comentando um artigo do Pedro do Coutto, fiz as seguintes observações, que dirijo-lhe, respeitosamente:

      “Prezado Pedro:

      Minha briga – creio que quixotesca – se inclina em prol da “arte salvadora”.

      Explico: antes de iniciar minha narrativa, ressalto que abomino o comunismo, bolivarianismo e todos os “-ismos” que assassinaram centenas de milhões de pessoas nos séculos XIX, XX e XXI. Vamos lá.

      Há mais de 30 anos, um economista aposentado bem-sucedido (José Abreu, salvo engano) acreditou no fato de que a música elevada (v.g.: Bach, Beethoven, Bream, Guerra Peixe, Mozart, Mignone e um grupo bem “mais ou menos”), poderia salvar crianças e adolescentes favelados da miséria, do tráfico de drogas e da morte precoce, como consequência.

      Abreu (que seja esse o nome do grande sujeito) buscou dinheiro, pediu misericórdia, esmola e o diabo a quatro, mas conseguiu aquilo de que precisava: bons instrumentos. Steinways, violinos, violas, violoncelos e contrabaixos de primeira classe; metais precisos e de fácil manuseio; percussões de precisas afinações; e por aí vai. Vozes? Havia várias; e, em razão disso, buscou os melhores professores e regentes de que a Venezuela dispunha.

      Com doações de entidades mundo afora e, recentemente (bom, “recentemente”…), durante o governo Chávez, que, inicialmente, asseverou ser “música de burguês”, logrou apoio, em todos os âmbitos, de forma integral, pois aquele boçal notou – ao menos! – que as crianças e os adolescentes da favela estavam se transformando em cidadãos do mundo.

      Refinados. Multilíngues. Com dinheiro no bolso e satisfação absoluta em termos profissionais.

      Esses mesmos jovens, beneficiados pela arte da música clássica (em sentido “lato”, abrangida aí a “ars antiqua”, “ars nova”, música da era gótica, música renascentista, barroca, clássica “stricto sensu”, romântica, impressionista etc. etc. etc.), tomaram tanto gosto por essa forma de elevação subliminar, que decidiram-se por dedicar seu aprendizado aos novatos moradores da favela que almejavam uma vida nova, digna e confortável.

      Indago ao ilustre comentarista Francisco Bendl, “habitué” da TI: como essa arte elevada foi apresentada a jovens tidos como “géneration pardu”, jovens estes que não tiveram formação escolar (em nível fundamental, sequer), tampouco familiar, por que a introdução desse mundo tão belo a nossa garotada não surtiria efeito?

      É justamente para se salvar do ambiente das próprias casas (com pais promíscuos e beligerantes) e das escolas (cujo mister hoje é ensinar a enfiar um preservativo numa banana-d’água) que o jovem favelado de Caracas aderiu com unhas e dentes ao El Sistema.

      Não será um chupão de língua entre duas grandes atrizes (esse é o problema: são duas GRANDES atrizes) ou entre dois bigodudos (ainda que consagrados no nosso submundo pseudoartístico) que trará a redenção que essa turma miúda merece.

      Aliás, nem a redenção pela qual a turma madura anseia (cacete, há cerca de 47 anos me lembro de que os asnos dos milicos diziam que eu e minha geração éramos o futuro do Brasil. Ao revés, foram os responsáveis pelos fúnquis e lixos que habitam nossas plagas. BURROS DOS MILICOS!).

      Pontofinalizando minha litania: quero a cultura que nos foi sonegada por meus 54 anos de vida; quero que as religiões se restrinjam aos templos para as quais são cultuadas; quero que os “livros sagrados”, antes de nos serem impostos, tenham a advertência de “conteúdo pornográfico”. Cá entre nós, ensinar que é sagrado às filhas de Lot comerem-no após uma beberagem com vinho não é muito recomendável.

      Abraços!

      PS – as TVs por assinatura são horrorosas. Séries lamentáveis (zumbis dominadores do mundo), canal de História dando relevância a brinquedos de plástico da segunda metade do século XX e a seres extraterrestres, filmes com o Arnoldão e com o Stallonão e etc. são de vomitar. A cultura e a arte hão de ser impostas de alguma forma – não “manu militari” -, e.g., tais quais foram difundidas nas favelas da Venezuela.”

      • Racco,
        Sabe aquela frase que, uma borboleta bate as asas e cria um terremoto do outro lado do mundo?
        Pois eu acho que a discussão sobre o beijo na TV entre duas mulheres está tendo uma repercussão muito acima do que devia.
        Hebe Camargo tinha o hábito do “selinho”, um beijo rápido e leve na boca de seus convidados, fossem homens ou mulheres.
        Recebeu críticas por este procedimento?
        Não, pelo contrário, pois era uma demonstração de afeto e carinho.
        Se estamos discutindo se o ósculo de Fernanda e Natália tem algo a ver com arte, decididamente não tem, foi um beijo, mas tem um poderoso vínculo com a realidade!
        Pois a função de um ator ou atriz é se aproximar da verdade o máximo possível, e foi o que elas fizeram, uma cena comum entre pessoas que se gostam mesmo sendo do mesmo sexo.
        O que tu estás querendo, Racco, que eu também gostaria, é que houvesse espaço na TV para outras apresentações de cultura, de arte, como escreves, que estão em desuso face o gosto popular querer este tipo de distração.
        Entretanto, não podemos deixar de lado se é isso que o povo deseja, em razão do meu comentário acima com referência ao nível intelectual do brasileiro, que não abordaste, que evitaste tocar no assunto, pois é a causa maior deste tipo de preferência, que basta assistir e seguir o roteiro a cada dia, sem pensar.
        Enquanto continuarmos nesta estagnação cultural, nesta escassez de leitura de livros porque são caros e o povo não gosta de ler e, sim, ver figuras, nesta escola pública deficiente e sem maiores atrativos às crianças, sem bibliotecas, computadores, salas de jogos, a cada ano aumenta uma população de pessoas avessas às artes, à cultura, ao conhecimento, substituídas pela informação instantânea, pela intriga, pelos escândalos.
        Evidente que tens razão sobre a falta de qualidade dos programas televisivos, agora, importante é reconhecer que não bastam ser colocados no ar, exatamente porque não é o que o povo deseja ver, mas a continuidade na ficção (as novelas) de um mundo real, que é vivido, conhecido, que retrata o cotidiano nacional.
        Outro abraço.

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