“Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João…”

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Teixeira e Gonzaga, os reis do baião

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, compôs em parceria com o advogado, deputado federal, compositor e poeta cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1915-1979) a toada “Asa Branca”, um dos maiores clássicos da MPB, cuja letra traz uma visão romântica, poética e realista do cenário do Nordeste brasileiro.

A seca, que por ser muito intensa, obriga o seu povo a migrar, assim como as aves também, a exemplo da asa branca, que é um tipo de um pombo (columba picazuno) que quando bate asa do sertão anuncia a seca. Migração essa que é feita por homens (hoje, por homens e mulheres, mas na época da música era feita só por homens) que deixavam sua cidade, sua região, procurando melhorias de vida e sustento da família. Assim, está explicito a divisão de papéis sociais do homem como o provedor e da mulher que fica para cuidar dos filhos e do lar.

Essa música foi composta em 1947, a seca castigava o Sertão, fazendo aflorar o êxodo rural, conhecido também como retirantes. Em 1947, Luiz Gonzaga gravou a toada “Asa branca”, pela RCA Victor, foi um de seus maiores sucessos e uma das músicas mais conhecidas e veneradas da música popular brasileira, regravada dezenas de vezes ao longo das décadas.

ASA BRANCA
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

4 thoughts on ““Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João…”

  1. “Essa música foi composta em 1947, quando a seca castigava o Sertão.”
    -E até hoje perdura a estiagem e nada foi feito…

  2. Linda composição, que representa o lado inocente das regiões norte e nordeste do país. Mas cá entre nós, as regiões norte e nordeste têm muita culpa sobre o estado de descalabro do Brasil atual, que não por acaso chegou ao estágio de degradação que ai está. As regiões norte e nordeste são as que de fato mandam no país, à medida em que perfazem a maioria no congresso nacional, pelo menos desde a famigerada ditadura militar. E que maioria, hein ? Maioria ostensivamente fisiológica, composta por bandidos travestidos de políticos, mandados para pela população do norte e nordeste, e que, lá, nivelam a política e o país por baixo, aliás, rebaixado que está ao nível de fiofó de cobra, infelizmente. Problemão esse que jamais será resolvido sem que seja atacado de frente.

  3. Asa Branca, junto com Assum Preto, são clássicos que o Rei do Baião nos deixou.
    Asa Branca rendeu à Gonzagão o titulo de Doutor Honoris Causa, conferido pelo prof. de Ecologia da Universidade Federal Rural de Pernambjco, Prof. Severino Mendes.
    Perfeita a introdução que fez o poeta Paulo Peres, em sua postagem Asa Branca. Nada mais a acrescentar.

  4. Música linda e triste do Gonzagão

    Assum Preto
    Luiz Gonzaga

    Tudo em vorta é só beleza
    Sol de Abril e a mata em frô
    Mas Assum Preto, cego dos óio
    Num vendo a luz, ai, canta de dor

    Mas Assum Preto, cego dos óio
    Num vendo a luz, ai, canta de dor

    Tarvez por ignorança
    Ou mardade das pió
    Furaro os óio do Assum Preto
    Pra ele assim, ai, cantá mió

    Furaro os óio do Assum Preto
    Pra ele assim, ai, cantá mió

    Assum Preto veve sorto
    Mas num pode avuá
    Mil vez a sina de uma gaiola
    Desde que o céu, ai, pudesse oiá

    Mil vez a sina de uma gaiola
    Desde que o céu, ai, pudesse oiá

    Assum Preto, o meu cantar
    É tão triste como o teu
    Também roubaro o meu amor
    Que era a luz, ai, dos óios meus
    Também roubaro o meu amor
    Que era a luz, ai, dos óios meus

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