Quanto mais Toffoli e Moraes insistem em defender a censura, pior fica para eles

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Com Toffoli ocupando a presidência, o ambiente no STF é sinistro

Leandro Colon
Folha

As declarações ao jornal Valor Econômico do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, são contraditadas pelos fatos e podem ser a senha para estimular juízes a censurar reportagens jornalísticas pelo país.  Na entrevista publicada nesta quinta-feira (dia 18), Toffoli afirma: “Se você publica uma matéria chamando alguém de criminoso, acusando alguém de ter participado de um esquema, e isso é uma inverdade, tem que ser tirado do ar. Ponto. Simples assim”.

Na cabeça do ministro, alguém que se considerar atingido desta maneira tem o direito de requerer à Justiça a retirada de um texto e a Justiça tem o dever de assim fazê-lo.

PROCESSO LEGAL – Ignora-se, pelo argumento do magistrado, o devido processo legal, em que cabe ao personagem buscar reparação de danos, processar os autores por calúnia e difamação, por exemplo, entre outros meios jurídicos possíveis e capazes de provar que uma pessoa é alvo de alguma eventual injustiça ou uma “inverdade”, nas palavras de Toffoli, cometida pela imprensa.

No caso específico de Toffoli, é mais grave: ele preside o tribunal responsável pela abertura do inquérito sobre fake news que deu guarida à censura imposta por seu colega Alexandre de Moraes à revista Crusoé e ao site O Antangonista. Além disso, o ministro agiu em causa própria ao pedir a Moraes que o caso fosse apurado. Toffoli nega censura na reportagem, mas a defende claramente ao Valor com outras palavras: “É necessário mostrar autoridades e limites”.

OSBTRUÇÃO? – O presidente do STF afirma que a reportagem da Crusoé sobre o e-mail em que Marcelo Odebrecht o chama de “amigo do amigo de meu pai” é uma “ofensa à instituição à medida que isso tudo foi algo orquestrado para sair às vésperas do julgamento em segunda instância”. E acrescentou: “De tal sorte que isso tem um nome: obstrução de administração da Justiça”.

Uma decisão do próprio Toffoli contradiz seu argumento. No dia 1º de abril, a Folha publicou que o presidente poderia atender a um pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e adiar o julgamento sobre prisão após condenações em segunda instância marcado para o dia 10. Três dias depois, em 4 de abril, a informação foi confirmada oficialmente pelo STF e noticiada pela imprensa. Não houve nova data anunciada para a sessão sobre o tema.

O documento da Odebrecht foi anexado nos autos da Lava Jato no dia 9 de abril, depois do adiamento do julgamento. A reportagem alvo de censura foi publicada na noite de quinta-feira, dia 11. Portanto, a hipótese aventada por Toffoli poderia até fazer um sentido por causa da coincidência de datas, mas o próprio calendário do Supremo derruba a sua versão.

PARA CONSTRANGER – Toffoli diz ainda que o episódio do e-mail “era exatamente para constranger o Supremo”. “Ao atacar o Supremo, estão atacando a instituição”, diz.

O presidente do STF adota a tática de usar o nome do tribunal para estancar o desgaste interno e contornar o constrangimento que há nos bastidores entre a maioria dos ministros da corte em relação ao comportamento autoritário e arbitrário dele e do colega Alexandre de Moraes nos últimos dias.

Na entrevista ao Valor, Toffoli afirma que “não diz nada com nada” o documento em que é chamado de “amigo do amigo de seu pai”. A reportagem censurada apenas reproduziu o seu teor, não chamou o ministro de criminoso nem o acusou de participar de um esquema. Então por que ele defende sua retirada do ar? Por que não esclarece de vez suas relações com a empreiteira? Simples assim.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É muito triste quando uma autoridade toma uma decisão reconhecidamente errada, não volta atrás com dignidade e tenta mantê-la mediante argumentos sem a menor validade. Quanto mais Toffoli e Moraes insistem em defender a censura, pior fica para eles. Chega a ser constrangedor. Estão destruindo o que restava de suas imagens de homens públicos. Apenas isso. (C.N.)

8 thoughts on “Quanto mais Toffoli e Moraes insistem em defender a censura, pior fica para eles

  1. Infelizmente nosso STF está em níveis deploráveis em face de juízes sem a mínima formação para cargo máximo do judiciário.
    É patética a situação que o Brasil foi envergonhado pelos que, discursam no plenário, sentenças redigidas pelos seus auxiliares.

  2. Acho CURIOSO (para dizer o mínimo) o comportamento dos demais ministros do Supremo diante de um crime ou de uma injustiça perpetrados por algum dos seus “colegas”:
    -Fazem boca de siri.

    -Se esse COMPORTAMENTO OMISSO e criminoso se propagasse, de cima para baixo, em toda a cadeia punitiva do Estado, os brasileiros estariam perdidos:
    -O delegado, ao ver outro delegado extorquindo um empresário, sairia de fininho após cumprimentar o “doutor” e, mesmo assim, não estaria cometendo crime algum…
    -Um agente de polícia, ao fazer uma investigação e descobrir que uma caixa eletrônico fora explodido por outro agente de polícia, simplesmente não relataria o caso e ainda convidaria o “colega” para uma ida até Portugal. De carona, claro! Afinal, quem convida, paga…
    -Um policial militar, ao ser chamado para atender uma ocorrência de assalto, ao descobrir que o assaltante é um policial militar que trabalha no mesmo batalhão dele, cumprimentaria o colega como se nada ele tivesse feito e como se nada demais tivesse acontecido e, aproveitando a ocasião, acertariam as próximas férias, entraria na viatura e voltaria para o quartel!

    -Felizmente a RALÉ deste país não segue o exemplo da sua ELITE!
    -Por isso foi possível ver um mendigo arriscar a própria vida para salvar a de um desconhecido e morrer por isso, ao mesmo tempo em que é possível ver os doutores engravatados e estudados que se acham cultos e melhores do que os outros se locupletarem com os recursos destinados aos mendigos, enquanto deixam ser assassinados milhares de desconhecidos.

    • .
      o comportamento dos demais ministros do tal supremo
      É de TOTAL CONIVÊNCIA !!! !!! !!!

      a sapientíssima, inexorável, implacável
      Sabedoria Popular
      garante que

      QUEM CALA, CONSENTE !!!

  3. Perguntas que não querem calar:

    1) O Tofo não é aquele que foi REPROVADO DUAS VEZES?

    2) O careca não é aquele que foi acusado de plagiar trechos de obra de um autor espanhol?

    Então? Esperar o que desses dois? kkk
    Fizeram a maior cagada, é não sabem como sair deste imbróglio que se meteram.
    Ou eles pedem pra sair, ou serão saídos.
    Minha vó sempre dizia, HÁ MALES QUE VEM PRA BEM!
    Simples assim.
    Atenciosamente.

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