Quase impossível um levante dos povos da Europa, até porque não mais existe tal homogeneidade

Paulo Solon

A Alemanha já se destacou há muito do resto da Europa. Países como a Grécia mostram seu ressentimento em relação à crescente riqueza germânica em detrimento das crescentes dificuldades que o povo grego enfrenta agora. Até mesmo a Inglaterra já deu sinais de descontentamento com a cada vez mais próspera Alemanha, após a queda do Muro de Berlim. Mas não era isto que queriam quando celebraram jubilosamente a reunião da Alemanha? Agora estão colhendo os resultados!

Estarão as teorias políticas, sociais e econômicas formuladas por Vladmir Ilych Lenin (1870-1924) sendo agora confirmadas? Lenin havia subido dos ombros de Marx para poder enxergar mais longe. Já verão de onde surgiu essa ideia. Contudo, não acreditemos em demasia na suposta modéstia de Sir Issac Newton quando disse, “Se tenho enxergado mais longe do que Descartes, é por ter me colocado ereto nos ombros de gigantes”. Lembrei-me de Newton por ter sido, quase na mesma época de Leibniz, o co-criador do cálculo.

Deve ter gente aí sacudindo os tornozelos porque comecei citando os nomes de Lenin e de Marx. Fiquem frios. Sei que comunismo é uma palavra que assusta muitas pessoas e até amedronta. É como a palavra calculus. Coisa de maluco ou de tarado, como o garoto Newton e como garoto Leibinz. Sejamos honestos. Muita gente gostaria de aprender calculus tanto quanto eles gostariam de receber um coice de mula no plexo-solar.

Muitos são obrigados a tomar essa direção por se tratar de um requisito para seu sucesso, ou por terem se descuidados e passado muito perto da mula. Cálculo é duro, cálculo é enfadonho e cálculo nem sequer oferece algo a você pelo seu aniversário. E ainda por cima, tal palavra faz lembrar aquelas pedras nos rins!

Com a palavra comunismo, em uma terra conservadora como o Brasil, os resultados são semelhantes. Tal como Leibinz, Karl Marx (1818-1883) foi também um filósofo germânico que, juntamente com Friedrich Engels, vaticinou que a luta de classes é elemento central na análise das mudanças sociais nas sociedades Ocidentais.

Marx poderia ter dito, parodiando Newton: “Se tenho enxergado tão longe quanto o Nazareno, é porque procurei interpretar seus ensinamentos básicos daquela época, trazendo-os para a modernidade”.

Como se sabe, o Marxismo-Leninismo preconiza que o imperialismo é a forma final do capitalismo. Lenin, no entanto, se diferenciou de Marx ao mudar o foco da luta de classes para a luta entre sociedades industrilizadas (Alemanha por exemplo), e sociedades não industrializadas como a Grécia.

Portanto, basta ficar com as antenas ligadas para ver que o Marxismo-Leninismo está em plena ebulição. Vejam a oposição sistemática que a Rússia de Lenin e a China de Mao fazem a qualquer resolução do Conselho de Segurança do Cirque de Soleil Internacional chamado ONU, contra países nao totalmente industrializados que ousam caminhar em direção à indústria nuclear.

O Comitê Chinês laureou este ano o Primeiro Ministro da Russia, Vladimir V. Putin, com o Prêmio Confucius da Paz.  Putin, ao ser contemplado com o supracitado Premio da Paz, foi elogiado pelo Partido Comunista da China, por sua atuação desde os tempos de estudante: “Sua mão de ferro e dureza reveladas em 1999 (Chechenia), impressionou favoravelmente os russos e ele foi considerado capaz de proporcionar segurança e estabilidade à Russia. Ele se tornou o antiterrorista Nº.1 e o herói nacional”.

Putin foi aplaudido por “atuar como propagandista dos eventos políticos correntes”, enquanto ainda era estudante secundário, e por ter sido selecionado pela KGB, quando cursava a universidade, realizando seu sonho de adolescente.

Notem bem. O Sr. Qiao Damo, co-fundador e presidente do comitê do Prêmio Confucius da Paz, declarou que o Sr. Putin “lutou para a união de sua pátria”. O Sr Qiao também disse que a assembleia votou a favor do Sr Putin entre oito nominados, valorizando sua oposição à guerra. ”Ele foi contra o bombardeio da Líbia praticado pela OTAN”.

A Administração Geral de Imprensa e Publicações, um dos tentáculos do Partido Comunista Chinês, impede que os repórteres incluam informação não verificada obtida na internet ou telefones móveis em seus noticiosos. Recentes regras requerem que os jornalistas produzam pelo menos duas fontes para qualquer noticia “crítica”.

Vejam o que publicou a supracitada agência do PCC. “Reportagens falsas não somente ferem seriamente os interesses das partes envolvidas, como gravemente comprometem a credibilidade dos difusores, ou afetam seriamente a ordem social e econômica”.

Não preciso enfatizar a severidade das punições. Como se pode ver, trata-se de medida para estancar rumores e reduzir a influência dos microblogs. Aparentemente, porque é mais que isto. Está em jogo a noção de poder do povo. Após a chamada primavera árabe e o assalto praticado pela OTAN, os lideres chineses resolveram colocar a composição au ralenti.

Assim é que, com relação à tentativa dos EUA de conquistar o povo da China, enviando como embaixador o Sr. Gary Locke, pela primeira vez um diplomata com raízes chinesas e fluente no mandarin, obteve rápida reação do poderoso Partido Comunista, na pessoa de seu chefe em Guangzhore, o líder Wang Yang:

“Ele não é cidadão desta terra. Ele deveria claramente se conscientizar de que é um americano, não ficar tentando parecer que é chinês”.

Há políticos que se declaram Cristãos, mas, ao contrario, são adoradores do Cauda de Cão, de Leviatan, da Asmodeu (ou Balaao), de Isacaaron e demais potestades cultivadoras de “ratio brutorum”. Para eles, o demônio é indubitavelmente maior e mais interessante que o próprio Jesus. Preferem beijar o traseiro do diabo a seguir os ensinamentos de Cristo, embora, com palavras, vociferem contra o hipótetico capeta, como os inquisidores medievais: “Serpens antique, immundissime spiritus, omnis incursio adversarii, omne phantasma”.

O odio que alguns sentem contra o socialismo é o mesmo que Laubardemont nutria contra o padre Urbain Grandier no século XVII em Loudun. Tal como Madame Bovary, que se imaginava como uma pessoa que de fato não era, eles são possuídos pela peste do bovarismo.

Estaremos presenciando a fase final do capitalismo? Penso que ainda não. Nossa vida é muito curta para contemplarmos tal coisa. Mas, de acordo com teoria dos limites de Newton e Leibniz, a função econômico-social está tendendo para esse ponto.

Mas não só na Europa!

 

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