Quatro anos perdidos?

Carlos Chagas

Em matéria de discursos, nada a opor. Ontem, a festa dos dez anos no poder, do PT, marcou nova etapa no longo processo sucessório já iniciado. Mesmo sem lançamentos formais, está confirmada a candidatura da presidente Dilma Rousseff a um segundo mandato, com o ostensivo apoio do Lula e, por conseguinte, do partido.

O que não dá para elogiar é a estratégia política em desenvolvimento. Salvo engano, a presidente está próxima de premiar com vagas no ministério partidos que se afastaram de seu governo e partidos que pretendem aproximar-se. Em vez de preocupar-se com a eficiência da máquina administrativa, selecionando os melhores para cada função, sem preocupações políticas, a chefe do governo parece mais interessada em sedimentar apoio partidário para sua reeleição.

Tome-se o PR. Tempos atrás seu líder maior foi afastado do ministério dos Transportes, acusado de corrupção. Mas é com o mesmo senador Alfredo Nascimento que Dilma tem conversado, parecendo próxima a substituição de Paulo Passos, reconhecidamente um técnico de grande competência. Claro que o PR não indicará Valdemar da Costa Netto para novo ministro, há dias condenado pelo Supremo Tribunal Federal como integrante do mensalão. Alguém duvida, no entanto, que o futuro presidiário vem participando dos conchavos internos de sua legenda?

É bom parar com os exemplos fulanizados, para evitar constrangimentos. Emerge, porém, dessa e de outras armações fisiológicas, a evidência de que dona Dilma dá mais atenção aos ajustes em sua base partidária, com vistas ao segundo mandato, do que à eficiência de seu governo. Quantos ministérios entregues a políticos continuam sem poder dizer a que vieram? Feudos de partidos da base, uns,vazios olímpicos, outros.

Continuando as coisas como vão, o primeiro governo chegará capenga ao seu final, mesmo tendo garantido o segundo. Os otimistas supõem que, reeleita, Dilma constituirá então o seu verdadeiro ministério, sem indicações do Lula e nem exigências dos partidos. Aí então escolherá os melhores. Só que quatro anos terão sido perdidos, ao menos em parte. Quanto aos outros quatro, melhor marcar coluna do meio com base no velho mote popular de que “o uso do cachimbo faz a boca torta”…

“MAS SOU O CHEFE DELE”

No final da Segunda Guerra os jornalistas perguntaram ao marechal Bernard Montgomery, herói de EL Alamein, vencedor de Rommell, conquistador da Itália e libertador da Bélgica e da França, qual o segredo de seu sucesso. Do alto de sua presunção e empáfia, ele respondeu: “é porque eu não bebo, não fumo, não jogo e não prevarico”.

Winston Churchill ainda era primeiro-ministro, ficou com inveja, reuniu os repórteres e disse: “podem escrever que eu bebo, fumo, jogo e prevarico, mas sou o chefe dele…”

Por que se conta essa historinha? Porque o Lula continua o chefe da nação petista, por melhores generais que possa ter a seu lado.

UM BOM COMEÇO, MAS…

Renan Calheiros marcou pontos ao anunciar cortes de gastos no Senado, além do fim de certas mordomias. Mas precisa ir além, na recuperação de seu prestígio. Por exemplo: marcar sessões deliberativas para as segundas, sextas-feiras e sábados; proibir viagens de senadores ao exterior, pagos pelos cofres públicos; descontar o salário dos faltosos; mandar a conta das reformas nos apartamentos funcionais para o senador inquilino; autorizar carros oficiais apenas para os senadores integrantes da mesa; acabar com os gabinetes dos senadores nos respectivos estados. E quanta coisa a mais?

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