Que benefícios o Supremo trará à sociedade descriminalizando a maconha?

Milton Corrêa da Costa

Os defensores da descriminalização da cannabis cada dia estão mais esperançosos. Além da propaganda subliminar, com divulgação de constantes pesquisas, tentando incutir na sociedade brasileira que a maconha é menos ofensiva que o álcool e o cigarro, o Supremo Tribunal Federal decidiu deliberar sobre a descriminalização do consumo da erva, e tudo leva a crer que a maioria do plenário tenda a favor, comenta o jornalista Merval Pereira, em O Globo.

Recorde-se que recentemente o STF já deliberou pela autorização da realização de passeatas reivindicatórias para a descriminalização de qualquer espécie de droga. Seria estranho observar, por exemplo, os cerca de um milhão de dependentes do crack no país – trapos humanos que vivem nas cracolândias da vida – (vejam o problema atual na capital de São Paulo), em passeatas invocando a descriminalização da ‘droga da morte’.

Por falar em crack, a questão é tão complexa que alguns estudiosos aconselham a internação compulsória para o tratamento dos dependentes. Outros consideram que na internação obrigatória o dependente, logo em seguida, voltaria ao vício. Para tal corrente o melhor é esperar a internação voluntária.

No entanto, é possível também que poucos consigam chegar com vida (1/3 dos dependentes morrem em cinco anos) até pedirem socorro para livrarem-se da dependência. Talvez o meio termo seja o caminho: tirar os traficantes de circulação forçando assim os dependentes a procurar ajuda.

Sobre o álcool, uma matéria publicada numa revista semanal de grande circulação no país, em setembro último, dá conta que o Brasil tem um número de alcoólatras estimado em 15 milhões, o dobro da população da Suíça. Mas a realidade, segundo a reportagem, pode ser ainda pior.

Os médicos da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas, estimam que, na verdade, 10% dos 192 milhões de brasileiros, ou cerca de 19 milhões, tenham problemas graves com a bebida. O alcoolismo mata 32 mil pessoas por ano no Brasil, está por trás de 60% das mortes no trânsito e 70% dos homicídios.

Sobre o cigarro, segundo o Instituto Nacional de Câncer, os dados do tabagismo são assustadores. No país, 200 mil mortes anuais são causadas pelo uso do cigarro, sendo que 16% dos brasileiros adultos são fumantes.

Cerca de 8% dos gastos com internação e quimioterapia no Sistema único de Saúde são atribuídos a doenças relacionadas ao consumo do tabaco. O risco do infarto aumenta em 63% nas pessoas que fumam menos de dez cigarros diariamente. Essa possibilidade é 2,6 vezes maior para fumantes que acendem entre 10 e 19 cigarros e de 4,6 vezes para aqueles que fumam mais de 20 cigarros/dia.

O depoimento de um ex-viciado à Revista Veja, de 25/01/12, mostra a escalada perigosa do uso de drogas. Diz o jovem, hoje com 24 anos:”Conheci o crack aos 19 anos. Já havia experimentado maconha, cocaína, lsd e ecstasy. Quando meus pais descobriram, pararam de me dar dinheiro e tiraram meu carro. Aí passei a trabalhar com um traficante, que acabou morto pela polícia. Entendi que o meu destino seria igual, se continuasse naquela vida. Há dois anos, decidi me internar. Fui para uma chácara perto de Brasília, onde tinha de fazer limpeza, cuidar da horta e até fazer serviço de pedreiro. Isso me deu noção de disciplina, senso de coletividade. Fiquei lá um ano. Venci o crack. Hoje acredito que não sou mais um escravo dele”, disse.

Registre-se que o citado jovem primeiramente fumou maconha numa escalada chegando até a ‘droga da morte’. Nesse contexto de dúvidas, o que se deve discutir é se o álcool e o cigarro já fazem tanto mal à sociedade, por que legalizar ainda mais uma droga? Que benefícios reais traz para a sociedade a descriminalização da maconha?

O Supremo Tribunal Federal precisa ter isso em mente ao decidir sobre a maconha. Onde será consumida? Em praça pública? Ou em espaços delimitados, num ‘falso mundo colorido’? Poderá ser consumida nos pátios de colégios e universidades? Vamos implantar as narco-salas para consumo de maconha? Quantas precisarão ser implantadas no país? Vai ser vendida pelo próprio governo nas farmácias? Será permitido plantar em cada residência de maconheiro a cannabis para consumo próprio?

É esse o exemplo que os pais estarão darão aos filhos em casa? Já não basta os pais que sob o efeito do álcool chegam embriagados e trôpegos diariamente em suas residências, causando sequelas psicológicas aos filhos?

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HOLANDA ESTÁ VOLTANDO ATRÁS

Pesquisas dão conta de que a maconha faz mal à memória, causa esquizofrenia e síndrome amotivacional, sem falar que, tal e qual o álcool, também é uma perigosa porta de entrada para as drogas mais pesadas.

Lembrem-se que o governo holandês declarou recentemente que vai nivelar a chamada “maconha de alta concentração”, vendida no país, na mesma classificação de tóxicos como a cocaína e o êxtase, drogas consideradas pesadas.

O ministro da Economia da Holanda, Maxime Verhagen, afirmou que a droga, com mais de 15% na composição de sua substância psicoativa, o tetrahidrocanabinol (THC), tem uma potência muito maior do que a forma mais leve da erva.

Segundo ele, o tóxico “causa um prejuízo crescente na saúde pública do país”. A medida é o passo mais recente do governo holandês para tentar reverter a notória política de tolerância da Holanda com as drogas.

O que de positivo mudará, na vida de milhões de jovens brasileiros, com a descriminalização da maconha? O Supremo terá que responder. Direitos e garantias individuais não podem sobrepujar o interessse maior coletivo. É preciso ter tal assertiva em mente.

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