Que candidato enfrentará a violência?

Carlos Chagas

Inveja da China, propriamente, não devemos ter, por conta de que, lá, aplica-se com frequência  a pena de morte para crimes hediondos e não hediondos. Afinal, a vida é um dom que não cabe ao poder público tirar de ninguém. Mas ficamos perto de um sentimento de frustração quando vemos, no noticiário só nesta semana, serem lembrados ou praticados crimes daqueles imperdoáveis, a exigir no mínimo a prisão perpétua para seus autores,  sem direito a qualquer regalia.

O que fazer com o padrasto que, ajudado por duas feiticeiras, enfiou quarenta agulhas no corpo de um bebê de dois anos?

Ou com aqueles animais que torturaram e mataram uma criança de cinco  anos por  ter ela protestado quando roubavam frutas no quintal de sua casa?

Dá para perdoar o casal que jogou a filha pequena  do quinto andar de um prédio, em São Paulo? Ou os bandidos que invadem   hospitais  para eliminar adversários feridos ou roubar equipamento médico nos próprios centros cirúrgicos onde os médicos lutam para salvar vidas?

Nem há que falar do jornalista que atirou pelas costas na namorada, já se vão sete anos, e continua fora da cadeia por artimanhas de seu competente advogado.

Outros tipos de monstros também deveriam estar fora das benesses da lei, como os ladrões de colarinho branco, responsáveis pela apropriação de dinheiros públicos e pelo recebimento de altas  propinas. O que dizer dos traficantes que utilizam o tal “forno de micro-ondas” nas favelas do Rio, queimando desafetos e adversários em pirâmides de pneus velhos? E de assaltantes que matam vítimas em suas próprias casas ou nos semáforos das grandes cidades?

A violência desmedida tornou-se rotina no Brasil de hoje, mas o singular é que, em pleno ensaio geral da sucessão para presidente da República, nenhum dos pré-candidatos referiu-se até hoje ao que pretendem fazer. Pelo contrário, o máximo que  anunciam é  continuar mantendo e ampliando o bolsa-família, criando empregos, preservando o interesse dos bancos e salvando a Amazônia.

Entrará com vantagem na reta final da disputa pelo palácio do Planalto aquele candidato que prometer medidas efetivas para isolar pelo resto da vida os autores de crimes hediondos.  Seja no recôndito da floresta, seja numa ilha   ao largo do litoral, precisariam estar enjaulados em nome dos direitos humanos, no caso, do cidadão comum hoje impedido de sair à rua,   exposto à prisão em sua própria casa.

O saco vai ficando cheio

Papai Noel já cuida de escolher os presentes que distribuirá na  próxima semana. Do Pólo Norte chegam informações sobre alguns pacotes já acomodados no grande saco prestes a ficar logo   cheio.

O governador de Brasília, José Roberto Arruda, receberá um jogo de algemas.  Para os dezenove deputados distritais que o apóiam, pijamas listados. O deputado Michel Temer será agraciado com dentes de vampiro,  para fazer jus ao apelido que não merece. José Serra vai ganhar um facão especial para cortar indecisões. Aécio Neves, a biografia do avô. Dilma Rousseff, um título de sócia-atleta do PT, capaz de permitir-lhe entrar no secreto recinto dos companheiros. Ciro Gomes, um maço de cigarros para restabelecer-lhe a serenidade perdida quando deixou de fumar. Marina Silva,  um manual que lhe permitirá discernir ONGs fajutas de ONGs sérias.

Nos próximos dias saberemos de outros  presentes em vias de chegar a Brasília.

Mateus, primeiro os teus

O Senado  acaba de aprovar projeto limitando em 2.5% o reajuste real do funcionalismo público, por ano. Isso depois que o Congresso concedeu 25% de aumento para seus próprios funcionários e quando o Supremo Tribunal Federal exige 56.4% para o Judiciário.

Quer dizer, fora as chamadas categorias especiais e com as exceções de sempre, o sacrifício só será exigido dos servidores do Executivo.  Os “barnabés” que se arranjem, olhando de longe os privilégios de seus primos-ricos.

De cabeça para baixo

Continua a ebulição em torno dos  candidatos à vice-presidência da República. A lista tríplice exigida do PMDB pelo presidente Lula está sufocando a candidatura antes pacífica de Michel Temer. No partido, surgem as indicações alternativas de Edison Lobão e Henrique Meirelles, com Nelson Jobim correndo por fora. Há quem suponha reviravolta ainda maior, com o convite de Dilma Rousseff  ao governador Roberto Requião. Caso o PMDB refugue e insista com Michel Temer, não parece afastada a hipótese de o presidente Lula buscar o candidato em outro partido. Que tal o deputado Ciro Gomes?

No ninho dos  tucanos, tinha-se como certa a formação da velha aliança com o DEM, que indicaria quem quisesse. Falou-se até no governador de Brasília, José Roberto Arruda. Com o escândalo do mensalão local, deu-se o dito pelo não dito.  Voltou   a emergir a proposta da chapa-pura, com José Serra para presidente e Aécio Neves para vice.  Aliás, uma dupla quase imbatível, daquelas para  ninguém botar defeito, unindo São Paulo e Minas. Por enquanto o  governador mineiro não pode nem pensar na proposta, que enfraqueceria suas pretensões ao palácio do Planalto, por sinal diminuindo a olhos vistos.  Corre no Congresso que uma saída poderia ser a indicação de  Itamar Franco, por Aécio. O ex-presidente da República é do PPS, partido aliado do PSDB.

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