Que mulher pode estar mais ou menos grávida?

Carlos Chagas

Vem menos ao caso saber se o governo aderiu às privatizações ou se pretende que a iniciativa tenha sido “um novo tipo de parceria”, como a presidente Dilma voltou a repetir em sua mensagem pelo Dia da Independência. Ideologias à parte, importa verificar os resultados. No oferecimento de 10 mil quilômetros de novas ferrovias, até agora nada. Nem o capital nacional, muito menos o estrangeiro, parecem interessados em botar dinheiro naquilo que não possam controlar completamente. Além do que, mesmo com imensos recursos do BNDES postos à disposição, falta numerário para os nossos empresários e para os lá de fora se animarem, caso as vantagens pela aquisição de patrimônio público não sejam totais para os investimentos.

Em suma, prevalece aquela lei celerada do mercado: “ou tudo é nosso ou então, negativo”. Industriais, banqueiros e empreiteiros aplaudiram vivamente Dilma e o novo plano de desenvolvimento, quando lançado, mas na hora de botar a mão no bolso, hesitam. Fazem que não entenderam. Querem mais.

A situação serve para confirmar a lição da Medicina: nenhuma mulher pode estar mais ou menos grávida. Ou está ou não está.

Diante do impasse, há quem acredite que falta pouco para o governo tirar a maquiagem e aderir por completo, se é que ainda não aderiu, à solução tucana de privatizar incondicionalmente e com dinheiro público tudo o que for possível. Ficaria muito difícil à presidente Dilma dar o dito pelo não dito e renunciar à entrega do que anunciou, mesmo em linguagem cifrada. Rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e usinas hidrelétricas, os empresários só aceitam se for como Fernando Henrique fez. Uma festa.

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CAMPEÕES DA FICHA SUJA

Calcula-se que passem dos 400, até o dia da eleição, os candidatos a prefeito impugnados pela Justiça Eleitoral em todo o país, por apresentarem ficha-suja. O PSDB vai na frente, com mais impugnações, seguido pelo PMDB, o DEM, o PR e o PTB. O PT, nesse caso, integra o pelotão intermediário, com menos candidatos impedidos de concorrer do que os partidos referidos. A lei da ficha-limpa parece que pegou mesmo, numa demonstração de estarem os tribunais eleitorais seguindo o exemplo do Supremo, mostrando-se inflexíveis na aplicação de postulados éticos. Um avanço, sem sombra de dúvidas.

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VANTAGEM PARA RUSSOMANO

Caso passem para o segundo turno Celso Russomano e José Serra, alguém hesitará em supor que os companheiros votarão em peso no candidato do PRB? Mas se os dois primeiros colocados forem Celso Russomano e Fernando Haddad, para onde voarão os tucanos, senão para o mesmo ninho? Por conta disso, quem garante que a disputa pela prefeitura de São Paulo não poderá decidir-se no primeiro turno? Política e eleições constituem sempre uma caixinha de surpresas, mas, pelo jeito, essa parece transparente…

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FALTOU SARNEY

Quem acompanhou a transmissão televisiva do desfile de Sete de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, terá reparado que faltou José Sarney, no palanque das autoridades. Lá estavam, com a presidente Dilma, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, e o presidente da Câmara, Marco Maia. O presidente do Senado e do Congresso terá tido seus motivos, mas para quantos possam criticá-lo pela ausência, será bom não esquecer que o vice-presidente Michel Temer também não foi visto.

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