Queda de Dilma abala candidatura de Lula para 2018

Pedro do Coutto

Esta vinculação, aliás, uma tendência lógica, encontra-se objetivamente assinalada na pesquisa do Datafolha publicada na reportagem de Graciliano Rocha, Folha de São Paulo, edição de terça-feira. Tanto assim que a popularidade do ex-presidente recuou nada menos que 21 pontos, passando de 71 para 50%, ao longo dos últimos cinco anos incompletos: do final de 2010 ao início de 2015. Tal processo de desgaste de imagem coincidente com o declínio da atual presidente da República.

Se houvesse eleições presidenciais hoje, acentua o Datafolha, Aécio Neves alcançaria 33% dos votos contra 29 de Lula e 14 pontos de Marina Silva, que assim se mantém bem colocada no quadro político. Claro que disputas eleitorais se decidem com base no desempenho dos candidatos na campanha, assim como os jogos de futebol decidem-se no campo, mas sem dúvida os números de hoje indicam tendências básicas, que podem mudar amanhã, porém nem por isso deixam de ter importância relativa. Afinal todos os pormenores eleitorais começam num ponto.

No momento o quadro, como se vê, não é favorável ao Partido dos Trabalhadores, causador e vítima, ao mesmo tempo, de contradições que o intoxicam junto à opinião pública, portanto, junto ao eleitorado. A corrupção na Petrobrás, a mais importante delas, uma vez que a estrutura da legenda encontra-se envolvida em diversos inquéritos adicionados a uma série de delações premiadas. Em consequência, a legenda ficou enfraquecida e não teve força para sustentar a popularidade de Dilma Rousseff.

NOVA REALIDADE

A partir de agora, com a divulgação do levantamento publicado pela FSP, as correntes internas do PT passam a se defrontar com uma nova realidade, um novo panorama político. A pressão de Lula sobre Dilma vai crescer antes que diminua ainda mais seu prestígio. Afinal, descer de 7% para 50% no espaço de pouco mais de quatro anos revela um estrago muito grande em matéria de potencial de votos. E também na perspectiva de alianças eleitorais.

Esta deve ter sido uma das razões que levaram o Planalto a concordar com mudanças nos princípios sociais contidos na medida provisória do Ajuste Fiscal, de inspiração e autoria do ministro Joaquim Levy, que aguarda votação tanto na Câmara quanto no Senado Federal. Reportagem de Geralda Doca, Marta Beck e Cristiane Bonfanti, O Globo também de terça-feira, focaliza o tema com objetividade.

AUMENTAR IMPOSTOS

A prova maior da reformulação, vamos assim chamar, está no fato de o ministro da Fazenda admitir modificações no seu próprio texto original e voltar sua investida para uma elevação de tributos sobre a área rural. Ele aparece entre sorrisos na fotografia que saiu no Globo, ao lado da ministra Kátia Abreu. Aliás são duas as reportagens publicadas no jornal na mesma edição. A primeira já foi citada. A segunda é de Simone Iglesias, Luiza Damé e Eliane Oliveira. Os dois assuntos na realidade convergem: mais impostos, menos cortes nos direitos sociais.

Este segundo tema, aumento de impostos, terminará inevitavelmente na elevação de preços que pune sempre os assalariados, sobretudo agora com menos perspectivas de terem seus vencimentos reajustados pelo menos de forma a empatar com a inflação (oficial). Aliás, como sucede invariavelmente. Em consequência, retrai-se o mercado de consumo e, com isso, o volume da produção, atingindo o nível de empregos e, no final, o processo de desenvolvimento econômico do país.

Um círculo vicioso que começou nas urnas do ano passado e cuja próxima estação será em 2018, com uma parada em 2016.

13 thoughts on “Queda de Dilma abala candidatura de Lula para 2018

  1. Bom dia!

    A descrição do círculo vicioso está perfeita. O problema econômico em que nos encalacrou Dilma e seu ex-ministro Mantega – da estagflação – não será resolvido plenamente sem a eliminação de ministérios e o enxugamento de custos da máquina pública.

    O que estamos vendo é uma cabo-de-guerra entre o Congresso e Dilma, entre o que deveria estar sendo feito e o que o governo quer – forçosamente- fazer.

    Espera-se que o povo brasileiro demonstre amadurecimento e a visão clara dos fatos, como descritos pelo articulista, e reflita isso nas próximas eleições. Tanto em 2016 quanto em 2018.

  2. Aliás, a queda das intenções de voto para Dilma e Lula vem acompanhada da queda das expectativas do crescimento econômico.

    Para o Fundo Monetário Internacional (FMI) o Brasil em 2015 vai mergulhar numa recessão de -1,0%.

    Para o Banco Mundial nossa recessão será de -0,7%.

    E, para os nossos economistas e analistas do mercado – manifestando a sua opinião no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central – nossa economia vai mergulhar em -1,01%. Perspectiva dada em no último dia 10.

    Ainda, segundo o Boletim Focus outras expectativas para 2015:

    – Inflação (IPCA): 8,13%

    – Taxa de câmbio: R$3,25

    – Taxa Selic: 13,25%

    – Produção industrial: queda de -2,50%

    – Conta corrente (transações de produtos e serviços com o resto do mundo): déficit de US$77,0 bilhões

    – Investimento Estrangeiro Direto (IED): US$56,0 bilhões

  3. Como sempre excelente análise do grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, nos mostrando que a tendência é de desgastes para o PT, Presidenta DILMA e mesmo Ex-Presidente LULA. Que a OPOSIÇÃO, (Sen. AÉCIO NEVES (PSDB-MG), ganharia mesmo do Presidente LULA se a eleição fosse hoje.
    Se o Governo conseguir que a Justiça julgue logo os acusados de Corrupção na Petrobras SA , etc, se a Petrobras SA começar a apresentar balanços com previsão da perda, e com Lucros cada vez maiores, elevando o preço da Ação a patamar bom, se o Projeto de Lei da Terceirização excluir novamente os Empregados FINS e se limitar a só regular os Terceirizados Meio, já será um bom começo.
    Quanto a Taxar ainda mais o setor Rural (Agro-business), não é uma boa ideia, uma vez que ele é fundamental para positivar nossa estratégica Balança Comercial. A menos que a ideia do Ministério da Fazenda seja de desvalorizar ainda uns 10% a 20% o Real, o que daria folga para essa cobrança.
    Melhor seria Taxar com cuidado mais o Setor Financeiro.
    Se o Ministro LEVY conseguir manter a Economia com leve Recessão em 2015, pequeno crescimento em 2016, poderá chegar a 2018 com a Presidenta DILMA bastante recuperada, e o Presidente LULA ainda bastante forte. Abrs.

    • Bom arrazoado do Sr. Bortolotto.

      Muito boa, também, a ideia de que se é para aumentar a carga tributária, que seja feito em cima do setor financeiro, e não do setor agrícola.

      Acho uma tremenda burrice aumentar a tributação do setor que garante a nossa alimentação, ao mesmo tempo em que nos garante superávits comerciais.

      Corretíssima a posição do Sr. Bortolotto. É insuperável o contra-senso da plataforma tributária do setor financeiro.

      É, simplesmente, um dos setores sobre o qual recai a menor carga tributária brasileira. Os bancos pagam menos tributos do que o setor de prestação de serviços de saúde e educação.

      Olhem só: enquanto sobre os planos de saúde recai uma carga tributária de 26,68% sobre o faturamento e sobre a educação 21,87% sobre o faturamento, sobre o setor financeiro recai uma carga tributária de apenas 15,59% sobre o faturamento.

      A carga tributária do setor bancário (15,59% sobre o faturamento) só não é menor do que a do setor agropecuário (15,24% sobre o faturamento), mas, com a provável mudança sugerida pelo ministro Joaquim Levy, isso vai mudar.

      E, por fim, é bom lembrar que a carga tributária consome 41,37% do orçamento anual do trabalhador brasileiro.

      Esses números impressionantes são do levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e mostram, além de uma tremenda injustiça tributária, um enorme desequilíbrio em favor do setor financeiro. Justamente o setor que vem desequilibrando todas as economias mundiais pela disparidade da acumulação de riquezas por esse setor em relação aos demais.

  4. Mestre Bortolotto,
    A meu ver, não basta a recuperação da economia para a presidente Dilma chegar ao final do seu mandato, e proporcionar que o ex-presidente Lula seja um forte candidato em 2018.
    Tenho para mim que, a corrupção, se não for de fato combatida e o PT deixe de aparecer em qualquer escândalo e desvio de verba ou roubo em estatais, mesmo que apresentemos um crescimento estilo chinês, Lula não se elege.
    Não há mais como tolerar outra administração petista, Mestre, pois sabemos como se comporta, como explora o povo, como usa o Brasil para proveito próprio, como aparelha o Estado, como pratica alianças espúrias, como é desonesta e mal intencionada!
    Reafirmo esta minha ideia, pelo simples fato que ainda devem vir à tona casos escabrosos com o BNDES, BB e CEF.
    Ontem, foi publicado que a Eletronorte está envolvida com desvio de dinheiro, e seu diretor foi levado preso ou algo parecido.
    Enfim, Mestre Bortolotto, na razão direta que a presidente Dilma tem pela frente mais três anos e meio, se multiplicarmos por fatos negativos ocasionados pelos petistas até lá, não acredito em Lula forte mesmo com uma economia sólida, imagino.
    Um forte e caloroso abraço, Mestre Bortolotto.

  5. Lula não é apenas responsável pelo desastre governamental Dilma Rousseff.
    É responsável por tudo, inclusive, pela implantação da corrupção sistêmica no Brasil, com o objetivo espúrio de manter o PT no poder por longo período e, com isso, continuar indefinidamente o assalto aos cofres públicos.

    Penso que a apuração decente dos casos de corrupção, com ampla divulgação, será determinante nas próximas eleições.

    A cúpula do PT também tem pleno conhecimento disso. E, em razão desse conhecimento, pretende implantar o controle da mídia no Brasil, objetivo do próprio Lula em palestra gravada e disponível na internet.

  6. Prezado Sr. WAGNER PIRES, sua análise e seus números, nos iluminam na discussão dos Argumentos. Veja, eu não sabia que a Carga Tributária sobre o faturamento do Setor Financeiro é de 15,59%, apenas um pouquinho acima do Setor Agro-Pecuário ( 15,24% ) responsável pela nossa importantíssima ALIMENTAÇÃO. O senhor enriquece sobremaneira o Artigo do grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO e nossos Comentários. Abração.

    Prezado Sr. FRANCISCO BENDL, também Meu Mestre.
    É provável que o ciclo do PT como grande Partido Político no Brasil esteja no fim, como o Rio Grande tem mostrado. Mas um Político como o Presidente LULA, carismático, tendo deixado boa lembrança de seu Governo LULA/JOSÉ ALENCAR, e a meu ver, o Sr. JOSÉ ALENCAR foi importantíssimo naquele Governo, se escolher um bom Vice-Presidente novamente, e acho que vai, e se a Economia se recuperar bem, ainda será um fortíssimo Candidato para 2018. Essa a minha visão. Abração.

    Prezada Sra. DOROTHY, a meu ver, os Ex-Presidentes eleitos Democraticamente nunca irão para a Cadeia. Seria um contra-senso. Veja, mesmo o Presidente Bispo LUGO do Paraguai, que foi impeachado ( Só 3 Votos favoráveis no Senado), depois de tudo, Não está na Cadeia. E Cadeia para um Presidente eleito Democraticamente, SÓ DÁ VOTOS. Imagine um Presidente LULA pegando uns 3 anos de Cadeia, ( sofrendo de verdade em Defesa do POVO), depois na volta, o sucesso que seria nas Urnas!
    Abrs.

    • Poi é, Sr. Bortolotto, é revoltante A realidade econômica, não só do Brasil, mas, mundial fadada que está a servir ao projeto de acumulação de riqueza de maneira exponencial.

      Esta lógica insustentável terá de ser mudada em um breve futuro.

      Grande abraço!

  7. Excelente texto, concordo plenamente.
    Entretanto, eu gostaria de deixar bem claro uma coisa: eu não acredito em papai noel.
    Então, para que servem campanhas eleitorais, todos aqueles debates calorosos, pesquisas de opinião extremamente divergentes, o próprio ato de votar, etc…
    No final das contas, a votação é realizada em urnas fraudáveis e a contagem dos votos é feita por funcionários do estado com conflitos de interesse (Dias Toffoli), em salas fechadas.
    Qual a importância do LULA ou qualquer outro estar a frente do Aécio ou da Marina Silva em uma possível corrida presidencial para 2018?
    Respondo: nenhuma em se mantendo o “Status Quo”.
    Tudo isto é simplesmente uma ilusão.

  8. É verdade Sr. Pedro do Couto, o Lula estará desgastado em 2018, mas, como a “oposição” não consegue se livrar do envolvimento, também, em relação a corrupção , vide o mensalão tucano, que ainda não foi sequer julgado, não terá votos suficientes para ganhar uma eleição presidencial, aí é melhor fazer o que o Aécio está tentando, dar um golpe.

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