Queda dos salários vem atingindo também receitas do INSS, do FGTS e dos impostos

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Reportagem de Pedro Capetti, O Globo de domingo, com base em dados do Caged, que mede o registro de vagas com carteira assinada, revela um fenômeno espantoso. A partir de 2006, portanto há 14 anos, não houve saldo positivo nas contratações para qualquer faixa com remuneração acima de dois salários mínimos. O impacto ganha maior força ainda levando-se em conta que no país foram extintas 6,7 milhões de empregos com renda superior a essa escala.

Na verdade, com a queda do valor dos salários o INSS e o FGTS perdem posição pois suas receitas têm como base as folhas salariais das empresas, inclusive as estatais.

SALÁRIOS MENORES – A restrição abrange até pessoas com formação universitária, como é o caso da professora de história Daniele Senna, citado na reportagem. De outro lado, Pedro Capetti aponta para um fato que vem se tornando comum no mercado de emprego. Os que perdem postos, quando retornam ao mercado, recebem em média 10% menos do que o salário anterior.

Esse problema, inclusive, digo eu, é agravado logicamente pelo aumento da população, que reduz a renda per capita. Basta considerar que a taxa demográfica é de 1% ao ano. Significa que a cada 12 meses surgem dois milhões de pessoas tentando ingressar no mercado de trabalho com vínculo empregatício. Portanto, esse percentual acentua também uma realidade. existem os que perderam emprego e aqueles que ainda não conseguiram ingressar no mercado de trabalho.

HÁ CONVERGÊNCIA – As estatísticas não levam esse fato em consideração, quando se fala em desemprego. Mas a questão, a meu ver, é que o desemprego é um fato; o não-emprego, outro. Porém, as duas situações convergem para o mesmo problema que vem se agravando a cada ano. Quantos milhões de jovens não podem ser considerados desempregados pela simples razão de não terem perdido o emprego?

Aliás, nem poderiam, uma vez que as estatísticas só focalizam aqueles que saírem da mão de obra ativa brasileira. Mas é importante considerar essa segunda realidade dos jovens que completam 18 anos, porque, embora na sombra, no final termina se acrescentando à primeira.

É claro que o desemprego gera também a redução da oferta salarial, pois a demanda e maior do que as vagas oferecidas. Com isso cai o valor do trabalho humano. Perdem todos: o consumo, o INSS, o FGTS e sobretudo o próprio país, com menos consumo e arrecadação tributária.

 

7 thoughts on “Queda dos salários vem atingindo também receitas do INSS, do FGTS e dos impostos

  1. Se somar os desempregados com os jovens que não são considerados desempregado, mas estão atrás do primeiro emprego, teremos muito mais de 12 milhões de desempregados, talvez mais de 20 milhões.
    O Brasil está caminhando para o maior caos de sua história. Quem viver verá.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa a queda/Estagnação dos Salários na Iniciativa Privada nos últimos 15 anos, e seus nocivos efeitos no INSS, FGTS e Impostos.
    E olha que nesses 15 Anos a Produtividade(Produção por Horas Trabalhadas) cresceu 15%, porque a Produtividade do Trabalho Brasileiro é de no mínimo 1%aa, Deveria ser mais, a média mundial passa de 1,5%aa. E os Salários tem que crescer essa Produtividade.

    Isso de deve a baixa capacidade de nossa Economia de gerar Empregos. Atualmente, embora crescendo lentamente ( +- 1,5%aa) o DESEMPREGO é de +- 11,5% da Força de Trabalho ou 12 Milhões,( PEA de +- 105 Milhões), DESALENTADOS +- 6 Milhões,
    e Sub-Empregados e Conta-Propistas +- 22 Mihões, o que perfaz um Total de +- 40 Milhões.
    Capacidade Instalada Ociosa +- 35%.
    A verdade é que numa PEA de 105 Milhões só termos 44 Milhões de Trabalhadores com Carteira do Trabalho assinada.
    E isso não se resolve com LEIS.

    É necessário estudar com cuidado as causas da pequena geração de Empregos da Economia Brasileira e atuar para destravar e FOMENTAR o EMPREGO.

    Uma coisa é certa, é preciso aumentar em muito a LUCRATIVIDADE de TODAS as Empresas, não somente dos BANCOS.

    Os tempos são outros mas seria muito útil inspirar-se nos tempos do grande Presid. GETÚLIO VARGAS, do dinâmico Presid. JUSCELINO KUBITSCHEK a quem perdoamos tudo, tudo, e especialmente a Revolução Cívico-Militar de 64 período Presid. MÉDICI/ DELFIM NETTO onde por mais de 12 anos tivemos crescimento Chinês de mais de 10%aa e inclusive ajudamos a inspirar a próprias China.

    Sou mais otimista que nosso ilustre Colega Sr. NÉLIO JACOB, homem de grande experiência prática, porque lentamente estamos melhorando, já estivemos pior, com mais Deficits.
    Mas precisamos ACELERAR nosso DESENVOLVIMENTO senão o Sr. NÉLIO JACOB estará certo. É possível porém, evitar o pior.

  3. Como alternância de poder é um clarificador da visão, não é? Nos últimos 10 anos ninguém comentava que o “extraordinário” aumento dos empregos só era para salários de até 2 mínimos. Ninguém comentava que a tal classe média aonde a maior parte da população estava inserida era até dois mínimos.
    Agora, com as testemunhas de lulalá fora do governo tudo fica explicado. Justamente agora que se constata aumento dos empregos com carteira assinada…
    Só falta escolher o culpado e começar a apedrejá-lo. Talvez o Guedes se torne a Geni da seita.

  4. Caro Bortolotto;
    Getúlio era procurador, funcionário público.
    Dutra era militar, portanto, funcionário público.
    Juscelino era médico da polícia; funcionário público.
    Regime militar, todos generais, funcionários públicos.
    Sarney, um político profissional. Portanto, foi funcionário do público a vida toda.
    AHHH; mas aí veio o Collor. Empresário !!!! Empresário chapa branca. Filial da globo; concessão do governo. Afilhado do BNDES.
    FHC ; professor de universidade pública.
    Itamar, recém formado, largou a engenharia para ser vereador ( funcionário do público).
    Lula, se acidentou na iniciativa privada e passou a viver às custas do sindicato.
    Bolsonaro, foi capitão e vereador ( funcionário do público).
    Quando teremos um Presidente NORMAL??????
    Um empregado da ford, um empregado das casas bahia ou um dono de restaurante???

  5. Prezado Sr. VICTOR MARINS,

    A nosso ver, numa Democracia Representativa bem Organizada, o ideal seria que os Líderes da Iniciativa Privada tirassem um tempo para se Candidatar a Funções Públicas, e depois voltar a Iniciativa Privada. Vice-versa os Funcionários Públicos que pudessem, tirar um tempo e trabalhar por um período na Iniciativa Privada.

    Assim os Administradores Públicos conheceriam “os dois lados do balcão”, que é o ideal.

    Isso acontecia bastante nos EUA até +- Segunda Guerra Mundial. Depois com a complexidade crescente do Mundo Moderno, acontece cada vez menos.

    No Brasil então, quem hoje quer se sujeitar a dezenas de Processos Judiciais que quase certo caem nas costas dos Administradores Públicos depois de concluído o mandato, com ou sem justa Razão?

    O Honesto acabará sendo inocentado, mas quanto gastará de Advogados/Transtornos?
    Melhor deixar a coisa para os “Políticos Profissionais”.

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