Quem acredita que o Brasil é a 7ª economia do mundo, como é o caso da presidenta, está simplesmente viajando na maionese.

Tadeu Cordova Borges      

O texto de minha autoria, postado em 19/07, onde procuro demonstrar inexistirem resultados na utilização da prática de juros altos no combate à inflação, recebeu de um dos comentaristas a informação de estamos na sétima posição entre as maiores economia do mundo. Esta ingênua opinião é compartilhada por nossa presidenta.

O ranking das maiores economias do planeta, como é óbvio, é  calculado pela moeda padrão internacional, ou seja, o dólar. Calcular o Produto Interno Bruto em moeda estrangeira vai muito além de um desafio. É impossível atingir a precisão. Basta ver que encontramos junto aos organismos internacionais valores não coincidentes. O Fundo Monetário Internacional registra um PIB brasileiro de US$ 2.172 bilhões, em 2010, em oitavo lugar. Já o Banco Mundial coloca-nos em sétimo, apontando a cifra de US$ 2.181 bilhões. A Cia World Factbook registra US$ 2.194 bilhões, também em sétimo lugar.

Já  o Banco Central do Brasil, a autoridade legítima para o mister, aponta para nosso PIB cifra mais modesta, de US$ 2.089.829 milhões, no mesmo ano.

Escrevo estas mal traçadas linhas um dia após o dólar cair abaixo de R$ 1,55 e o ministro Mantega afirmar que a situação preocupa. Mas como não haverá de preocupar?  São inúmeras as consequências desta insana política cambial. Ceifa divisas, empregos e crescimento no país e favorece nossos competidores e acaba interferindo nas estatísticas.

Como é sabido, nosso PIB é calculado em reais pelo IBGE. Já nosso PIB em dólar, pelo BACEN. É sabido também que o Plano Real foi implantado em 1º de julho, ou seja, na metade do ano, aí instalando a sobrevalorização cambial. A prudência recomenda então que este primeiro ano seja descartado para efeito de comparação, por contar com duas políticas cambiais, uma em cada semestre. Só para orientação, é válido registrar que o PIB de 1994, medido em moeda nacional, registrou crescimento de 5,85%, enquanto na moeda norte-americana a variação positiva foi de 1,58%.

Recorramos então ao ano de 1993, quando o IBGE registrou um PIB com preços de 2010, da ordem de R$ 2.122.079 milhões, enquanto o Banco Central registrou cifra dolarizada de US$ 429.685 milhões. Enquanto o crescimento do PIB, no período 1993/2010, calculado em moeda nacional, nem dobrou, alcançando percentual de 73,18%, se medido em dólar, no mesmo período, o produto quase quintuplicou, alcançando 386,36%. Portanto o percentual oferecido pela moeda padrão é cinco vezes maior que o alcançado pela moeda nacional.

Se aplicarmos o percentual oferecido pela moeda nacional ao PIB em dólar de 1993, o Brasil estaria em 19º lugar. Como a desvalorização do dólar esta acontecendo ao redor do mundo, é possível que o PIB de outros países também esteja aviltado. Na minha modesta opinião, nosso PIB deve estar por volta do décimo terceiro lugar.  E aos que discordarem deste cálculo, plagiando James Carville, contesto afirmando: “É o câmbio, estúpido!”

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