Quem não acredita em pesquisas, deve conferir as de domingo na França

Pedro do Coutto

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Acompanho pesquisas eleitorais do Ibope desde a sucessão de 55, quando JK foi eleito presidente e, no antigo Correio da Manhã, sempre escrevi sobre elas, acreditando no que antecipam. Depois, na estrada do tempo, vieram o Gallup, Datafolha, Vox Populi, Sensus. Os acertos passam de 97%, mas há os que se mantêm incrédulos diante dos Institutos.

É natural. A emoção impele aqueles que torcem por um resultado a acreditar na vitória de seu candidato, e, por isso, rejeitam os levantamentos que apontam no sentido oposto ao de sua vontade. Compreende-se. Mas agora domingo, na França, mais uma vez teremos oportunidade de cotejar as pesquisas com a revelação das urnas. Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira.

Deve-se levar em conta um aspecto importante: a pesquisa eleitoral é a única que se pode conferir, pois os prognósticos são publicados na imprensa, na televisão e nas emissoras de rádio. No dia seguinte a apuração emerge diante de todos, sem exceção. Pode-se até afirmar que a pesquisa eleitoral, de todas é a única que pode ser comprovada na prática.

Leio na quinta-feira dia 3, Folha de São Paulo, reportagem de Clovis Rossi, que assistiu ao último debate da campanha na televisão, audiência de 20 milhões de franceses, metade do eleitorado. Rossi também teve acesso ao levantamento do Ifop.

Este instituto vem acompanhando passo a passo a disputa pelo Eliseu e realizou investigações em série sobre as tendências do eleitorado. Apontou 53 para o socialista François Hollande e 47 para Sarkozy, que luta pela reeleição. A página escrita – muito bem – por Rossi inclui no espaço uma bela foto do debatem feita por Patrick Kovarik, da France Press. A sorte está lançada.

Vamos comparar os números da amostragem com os sufrágios populares. Cotejar uma coisa e outra é um bom exercício tanto político quanto numerológico. Verificaremos se os conservadores permanecem no poder por mais um mandato ou se essa linha de pensamento econômico social é substituída pela rosa vermelha às margens do Sena, símbolo que François Mitterrand, presidente leito e reeleito, legou como símbolo de justiça e esperança.

A atual política não vem dando certo, como não deu a do mesmo Mitterrand, na segunda etapa. O desemprego agora está batendo 10%, índice muito alto, sendo maior inclusive entre os jovens de 20 a 35 anos, a maioria relativa da população.

O debate se desenrolou em torno do trinômio trabalho, emprego, salário, como explicou Rossi.  A diferença de fuso horário é de 5 horas a mais para a França. Naquele país, tão belo e fascinante, a votação encerra-se às 18 horas. Treze horas no Rio. À noite teremos os números concretos e exatos.

Na minha opinião, vence Hollande, socialista. Seis pontos é uma diferença muito grande e as disputas francesas são geralmente decididas por margem pequena. Às vezes mínimas, como em 75, quando Giscard D’Estain derrotou Mitterrand por apenas 0,7%.

Rossi lembra este desfecho na reportagem. Sete anos depois, antes da redução dos mandatos, Mitterrand venceu o mesmo Giscard por 3 pontos. Em 88, nessa ocasião foi mais fácil: bateu Chirac pela margem de 7 pontos. Morreu no poder, final de mandato.

Jacques Chirac, centro mais para conservador, elegeu-se e reelegeu-se superando Lionel Jospin. Sarkozy veio em seguida superando Segolene Royale, ex-esposa de Hollande. A diferença foi 5 pontos. Agora vamos para mais uma viagem às urnas. A esperança se renova. E política, como disse JK, numa entrevista para o Correio da Manhã, é esperança.

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