Quem paga o pato

Carlos Chagas

A expressão é velha, mas oportuna. Em nossa infância e juventude, sempre que alguém praticava uma lambança e conseguia apoio para idéias e projetos absurdos e mirabolantes que não davam certo, a pergunta era para quem ia a conta. Quem pagaria o pato daquela besteira? Sempre o povo, concluíam todos.

Não mudou nada. O governador Sérgio Cabral perdeu as estribeiras por conta da queda do veto que tirava do Rio alguns bilhões mais do que necessários e ameaçou o mundo: vai suspender o pagamento a fornecedores do estado, quer dizer, determinará a paralisação de obras, serviços e as obrigações referentes a dívidas.

Será o caos, porque quinze minutos depois desse lamentável aviso o presidente da Associação das Empresas de Engenharia do Rio, Francis Bogossian, contra-atacou e prenunciou demissões em massa de operários e funcionários burocráticos nas empresas, bem como a quebra de boa parte delas.

Vem de Ovídio ou de Horácio, não sei bem, o alerta ao Senado Romano: “cuidado com a fúria dos miseráveis, dos discriminados e dos abandonados”. Dois mil anos mudaram muita coisa no planeta, mas de modo algum alteraram o sentimento de sobrevivência da Humanidade. Se até uma faísca parece capaz de incendiar e explodir um barril de pólvora, o que dizer de uma fogueira dessas proporções, acesa pela infantilidade de Sérgio Cabral e secundada pela irresponsabilidade do empresário Bogossian. Certamente nenhum dos dois enfrentará prejuízos pessoais, caso progrida essa agressão inominável ao bom equilíbrio da sociedade fluminense. Só que na hora de o trabalhador pagar o pato, poderão surpreender-se.

Demissões em massa não raro conduzem a depredações, violência e justa indignação dos atingidos. Por conta da índole pacífica e acomodada de nosso povo, não se aguarde a pasmaceira apenas envolta em lamentos inócuos. Um soluço pode transformar-se num grito de revolta e este num movimento irreprimível de indignação. Nem sempre o trabalhador paga o pato sozinho…

DILMA E LULA

Segue adiante a parceria instável entre Dilma e Lula. O equilíbrio vinha se mantendo até o instante em que deram início à campanha presidencial. O antecessor, mesmo a custo, pronunciou-se pela reeleição da sucessora, aliás, uma exigência dela.

Só que o Lula, em vez de pôr o pé no freio, entusiasmou-se e reivindicou a função de coordenador da candidatura. Tratava-se de uma forma de controlar a reeleição como vinha controlando o governo. O problema é que imbuída da nova condição, Dilma lançou-se na campanha com ímpeto invulgar. Despertou os contrários, mesmo por enquanto insipientes. Um perigo que não deixará de refletir-se na coordenação do primeiro-companheiro.

CONFEDERAÇÕES

Ao longo da História já tivermos a Confederação dos Tamoios e a Confederação do Equador, só para citar duas. É preciso tomar cuidado com a formação da Confederação dos Neoliberais, em vias de recompor-se depois do desastre que foi a política das privatizações. Se estamos no sal é porque a iniciativa privada, como parecia claro, não deu conta de suas obrigações para com o país. Quem quiser discordar que busque somar o montante de divisas enviadas para o exterior, sem nenhum controle, depois que Fernando Henrique Cardoso começou a dilapidar patrimônio público e permitir todo o tipo de remessas para fora. Aqui repousa grande parte das dificuldades por nós enfrentadas.

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