Querem perturbar a festa

Carlos Chagas

Através das redes sociais, anônimos baderneiros  estão se aproveitando dos naturais movimentos  de protesto programados para o Sete de Setembro para estimular o confronto entre os manifestantes e as forças armadas, que na manhã de sábado,  estarão desfilando pelas avenidas das capitais do país. Uma coisa serão as passeatas de quantos não se sentem contemplados com serviços públicos de qualidade e que,  em nome da nação,   exigem reformas institucionais e mudanças  profundas no estado e no governo. Outra bem diferente são as quadrilhas de meliantes vestidos de preto e com a cara encoberta, ávidos de depredar patrimônio público e particular e, mais grave ainda, invadir e roubar estabelecimentos comerciais dispostos ao longo de suas trajetórias ainda desconhecidas.

Na medida em que as autoridades públicas consigam separar a minoria da maioria, respeitando uns,  mas reprimindo outros, a data passará como algo incômodo mas aceitável. Trata-se, porém, de missão quase impossível. Agentes provocadores contam com o inconformismo da juventude para misturar protestos com vandalismo.

Esses animais já  programaram as manifestações para a parte da manhã em três cidades tidas como chamariz para as demais: Brasília, Rio e São Paulo. Nessas três capitais concentram-se as preocupações do governo federal e dos dois estaduais. Estão mobilizadas  a Polícia Federal e as Polícias Militares e Civis  para ocuparem os principais pontos de concentração popular. Os serviços de segurança da presidência da República e dos governos estaduais distribuirão seus servidores em torno dos palanques e no meio da multidão, se é que o cidadão comum se arriscará sair às ruas  em  número semelhante a anos anteriores.  Quem comparecer com mochilas, sacolas e sucedâneos será revistado nos locais de entrada. 

As forças armadas estarão atentas para o entorno dos desfiles, ainda que nada possam fazer os soldados escalados para marchar.

Em suma, há  tensão no país inteiro. Como, sem a menor dúvida, há estrategistas do lado da baderna traçando planos para perturbar a festa.

BALÃO DE ENSAIO?

Ousará a presidente Dilma cancelar a visita de estado a Washington,  marcada para outubro? Há quem suponha tratar-se de simples balão de ensaio o rumor de que caso os Estados Unidos não se expliquem a contento a respeito da espionagem praticada contra o governo brasileiro, a presidente suspenderá a viagem.  Seria precipitação, ainda que movida por justa indignação. Afinal, a quem interessa a ruptura em  nossas relações? Não mais aos comunistas, que saíram pelo ralo. Muito menos aos americanos, certos de que no Brasil inexistem focos terroristas iguais aos estabelecidos no Oriente Médio e alhures.

Existem outros meios para lavar a honra nacional que se presume atingida pela arapongagem dirigida por nossos irmãos do Norte. Teremos mais a perder do que eles, em  termos econômicos e políticos. Bastaria, nesse bate-cabeça inesperado, que a presidente Dilma denunciasse o abuso americano em foros internacionais, a começar pelas Nações Unidas, cuja abertura da Assembléia Geral já se aproxima. E, de tabela, celebrar com a Suécia, a França  ou a Rússia a compra dos tão decantados e jamais concretizados 36 aviões de caça de que tanto necessitamos.

“MISTER, PONHA-SE DAQUI PARA FORA!”

Nos últimos meses de 1966 o  marechal  Costa e Silva havia sido indicado pelos militares para suceder o marechal Castello Branco. Mesmo depois de o Congresso referendar a escolha, seus auxiliares viviam em permanente tensão. O antecessor não  queria  o sucessor e tentou aprontar diversas vezes contra ele.  Assim, com o título de “presidente eleito”, Costa e Silva decidiu não passar recibo na disputa e  empreender prolongada viagem pelo mundo, sob o pretexto de partilhar experiências de governos distantes. O périplo encerrou-se em Washington, a poucos dias da posse. Hospedado na Blair House, defronte à Casa Branca, o marechal recebeu inúmeras figuras do governo americano, depois de demorado encontro com o presidente Lyndon Johnson.

Um dos visitantes foi o ex-embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, então subsecretário de Estado para Assuntos Latino-Americanos. Arrogante por haver sido um dos artífices do golpe militar de 1964, o outrora professor universitário começou a dar lições a Costa e Silva sobre como deveria governar o Brasil. Quase que exigiu que a política econômica de Roberto Campos fosse mantida, se possível com a permanência do próprio ministro do Planejamento. Sua desfaçatez foi tão grande que o anfitrião, em determinado momento, esticou o indicador e finalizou:  “olha aqui, seu mister, do meu governo cuido eu e ponha-se daqui para fora!” Um escândalo, que os principais jornais brasileiros preferiram não publicar ou, no máximo, em notinhas nas últimas páginas.

Essa historia se conta a propósito da viagem anunciada e ainda não adiada da presidente Dilma aos Estados Unidos. Não será  por encontrar-se em território americano que ela abrirá mão de nossa soberania e independência.  

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11 thoughts on “Querem perturbar a festa

  1. Pelamordedeus, seu Chagas, que comparação mais exdrúxula. Comparar o marechal, por maiores defeitos que possa ter tido, com uma coisa inominável dessa é uma afronta tanto ao passado dele quanto ao seu. Toma tenência, seu Chagas.

  2. O jornalista Carlos Chagas continua manifestando saudades dos tempos da ditadura a que serviu. Há poucos dias citou o ditador Geisel como exemplo de firmeza. Agora cita o próprio ex-chefe como tendo destratado e expulsado o americano de sua sala. Aliás, cena que só o próprio Chagas viu e conta… Também está demonstrando uma “grande” preocupação com o desfile do dia 7 de setembro. Aliás, parece estar estimulando alguma coisa quando afirmou recentemente que “não sabe como reagirão as forças armadas se os manifestantes atrapalharem seu desfile”. Agora pousa de muito preocupado…

  3. Chaguinhas! Parece que você está entrando em parafuso! E sem paraquedas! Imagine se nada do que você vaticina acontecer! E se o Obama resolver dar o antídoto para eliminar a gafe da espionagem e amansar a fera verde e amarela? O Homem pode anunciar que os EEUU irão aprovar o ingresso da Brasil como “membro permanente” do Conselho de Segurança da ONU. Aí, ficam resolvidos vários problemas, de uma só cajadada: O Brasil vai apitar lá em Genebra, compraremos mais caças para a FAB do que estávamos pretendendo, a longo prazo e a preços imbatíveis. Nossas Forças serão, todas, reaparelhadas e modernizadas e, de lambugem, os nossos militares terão salários dignos e ampliarão, em muito, o seu adestramento. Finalmente, haverá um tremendo “boom” na implantação e crescimento de plantas de uma indústria de material bélico sem precedentes. O ITA, o IME e o pessoal nuclear da Marinha terão muito o que fazer.
    Você não acha, meu velho?

  4. Bom dia Carlos.
    Essa do Costa e Silva, me fez lembrar seu xará, Carlos Lacerda, no governo da Guanabara.
    O jornal New York Time, lhe movia campanha negativa, que estava prejudicando sua administração, principalmente, na obtenção de empréstimos em vários programas, como Aliança para o Progresso.
    Mais ou menos isto.
    Bom, acontece que certo dia o correspondente do New York,no Rio, solicita uma entrevista ao Governador.
    Agendada a entrevista, o correspondente é recebido no Palácio, cafezinhos e coisa e tal.
    -Quer dizer que o senhor quer uma entrevista, então vamos lá :
    – O QUE VOU LHE DIZER, DUVIDO QUE O SENHOR ESCREVA. SE ESCREVER, DUVIDO QUE MANDE PARA SEU JORNAL. SE MANDAR, DUVIDO QUE SEU JORNAL PUBLIQUE, APESAR DA GABOLICE DE QUE PUBLICA TUDO :
    DIGA AO DONO DE SEU JORNAL, QUE PEGUE A EDIÇÃO DOMINICAL, COM TODO O SEU VOLUME, E ENFIE NUM LUGAR MUITO APROPRIADO…, OU SEJA : NUMA LATA DE LIXO.
    OBRIGADO. A ENTREVISTA ESTÁ TERMINADA

  5. Digno seria se nossa presidenta ,à contra gosto dos conformados realmente desmarcasse esse encontro com Obama,preterisse o modelo americano de aviões para a FAB,e anunciace o fim do corte do orçamento na área de defesa (os americanos vão KH e andar pra nossa cara feia )dando condições técnicas de barrarmos esse tipo de interferência .(ou então encomende novos arcos e flechas,canoas para o transporte de tropas e para comunicação vária latas ligadas com barbante os americanos nunca vão interceptar as mensagens)

  6. Quanto aos mascarados ,demoraram muito as autoridades à perceberem que quem esconde a identidade e não quer se reconhecido saiu para protestar coisa nenhuma, quer é fazer “M” ,DEPREDAR,ROUBAR E DAR PREJUÍZO tem que ser é preso ,é marginal ,bando de safados ,quem merece respeito é o cidadão ordeiro,trabalhador, merece ter respeitado seu direito de ir e vir.(7 de setembro, mete essa cambada no xadex,se vierem de palhaçada )

  7. Infelizmente, Sr Carlos Chagas, a presidente Dilma é apenas um espectro.
    Todos sabem que o Lula, o amigo do Zé Dirceu, o do mensalão, o apedeuta vaidosão, nunca saiu do poder.
    Se Obama tem escutas, e tudo indica que sim (como Putin também as tem / seu serviço secreto nunca foi extinto), os podres poderes da petralha são conhecidos a long time.

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  9. Carlos, tuas palavras estão cheias de chagas!
    Compreendo. Os ditadores do jornalismo estão revoltados contra aqueles que não se submetem aos seus ditames. Não conseguem mais manipular, oprimir e subjulgar as pessoas como antes, no reino de abrantes. E apelam, com um discurso ditatorial cada vez mais violento. Lamentável! Daqui a pouco os “baderneiros” irão bater na porta da confraria dos rezadores de bode à qual você pertence. Pode esperar, esta hora vai chegar.

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