Radicalismo Islâmico avança até no Egito, que se orgulhava de ser o pais árabe mais ocidentalizado do mundo

Carlos Newton

É triste tirar as ilusões de quem acreditava que a Primavera Árabe iria transformar o Oriente Médio num oásis da democracia moderna, regado a petrodólares e tudo o mais. A realidade é bem outra, pois o que se verifica é o fortalecimento do radicalismo islâmico, a religião que mais cresce no mundo.

No Egito, que sempre se orgulhou de ser o país árabe mais ocidentalizado, onde os jovens usam jeans e as mulheres não precisam cobrir o rosto, o ditador Hosni Mubarak foi derrubado, mas até agora nada mudou em termos de avanço democrático. Foram convocadas eleições parlamentares para ser elaborada uma nova Constituição, e o resultado surpreendeu aos entusiastas da Primavera Árabe.

Repetindo o primeiro turno da eleição, no segundo os dois principais partidos islâmicos do Egito conquistaram cerca de dois terços dos votos para as listas eleitorais. O resultado foi liderado pelo Partido da Justiça e Igualdade (PJI), da Irmandade Muçulmana, que obteve 36,3 por cento dos votos, enquanto o partido ultraconservador Salafi al-Nour obteve 28,8 por cento, deixando o partido liberal Wafd apenas no terceiro lugar.

A respeito do avanço do radicalismo islâmico e de sua influência na política, o ex-prefeito Cesar Maia publicou há alguns dias em seu blog uma declaração que os cidadãos muçulmanos são obrigados a fazer no Paquistão, quando vão tirar passaporte: “Eu sou um muçulmano e acredito na absoluta e inqualificada finalidade da profecia de Hazrat Muhammad, o último dos profetas. Eu não reconheço ninguém que reivindique ser um profeta, em nenhum sentido da palavra ou qualquer descrição a fim, de depois de Hazrat Muhammad, e não reconheço qualquer indivíduo que se conclame como profeta ou reformador da religião muçulmana. Eu considero Mirza Ghulam Ahmad Qadliani um impostor e também não considero os seguidores dos grupos Lahori, Qadliani e Mirzai como muçulmanos“.

Como se vê, em certos países a Primavera Árabe mais parece um Inverno no Saara.  Até em Israel, o único país verdadeiramente democrático do Oriente, pois no Líbano ainda há restrições, o radicalismo religioso se fez cada vez mais presente.

Milhares de israelenses protestaram terça feira na cidade de Beit Shemesh, próxima a Jerusalém, contra judeus ultraortodoxos. O estopim dos protestos foi o caso de Naama Margolis, uma menina de 8 anos que vem sofrendo agressões por parte de ultraortodoxos no caminho para a escola.

Margolis, que pertence a uma família religiosa moderada, diz ter medo de percorrer os 300 metros que separam sua casa da escola, por ser frequentemente agredida por grupos de ultraortodoxos que a acusam de se vestir de maneira ‘indecente’.

Os supostos agressores já teriam xingado a menina de ‘prostituta’, cuspido e a empurrado. A mãe de Naama diz que o trauma causado foi tão profundo que a garota treme quando tem de ir para a escola.

Detalhe: os ortodoxos já representam 12% da população de Israel.

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