Rápido, uma renúncia e um conclave para o PT

Carlos Chagas

Pode parecer má vontade, mas não é. Trata-se de simples reconhecimento da situação. O presidente do PT, Rui Falcão, anuncia para fevereiro de 2014 a realização do V Congresso Nacional do partido, “para debater erros, acertos e desafios”.

Pede para sair…

Ora bolas, como justificar que o PT vai perder mais um ano batendo cabeça, explicando o inexplicável que foi o mensalão, exaltando seus ex-dirigentes condenados a penas de prisão, escondendo companheiros e companheiras envolvidos em falcatruas e disputando palmo a palmo empregos no governo? O que fazer para superar esse erros, ao mesmo tempo elaborando uma agenda de acertos, entre eles projetos de reforma política, social e tributária, revisão do pacto federativo e demais exigências do momento?

Não se duvida de que o PT, hoje, assemelha-se ao Vaticano, nas palavras de Bento XVI: dividido e pleno de hipocrisia por parte de muitos de seus representantes. Escondendo denúncias de pedofilia política e óbvia luta pelo poder. Seria demais esperar a renúncia do Papa, que não é o Lula, muito mais para São Pedro, mas bem que Rui Falcão poderia afastar-se para dar início imediato a um conclave capaz de substituir o velho pelo novo. Cardeais não faltarão. Imagine-se caso Joseph Ratzinger tivesse anunciado que só daqui a um ano deixaria o pontificado. A Igreja não suportaria tanto tempo: explodiria antes. Esses vinte dias já estão sendo difíceis de atravessar. Agora um ano, segundo o PT…

CONVITE AO LADRÃO

Escreveu Shopenhauer que o fato de o cidadão comum dormir com um revólver debaixo do travesseiro serviria apenas para a comodidade do ladrão. Nada mais correto, valendo o conselho para quantos ainda mantém armas em casa, mesmo depois da proibição. O diabo é que, em contrapartida da entrega dos nossos revolveres à polícia, deveríamos dispor de um sistema público de segurança em condições de impedir os meliantes de entrar em nossas casas. Como tal não acontece, permanece a dúvida cruel.

OS JOVENS E OS VELHOS

Desde que o mundo é mundo, prevalece a evidência de que só os jovens podem viver no futuro, enquanto os velhos vivem no passado.
Mais de cinqüenta anos atrás, dava gosto olhar para a frente. Havia Kennedy nos Estados Unidos, Kruschev na União Soviética, dois repositórios de esperança. Para não falar de De Gaulle, na França, Nehru, na Índia, João XXIII no Vaticano e até João Goulart, no Brasil.
Dá saudade lembrar de como os jovens acreditavam no futuro, assentados num presente fulgurante. O Circo de Moscou foi ao Rio de Janeiro e no encerramento do espetáculo apagavam-se todas as luzes, com o Maracanã lotado por mais de 100 mil pessoas. Por um desses truques comuns mas surpreendentes, aparecia dando a volta no estádio, lá em cima, um Sputnik iluminado e ao som de intermináveis bips-bips. A multidão entrava em paroxismo. Era o socialismo ultrapassando os demais regimes. Naquele mesmo ano, no primeiro Festival da Canção Popular, ganhou um russo gordo e simpático cantando “Noites de Moscou”, que a juventude inteira entoava sem entender uma só palavra daquela língua estranha.

Pois é. A nós, velhos, restam as lembranças. Aos jovens, duvidar de que Eduardo Campos será capaz de reviver o socialismo…

O FILHO E O GENRO

Bethowen entusiasmou-se com Napoleão, dedicando-lhe uma de suas mais belas sinfonias, a “Heróica”, homenagem ao general-estadista que empolgava a Europa. O tempo passou, o genial compositor desiludiu-se, rasgou a partitura em tiras e apenas explicou: “o filho da Revolução tornou-se o genro da reação”.

Porque se conta o episódio? Com todo o respeito, porque tem um certo herói do proletariado transformando-se celeremente no salvador do empresariado…

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