Ratos e ratazanas em Brasília

Carlos Chagas                                                       

Anos atrás, quando alguns ingênuos e muitos malandros sem assunto escreviam e discursavam contra Brasília, chamando-nos  de paraíso dos corruptos e ninho de ratos,  ficava fácil  devolver a grosseria, respondendo  que os ratos e os corruptos vinham de fora. Chegavam às terças e iam embora às quintas-feiras. Até que essa réplica deu certo, porque pararam de denegrir a capital federal.                                                        

Recrudesceram. Voltaram a jogar lama em Brasília,  e o diabo é que perdemos nossos argumentos. Desde o escândalo que resultou na cassação do senador Luís Estevão até a renúncia do senador Joaquim Roriz, para não ser cassado, e entrando pela lambança do governo José Roberto Arruda, a conclusão é outra. Corruptos e  ratos  vicejam por aqui. Ratazanas, também. Não se afastam da cidade nos fins de semana, porque foram eleitos pelo povo de Brasília.                                                        

Uma lástima.  A cidade viu-se  nivelada por baixo. Apesar de figuras exemplares ainda sejam  encontradas na representação eleita pelos brasilienses, aumenta a olhos vistos o número de lambões.  Integraram-se na quadrilha que vem de fora, a ponto de não haver diferença entre os diversos tipos de  roedores.                                                        

Evidência disso foi a absolvição de  Jacqueline Roriz, que saiu aos seus. Flagrada recebendo dinheiro podre de um podre assessor do pai,  acaba de ter seu mandato de deputada federal confirmado  por 265 colegas. Apenas 166 votaram pela sua cassação, sendo que 20 se abtiveram. Não houve distinção partidária. Ela recebeu a  solidariedade da maioria das bancadas do PMDB, do PT, do PTB e outras legendas que apoiam o governo federal e o governo local, mas, também, do PSDB, do DEM e do PPS, da oposição. Espera-se que ratoeiras venham a ser  artigo muito bem vendido nas próximas eleições.

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MANDA OU NÃO MANDA                                                        

Esta semana a presidente Dilma Rousseff  falou diversas vezes na necessidade de redução da taxa de juros, a maior do planeta. Fica no ar a pergunta: não é ela que manda? Que nomeia e que demite o presidente e os diretores do  Banco Central?                                                        

A indagação acopla-se às dúvidas que Voltaire derramava sobre a França, a propósito da existência de Deus e das desgraças que assolavam a Humanidade: ou Ele pode e não quer, ou quer e não  pode evitá-las.                                                        

Há quase  unanimidade no país a respeito dos juros: empresários e trabalhadores insurgem-se contra a decisão  imposta por tecnocratas e aplaudida por banqueiros.  A dívida pública transformou-se na caverna do Ali Babá, para os especuladores, corroendo esforços nacionais pelo desenvolvimento econômico. Por que, então, a presidente simplesmente não ordena que o BC reduza as taxas? Não faltarão economistas para respaldar a iniciativa. 

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CARTAS MARCADAS                                                        

No Congresso,  pouquíssimos parlamentares gostariam de ver a reforma política aprovada antes de outubro, para que pudesse valer para as eleições de 2012. A maioria discute, debate e apresenta sugestões, mas é tudo de mentirinha. Deputados e senadores empurram com a barriga mudanças capazes de aprimorar o processo eleitoral e institucional.

Dão a impressão de estar a favor, mas, na realidade, pretendem deixar tudo como está. Sonho de noite de verão será esperar que votem alguma coisa para valer nas eleições de 2014. Nelas, mais estarão  em jogo o futuro e as carreiras de Suas Excelências. Melhor deixar tudo como está. 

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O FUTURO NAS PROFUNDEZAS

Não se tem informações claras a respeito da exploração do petróleo descoberto no pré-sal, a não ser que parcela ínfima daquela riqueza está sendo explorada. As despesas são imensuráveis e apesar da  contribuição de algumas empresas privadas, a Petrobrás defronta-se com missão quase impossível.   Talvez por isso o governo venha adiando a renovação do equipamento da Marinha e da Aeronáutica.  Se é para defender e garantir riqueza ainda imobilizada, para quê novos submarinos e aviões de caça? Até os americanos, os  maiores interessados em nossas  reservas de petróleo,  vem dedicando pouco interesse à recém-criada IV Frota de sua Marinha de Guerra, composta mais no papel do que na realidade.

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