Reajuste é para repor inflação, aumento é o que sobe além dela

Pedro do Coutto

Esta definição, clara e objetiva, foi feita pelo ministro Henrique Meirelles à repórter Miriam Leitão, em entrevista a Globonews na noite de segunda-feira. Meirelles justificou assim a limitação dos gastos públicos a cada ano que o governo conseguiu aprovar no Congresso. Dessa forma, confirmada a afirmação, o orçamento para 2016 comporta, em relação ao de 2015, uma revisão para mais de 10,6%. Revisão nominal que apenas corrige o índice inflacionário registrado pelo IBGE para o ano passado. A separação entre uma coisa e outra é fundamental para que se compreenda que efetivamente as contas públicas vão permanecer neste exercício no mesmo patamar verificado no ano passado.

As contas públicas, no caso, referem-se ao confronto entre despesa e receita, incluída nesta a arrecadação de impostos.

BASTANTE CLARO – Henrique Meirelles, ao analisar o processo econômico, torna-se sempre mais claro do que outros economistas, entre os quais Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen, que sempre evitaram o confronto no espelho entre o índice real e o índice nominal. Entretanto, no momento atual nem tudo são flores.

O Globo na edição de terça-feira,em matéria de Bárbara Nascimento, revela que a dívida pública do governo cresceu, no mês de maio 2,8% em relação ao estoque de abril, atingindo 2 trilhões e 878 bilhões de reais. O acréscimo é preocupante, sobretudo se cotejarmos este resultado com os cálculos da equipe econômica de que o processo inflacionário brasileiro deverá fechar o ano na escala de 6,5%.

NÚMEROS REDONDOS – Os dados quanto ao crescimento do endividamento federal são do Tesouro Nacional. Em números redondos, podemos dizer que o estoque da dívida situa-se na escala fantástica de 3 trilhões de reais, 52% do PIB. Em cima do total incidem juros de 14,25% a/a, como se constata, bem acima da meta inflacionária.

Esse dado deve ter preocupado Henrique Meirelles, uma vez que colide com as perspectivas que ele próprio fixou para elevação dos gastos públicos em 2016. Vale acentuar que 17% desses 2,9 trilhões são investimentos estrangeiros feitos na aquisição das notas do Tesouro Nacional, as quais lastreiam a dívida federal.

O que deve preocupar o titular da Fazenda, que na verdade age como primeiro-ministro de fato do governo Michel Temer é que o acréscimo da dívida superou até os índices inflacionários dos primeiros quatro meses deste ano.

DAS DUAS, UMA – Ou foi colocado um maior volume de títulos no mercado financeiro, para captar recursos, ou foram capitalizados os juros que deveriam ter sido pagos e não foram para remunerar os vencimentos dos papeis nos prazos estabelecidos.

Dá no mesmo. No fundo do problema situa-se o fato de que a elevação de compromissos do Executivo ultrapassou as barreiras colocadas para conter o aumento dos gastos públicos. É possível, entretanto, que as receitas tributárias tenham acompanhado a mesma evolução e, neste caso teria havido um empate nas contas a receber e a pagar. É preciso, contudo, que o ministro da Fazenda torne pública esta segunda informação. Aguardemos.

10 thoughts on “Reajuste é para repor inflação, aumento é o que sobe além dela

  1. Seja em qualquer instituição, não há aumento real, sempre é a reposição da inflação, este país tem sido um fracasso em relação ao trabalhador brasileiro, o governo sabe sugar bem os salários por meio dos impostos, mas oferecem serviços caros e precários a população, porque em outros países isto não acontece, os produtos não sofrem tanto aumento como acontece no Brasil, já estou vendo a maquininha de volta da era Sarney.

  2. Como sempre, análise clara e serena do grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, da estratégica Política/Econômica do Ministro da Fazenda HENRIQUE MEIRELLES (70), PSD. Por 20 anos com “Balanço da situação” ao 10º Ano, REAJUSTE (aumentos nominais) para a Despesa Pública, esperando-se com o fim da Recessão e crescente crescimento Econômico, AUMENTO progressivo da Receita (bem acima da Inflação).
    O Deficit Público Primário ( excluído a Despesa Financeira da Dívida Pública), que esteve NEGATIVO em 2014, 2015, atingindo o pico em 2016 ( – R$ 170,5 Bi), deve continuar NEGATIVO, embora desacelerando, até 2018 ( ano de Eleição Presidencial em Out.), permitindo a formação de Superavit Público Primário, só a partir de 2019, ainda pequeno, e aumentando progressivamente a partir de 2020.
    Isso implica que a a Dívida Pública Federal em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), mesmo com o PIB começando a crescer a partir de 2017, deverá continuar a crescer até +- 2024, uma vez que só poderemos produzir Superavit Primário a partir de 2020, robustos a partir de 2022, tudo correndo bem.
    Essa boa estratégia, que deve ser aprovada pelo Congresso, e aí, a diferença de um Governo TEMER (75) PMDB, que tem condições de aprová-las, e um Governo DILMA (68) PT, que exaurido não tinha mais as mínimas condições de aprová-las, nos recuperará a CONFIANÇA dos Agentes Econômicos, Empresários/Investidores/Chefes de Famílias, que tinha sido perdida.
    Recuperada a CONFIANÇA, voltam as EXPECTATIVAS POSITIVAS, e a Economia volta a crescer SUSTENTADAMENTE.

  3. A dívida vai aumentando porque o governo, ao invés de emitir moeda – fato que poderia acelerar a inflação -, está se financiando através dela, da dívida.

    Assim as emissões se tornam maiores do que os resgates.

    Por exemplo, no mês de maio as emissões naquele mês alcançaram R$55,8 bilhões, enquanto que os resgates de títulos ficaram em R$11,5 bilhões, totalizando emissões líquidas de R$44,3 bilhões.

    Registro gráfico da gestão da dívida pública federal (maio/2016):

    (+) Total de emissões………….R$55,8 bilhões
    (-) Total de resgates……………R$11,5 bilhões
    ———————————————————–
    (=) Emissões líquidas…………..R$44,3 bilhões *

    (*) devidamente incorporados à dívida pública federal.

    Fonte: Tesouro Nacional

    Assim, em maio a dívida pública passou de R$2,799 trilhões (abril) para R$2,878 trilhões, incorporando R$44,3 bilhões das novas emissões e R$34,7 bilhões de juros.

    É assim que o governo rola a sua dívida pública: com resgates inferiores às emissões, incorporando ao montante da dívida tanto as novas emissões quanto o cômputo dos juros.

  4. Em 2015 o Tesouro Nacional emitiu R$857,4 bilhões em títulos e resgatou R$727,9 bilhões dos títulos anteriores, restando emissões líquidas de R$129,5 bilhões em títulos públicos, devidamente acrescentados à dívida pública federal.

    Registro gráfico da gestão da dívida pública federal (2015):

    (+) Total de emissões………….R$857,4 bilhões
    (-) Total de resgates……………R$727,9 bilhões
    ———————————————————–——–
    (=) Emissões líquidas…………..R$129,5 bilhões *

    (*) devidamente incorporados à dívida pública federal.

    Fonte: Tesouro Nacional

    Assim a dívida pública federal passou de R$2,295 trilhões em 2014 para R$2,793 trilhões em 2015, incorporando os R$129,5 bilhões em títulos líquidos emitidos + R$368,5 bilhões de juros.

    Registro gráfico da gestão da dívida pública federal (2015):

    (=) Dív. púb. fed. em 2014,,,,,,,R$2.295,0 bilhões
    (+) Total de emissões………… R$857,4 bilhões
    (-) Total de resgates……………R$727,9 bilhões
    (+) Total de juros…………………..R$368,5 bilhões
    ———————————————————–——–
    (=) Dív. púb. fed. em 2015,,,,,,,R$2.793,0 bilhões

    O custo da dívida pública encerrou 2015 à taxa de 16% ao ano, informa o Tesouro Nacional.

    De fato, se nós pegarmos os juros (R$368,5 bilhões) e dividirmos pelo montante da dívida, descontadas as novas emissões, isto é, por (R$2.295 bilhões), acharemos o equivalente a 16,05%. Esta é a taxa interna da dívida pública federal, o seu custo de manutenção.

    i = (R$368,5/R$2.295) x 100 = 16,05%

    • Acredito que o Banco Central esteja aguardando a sinalização positiva do Congresso na aprovação do ajuste fiscal planejado por Meirelles.

      Não há como baixar os juros antes que o Congresso dê a certeza de que as despesas do governo ficarão abaixo das receitas, dando equilíbrio fiscal financeiro e orçamentário à União.

      E essa certeza depende da aprovação do projeto de Meirelles no Congresso.

      Antes disso, nada feito!

  5. Taxa de desemprego, em maio, vai a 11,2% da População Economicamente Ativa (PEA), o correspondente a onze milhões e quatrocentas mil pessoas desocupadas.

    Em comparação com igual trimestre de 2015 queda de um milhão e duzentos mil postos de trabalho.

    O rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro ficou em R$1.982,00. No mesmo trimestre do ano anterior era de R$2.037,00. Uma queda de 2,7%.

    A massa de rendimento real habitualmente recebida pelas pessoas ocupadas em todos os trabalhos (R$ 175,6 bilhões) apresentou redução de 3,3% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

    Quadro sintético – PNAD contínua (em milhões de pessoas) :

    POPULAÇÃO………………Nº DE PESSOAS…..PERCENTUAL
    – População em idade ativa (PIA -14 anos acima)…..166,131……100%
    – População na força de trabalho (PEA)……………102,289 …61,51%
    – População ocupada………………………………..90,849… 54,63%
    – População desocupada…………………………….11,440.….6,88%
    – População fora da força de trabalho………………..63,842…38,49%

    Fonte: IBGE – Pnad contínua (referente ao mês de maio/2016)

    A desocupação é a relação estabelecida entre a população desocupada (que dentro da semana de levantamento do IBGE estava procurando emprego) e a PEA: Taxa de desocupação = 11,440 milhões/102,289 milhões = 11,2%.

  6. Mesmo sendo os militares responsáveis por 45% do rombo da previdência do funcionalismo, o Temer não vai mexer em sua previdência. Aliás o que cerca de 50% das FAs fazem no Rio , que não tem fronteiras e tem um território mínimo ?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *