Rebeldia no futebol

Murilo Rocha

Ainda é pouco, mas já é histórico. O manifesto assinado por 75 jogadores do principais clubes brasileiros das séries A e B contra o calendário de 2014 divulgado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é o primeiro movimento organizado por atletas contra a entidade responsável pelo esporte no país. E há motivos de sobra para protestos e não só por parte dos profissionais da bola. Ano após ano, a CBF, ora apoiada por um grupo de clubes ora por outro, vem promovendo um desmonte no futebol, dentro e fora de campo.

A queixa da vez – o excesso de jogos em curto espaço de tempo no próximo ano – não é bem uma novidade, mas ganha apelo por se tratar de um ano de Copa do Mundo. O porta-voz do grupo de insatisfeitos, o meia Alex, do Coritiba, alertou para o risco de os jogadores ficarem, inclusive, sem os 30 dias de férias, garantidos pela legislação trabalhista, caso o calendário da CBF seja levado adiante. Alex, um dos maiores craques do Campeonato Brasileiro, mesmo com os seus 36 anos, tem se mostrado um dos esportistas mais lúcidos e atentos para os fatos extracampo.

O número absurdo de partidas não só impede os jogadores de gozarem seus direitos, como enfraquece competições nacionais e internacionais, pois muitos treinadores têm optado em poupar seus principais atletas priorizando um ou outro torneio, esvazia os estádios e ainda desfalca clubes em razão das inúmeras datas reservadas para os amistosos da seleção brasileira.

VELHOS PROBLEMAS

Mas o problema é mais amplo e a brecha aberta pelos jogadores deve ser aproveitada para a discussão de novos velhos problemas, alguns extrapolam a alçada da Confederação Brasileira de Futebol. As belas “arenas” erguidas país afora para o Mundial de 2014 permanecem subutilizadas durante os torneios estaduais e nacionais. É constrangedor ver jogos pela TV e presenciar aquele tanto de lugares vazios, mesmo nos jogos mais esperados dos torneios.

Aqui, em Belo Horizonte, por exemplo, um desses absurdos foi institucionalizado e empurrado goela abaixo dos torcedores com a anuência de todos os órgãos responsáveis por proteger o consumidor. Os assentos no estádio Independência onde não há visibilidade para o torcedor assistir a partida, a não ser de pé, custam no mínimo R$ 50. É muito caro.

Na Copa das Confederações já assistimos ao fenômeno do embranquecimento dos torcedores nos estádios em razão dos altos preços praticados pela Fifa, no Brasileirão e na Copa do Brasil é mais grave, há uma fantasmagorização.

Todo o futebol brasileiro tem de ser repensado. O grito dado pelos jogadores é importantíssimo e tem de ecoar por muito tempo. Eles têm força para promover mudanças significativas no esporte. (transcrito de O Tempo)

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