Recado a Joaquim Barbosa

 

Sylo Costa

No jogo da conveniência, o placar registra empate entre os interesses do governo e os do povo, que, como boiada estourada, corre em disparada, sem rumo nem objetivo determinado. Não sei se nosso país já viveu um período tão difícil e tão confuso como o momento político-administrativo por que passa agora, com tanta roubalheira, tanta mentira e enganação. Sou favorável e até estimulo os movimentos populares de protesto, mas sem essa quebradeira e bagunça a que estamos assistindo. Se existe alguma coisa que precisa ser quebrada para consertar, isso é o governo…

Penso que esses mascarados que quebram tudo o que acham pela frente podem ser agentes do próprio governo, numa ação diversionista, para que os desprevenidos e mal-informados pensem que é melhor deixar como está para ver como é que fica. E por que usar máscara? É preciso mostrar a cara e assumir riscos para ter o apoio do povo. Não é com esse fundamento que o povo pede a quebra do sigilo do voto? Pois é…

Era meu desejo falar sobre a posição do Brasil quanto à espionagem dos Estados Unidos sobre a vida dos brasileiros, mas vou deixar para depois, pois preciso verificar uns dados, principalmente porque tudo leva a crer que essa espionagem tem como alvo a ação do santo ex-Luiz, já que o governo norte-americano acredita que um de seus objetivos é transformar a América do Sul em uma república socialista, nos termos da falida União Soviética, que deixou aqui chorosos pensionistas. O governo brasileiro faz de conta que protesta, por medo das revelações, não por patriotismo, já que guerrilheiros e terroristas não têm pátria.

FALTA DE MODOS…

Também pretendia falar do julgamento do mensalão pelo Supremo, mas, da mesma forma, fica para depois, em virtude do meu espaço aqui. Todavia, não posso deixar passar em branco a falta de modos do ministro Joaquim para com seu colega Lewandowski. A expressão certa é “falta de educação” do ministro presidente, que, às vezes, esquece que o plenário do egrégio Supremo não é arquibancada de jogo de futebol.

A posição de Joaquim como relator do mensalão foi notável e nunca será esquecida, mas ele precisa conter seu gênio para não melar esse jogo. Ponha os ladrões na cadeia, mas sem dar motivo para deixarem as portas abertas… O povo, que está nas ruas, não vai engolir mais essa e já quer saber o que são os tais “embargos infringentes”. Eu também fiquei em dúvida, mas quem sou eu para duvidar das Excelências do Supremo? Fica apenas a dúvida: pode o Regimento Interno do STF sobreviver a uma lei ordinária, que, na sua especialidade, veio para regulamentar a Constituição de 88?

Explico: o Regimento Interno do STF é lei e admite a interposição de embargos infringentes nas ações penais, mas essa lei é anterior à atual Constituição, que não a recepcionou. Nesse caso, é claro que prevalecerá a Lei Maior, a Constituição. Esta é a lição do dr. Lenio Streck, procurador de Justiça do Rio Grande do Sul, doutor e pós-doutor em direito. (transcrito de O Tempo)

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3 thoughts on “Recado a Joaquim Barbosa

  1. Mas é exatamente isto que está acontecendo: as manifestações iniciadas em junho não têm nada de espontâneo. A grandeza e a simultaneidade nas manifestações implicam, necessariamente, em planejamento, coordenação e disponibilidade de recursos materiais e humanos. Os baderneiros, vândalos e saqueadores foram colocados nestas manifestações exatamente para fazer isso. Bem verdade que muitos se aproveitam procedendo da mesma maneira. Na manifestação ocorrida em 14.06.2013 em Brasília foram detidos funcionários públicos federais lotados na presidência da República. Desde a Declaração de 1958 aprovada pelo Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro a esquerda abdicou de tomar o poder através das armas. Inclusive o documento diz, textualmente: [para estabelecer um] “governo nacionalista e democrático através da conquista de espaços, da luta pacífica e das eleições.” É exatamente o que têm feito antes, durante e depois do regime militar. As organizações armadas que atuaram em fins dos anos 1960 e inicio dos anos 1970 não passaram de bois de piranha. Enquanto os generais perseguiam, prendiam, torturavam e matavam guerrilheiros imaginando estar combatendo o comunismo a esquerda ia ocupando os jornais, o movimento editorial, as emissoras de rádio e televisão, as universidades, os sindicatos, as entidades representativas, etc. promovendo uma revolução cultural e elegendo inúmeros políticos tanto do MDB como da ARENA a partir do fim do bipartidarismo em todas as legendas sem exceção corroendo os valores e os direitos democráticos desde dentro. O Foro de São Paulo reúne toda a esquerda da América Latina e mais as organizações criminosas como as FARC. Praticamente já dominaram todo o continente que já está se transformando numa cópia da URSS. O governo de esquerda, num primeiro momento, precisa equilibrar-se entre as leis que regem o país e, ao mesmo tempo, atender as suas premissas, porém este equilíbrio não pode estender-se demais e, portanto, a ruptura é inevitável. Este tensionamento servirá de termômetro e, ao mesmo tempo, justificativa para implantar-se mais controle sobre a sociedade aumentando o poder coercitivo do Estado. Hoje não há um único cidadão que não esteja enquadrado dentro de alguma lei, estatuto, portaria, etc. Mas o PT quer derrubar o PT? Não, de maneira alguma. Apenas estão passando à etapa seguinte da transição, quer seja, a de ruptura para consolidarem o Estado onipotente e onipresente de partido único o que, aliás, já acontece na prática desde 2003 com a ascensão de Lula à presidência. Será que alguém acredita que existem partidos de oposição no Brasil? Provocar o caos, a confusão, a inversão de valores para desorientar a sociedade sempre foi uma estratégia esquerdista. Basta estudar os acontecimentos no Brasil nos últimos cinquenta anos para que se chegue a esta mesma conclusão.

  2. Prezado Sylo,

    Provavelmente você era muito jovem ou talvez até nem nascido para não lembrar-se dos idos de 1962, 1063 até abril de 1964 ou do ano que não terminou 1968…. para não lembrar-se de “momento político-administrativo por que passa agora, com tanta roubalheira, tanta mentira e enganação.”.
    Adalberto Nunes

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