Recessão causa mais de um milhão de demissões em um ano

Wagner Pires

A recessão induzida pelo devastador relaxamento da política fiscal e pelo represamento dos preços administrados perpetrados por Dilma e Mantega para falsear a realidade econômico-financeira do país e garantir a reeleição de Dilma continua deteriorando o mercado de trabalho.

Segundo informa o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, foram fechados 657.761 postos de trabalho formal de janeiro a setembro de 2015. Só em setembro último o Caged computou o fechamento de 95.602 vagas.

Computados os últimos doze meses o saldo entre admissões e desligamentos, negativo, ultrapassou um milhão de postos de trabalho formal -1.238.628. Lembrando que no Caged são computados apenas os trabalhos com registro em carteira. Isto é, não computa os empregos informais.

SETOR SECUNDÁRIO

O setor mais prejudicado é justamente o secundário, isto é, o da indústria para a qual – relativamente aos últimos doze meses – ocorreu o fechamento de 955.995 postos de trabalho. Este setor abriga, de longe, os melhores e mais bem remunerados empregos, além de ser o que mais agrega valor proporcional ao produto interno brasileiro. É nítido os efeitos da recessão e da desindustrialização neste mercado de trabalho específico.

A construção civil, em especial, fechou mais 426.746 postos de trabalho computados os últimos doze meses.

A construção civil é responsável pela absorção do maior contingente de trabalhadores com a menor formação e especialização do mercado de trabalho. É ela, também, que responde pela maior fatia de investimento (ou formação bruta de capital) na economia: 53%. Portanto, o encolhimento do setor de construção civil realimenta a recessão, na medida em que retraindo a indústria da construção civil, retrai-se o nível de investimento que é uma das variáveis do crescimento do PIB.

QUEDA NO COMÉRCIO

O comércio, que até julho vinha segurando as estatísticas negativas, na medida em que apresentava números, ainda positivos, de agosto em diante, também, passou a apresentar resultados negativos para o mercado de trabalho específico. A mesma coisa para o restante do setor de serviços. O setor de serviços corresponde a 68% da economia e foi o último setor a reverberar a recessão. A tendência é a crise no mercado de trabalho se acentuar na medida em que cresce o reflexo da recessão no maior dos setores de nossa economia.

14 thoughts on “Recessão causa mais de um milhão de demissões em um ano

  1. Como era mesmo? A gente devia votar na Dilma em vez do Aécio para preservar empregos e salários?
    Me lembro dela dizer isto dezenas de vezes por semana antes da eleição…

    • Quem percebeu toda a artificialidade da economia brasileira montada no primeiro mandato dessa mulher, via seus discursos e sentia vontade de vomitar na cara dela as verdades que estariam por vir logo após o processo de eleição.

      Era mentira atrás de mentira, aproveitando-se da ignorância do povão. Aqueles programas e debates eleitorais expôs, toda a cretinice e sujeira da personalidade desta mulher.

      Uma pena que a população brasileira, de maneira maciça, não teve a capacidade de enxergar toda a mendacidade dessa mulher nas eleições de 2014.

  2. É o ”tal negócio”. Inversão de valores, favorecendo a QUADRILHA.
    É o esquema de ” lula”, (minúsculo mesmo), praticando em alta escala,
    tudo o que o que condenava, porém, negando tudo o que,hipocritamente pregava.

  3. Certo livreiro no centro do Rio, especializado em ciências humanas e ciências ocultas me disse na semana passada: “Ninguém tá comprando nada”. Uma pequena livraria familiar, só ele e mais um parente tocam o barco quase parando.

    Uma pena, uma lástima… petistas no primeiro governo falavam em “espetáculo de crescimento”.

    Li alhures, este ano aumentou o analfabetismo …

    • O crescimento no governo petista foi baseado, essencialmente, no aumento da demanda das famílias e pela expansão do gasto público.

      Crescer desta forma não é sustentável, primeiro porque a demanda acaba esbarrando no limite do orçamento das famílias. Duas explicações para isso, primeiro porque o aumento da massa de rendimento das famílias brasileiras não foi muito significativo, segundo, porque a expansão do crédito terminou por esgotar o orçamento dessas famílias em forma de endividamento. A redução da demanda diminui o fluxo econômico.

      Já pelo lado do governo, existe um limite de capacidade de pagamento da dívida pública e este limite foi alcançado, forçando o governo a cortar repasses para os bancos oficiais e restringir os empréstimos para a mercado, o que também diminui o fluxo econômico.

      Um crescimento é sustentável quando se baseia no aumento da produtividade da mão-de-obra do trabalhador e na expansão de investimentos – público e privado -, o que permite dar sustentação ao aumento da competitividade, da lucratividade e, por conseguinte, das remunerações dos trabalhadores, fazendo aumentar a massa de rendimentos do trabalhador, das famílias. Esse aumento da massa de rendimentos – aumento sustentável – implica, por consequência, no aumento da demanda e na formação de poupança interna que vai criar um círculo virtuoso de expansão econômica calcado em novos investimentos e novas expansões da massa de rendimento das famílias. O contínuo aumento de produtividade e de expansão dos investimentos retroalimenta a sistemática de expansão da economia, tornando-a sustentável.

      Não é o caso do Brasil, como já explicado.

    • Se a média aritmética mensal referente aos nove primeiros meses se mantiver – e tem tudo para, no mínimo, se manter – o ano de 2015 ficará marcará o fechamento de um milhão e meio de postos de trabalho formal. Ou algo muito próximo a isto.

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  5. Meu caro Wagner Pires,
    Teus artigos são sempre irretocáveis, irrepreensíveis, pois abordas a economia brasileira, e és um mestre neste particular.
    Aliás, temos dois professores em Economia, tu e o Bortolotto.
    Desta forma, e não posso evitar, é te parabenizar por mais um texto informando os malefícios da administração da presidente Dilma e, em consequência, quem são os diretamente prejudicados por esta senhora.
    Por outro lado, Wagner, pensa comigo, por favor:
    Sabemos que Dilma não raciocina a contento, que tem algo que a perturba ou, então, ela faz gênero, e muito bem, diga-se de passagem.
    Considerando que a presidente seja também uma dissimulada, não estaria ela determinada em causar desemprego em massa e, assim, este pessoal se inscrever no Bolsa Família e aumentar o seu curral eleitoral?!
    Observa que Dilma está fritando o PT. Este bando de bandidos terá dificuldade de eleger o seu candidato a presidente em 2018, mesmo sendo Lula.
    Que outra maneira não teria o PT e Dilma, se não contribuíssem com o aumento do desemprego mas, em contrapartida, haveria o auxílio mensal em dinheiro e comida para este contingente que afirmas ser de um milhão por ano que perde o emprego, se não é através do Bolsa Família?!
    As intenções dos petistas são sempre maquiavélicas e demoníacas, Wagner, portanto, quem pode afirmar que o meu raciocínio está completamente errado? Ainda mais se eu juntar com os escândalos produzidos pela presidência e seu partido ao longo desses treze anos, que não vejo quem possa me contestar à base somente de alegações.
    Afinal das contas, só resta ao PT manter os votos necessários para continuar no poder através da compra de votos ou de compensar o desempregado com o benefício que coopta trinta milhões de brasileiros. Ora, o que seria aumentar esta número para cinquenta milhões e, assim, confirmar indefinidamente no poder os petistas?
    Pensa nisso, e me diz se eu estou enlouquecendo ou pensando como a Dilma ou se, lá pelas tantas, não deixo de ter um pingo de razão?
    Um abraço.

    • Querido Bendl, no lado da economia, o que houve foi um esgotamento de um momento propício para o desenvolvimento do país. O PT surfou e surfou bem na onda do crescimento econômico induzido artificialmente pela expansão do gasto público e expansão da demanda.

      Dilma esticou a corda até onde pôde para garantir a permanência no poder e obter o máximo de tempo nele para ter a possibilidade de implantar no Brasil o regime ditatorial estampado nos planos do Foro de São Paulo.

      Quanto mais tempo teve, mais aparelhou os poderes da União, veja o STF, por exemplo.

      Eu, nas eleições, cheguei a avisar várias vezes, aliás, de que não podíamos deixar Dilma se reeleger, pois, mais quatro anos, seria o tempo suficiente para o PT terminar de derrubar as instituições brasileiras e implantar seu regime ditatorial comunista. Seu fascismo cubano.

      Pois é… veja a que ponto o país está chegando… o PT está ou não está perto de derrubar por completo nossos institutos e instituições, desvirtuando-as a seu favor ou, simplesmente, tornando-as inócuas?

      Voltando à questão econômica, o plano político de poder petista, fez esgarçar os fundamentos do crescimento econômico e nos trouxe até aqui neste teatro dos absurdos. Implica dizer que para esses psicopatas comunistas “os fins justificam os meios”.

      É assim que, resumidamente, enxergo, querido Bendl.

      • E que eu concordo contigo, Wagner, pois se registras os aspectos danosos na Economia, da minha parte registro as questões políticas que, somadas, nos dão este quadro dantesco que estamos convivendo forçosamente, ocasionados pelo PT, Lula e Dilma.
        Agora, surpreende e, negativamente, que ainda encontremos gente que defenda a presidente e seu mandato. Ora, como aceitar as alegações com base na “democracia”, que reelegeu Dilma, se a intenção petista é exatamente destruir a democracia pelas suas próprias forças?!
        Em outras palavras:
        A cooptação de eleitores mediante benefícios e aparelhamento do Estado, constitui-se em um contingente formidável de gente que vota no PT, que não quer perder o auxílio – acusação que os petistas fazem à oposição se esta vencer qualquer pleito -, e daqueles que estão em cargos comissionados, portanto, podem manter o PT no poder indefinidamente, porém destruindo a democracia na sua essência, que justamente prega a alteração de governantes no poder.
        Outro abraço.

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