Recordar é viver: histórias de Brizola, Sepulveda Pertence e dos idos de 1964…

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Anos depois, Brizola e Ivete Varga se reconciliariam

Antonio Santos Aquino

Para que a História não esqueça: Leonel Brizola chega do exílio de 15 anos que a Ditadura lhe impôs e tenta refundar o PTB que ele ajudara a fundar em 1945. Nesse ínterim, aparece Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio, e pleiteia o mesmo direito. Brizola e Ivete vão à Justiça para ver quem fica com a sigla. Brizola contrata um advogado que despontava como grande jurista: Sepúlveda Pertence. Tudo aparentemente corria bem. Em 1980, com ajuda do general Golbery do Coutto e Silva, Ivete ganha a ação no TSE e fica com a legenda do PTB, porque Pertence perdeu o prazo para recorrer ao Supremo no processo.

Brizola, esbravejando em seu apartamento, dizia: “Afinal, a quem pertence Pertence”? No final do governo de Sarney, Sepulveda Pertence era nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal. Eu agora pergunto, repetindo Brizola: “A quem pertence Pertence”?

OUTRA LEMBRANÇA – Em 1964, Roberto Campos, Eugênio Gudin e Octavio Gouveia de Bulhões, montados no poderio da ditadura, dão um aumento de 100% aos militares e, assim respaldados, ditam a política econômica anti nacional e socialmente irresponsável que jamais tinham podido executar.

Esta política é fixada num “Plano de Ação Econômico do Governo” – PAEG, que promete alcançar a estabilização e a prosperidade empresarial pela privatização da economia, a favor das multinacionais e pelo controle da inflação mediante a compressão e redução dos salários, além de eliminação dos subsídios com aumento consequente dos preços de bens de consumo e dos serviços públicos.

Posto em execução o PAEG, multiplicam-se as falências e concordatas em São Paulo e no Rio. Protestos gerais: Até Magalhães Pinto e Carlos Lacerda denunciaram o caráter entreguista e irresponsável daquela política econômica.

E agora, em 2019, o que acontecerá ao Brasil?

24 thoughts on “Recordar é viver: histórias de Brizola, Sepulveda Pertence e dos idos de 1964…

  1. As tentativas de escantear o Brizola, independentemente do valor que se dê a ele, do processo político na democratização pós ditadura, estavam no cerne do caldeirão do bruxo Golbery.

    Foi assim que se produziu o “grande líder popular” Lula da Silva.

    Essa informação, da perda do prazo, é nova pra mim, mas explica muita coisa.

  2. Deveria ficar só no Brizola, por questões sentimentais.Ele, uma grande pessoa.
    Mas ao adentrar no campo da economia fez generalizações com fim de defender sua posição partidária “nacionalista”.
    Que se sabe, o Geisel, militar, por exemplo, fez tudo que o articulista adora: criou mais de 400 estatais, foi o primeiro a reconhecer o governo socialista do ditador de Angola, quis fazer uma estrada estatal, a ferrovia do aço e não conseguiu terminar por falta de dinheiro, fez populismo não reajustando a economia devido á crise mundial do petróleo,etc,etc,etc, o que o governo do PT repetiu, mas com uma corrupção inimaginável e que o PDT apoiou. (PDT sem o Brizola, claro)

    • Acho que não se pode considerar o Geisel populista.

      Era um nacionalista convicto, ele e o irmão, Orlando Geisel, vieram do movimento tenentista, na década de 20, que poderia ser considerado progressista, naquele contexto.

      • Não é verdade que o PDT tenha apoiado corrupção, apesar de haver participado das gestões Lula (2003 antes de romper e 2007-2010 depois da reeleição sem apoio da legenda) e Dilma (2011 até cair junto sustentando a Legalidade), tanto que os parlamentares jamais encobriram investigações e as bancadas subscreveram as CPIs do Mensalão e do Petrolão, entre outras. Há que separar as águas, o processo é pluralista (são mais de trinta partidos) e tanto nos governos quanto em ambientes de oposição existem diferenças se constituem alianças e blocos, formais ou não, nem sempre uniformes no tocante às ações e aos mais variados temas. Não se pode desconsiderar, por exemplo, que a ditadura militar vigente entre 1964 e 1984 também contemplava contradições e divergências internas. Havia a linha dura de viés mais entreguista, sobre a qual certamente o amigo Antonio Santos Aquino fez referência direta porque foi a nascente das imposições econômicas, como também uma ala mais favorável à abertura democrática e nacionalista que acabou ensejando este lado desenvolvimentista culminando com a volta da democracia ainda que “lenta, gradual e segura”, no encalço de Leonel Brizola e sempre temendo o retorno do Trabalhismo varguista ao poder (manobrando com Ivete Vargas de um lado, inflando Lula de outro) como de fato – neste caso possivelmente uníssonas – se deram bem.

  3. Uma coisa é inquestionável: toda a estratégia do processo de abertura política se centrava em afastar o Brizola da presidência da república, cuja vitória era dada como certa.

    Essa “certeza”, inclusive, levou os próprios brizolistas a cometerem equívocos, no afã de chegar ao poder, o que contribuiu para que a coisa desandasse.

  4. Recordar é viver sim! Revivi essa história toda contada com perfeição por você, Antonio. Brizola é infinitamente melhor que as porcarias de politico que temos hoje.

  5. Prezado Autor Sr. ANTONIO SANTOS AQUINO,

    Quanto ao Regime Autoritário de 64 não deixar o Gov. LEONEL BRIZOLA ficar com o Partido das três Letrinhas Mágicas ” PTB”, com toda a carga VARGUISTA de Nacional-Desenvolvimentismo, de Legislação Trabalhista – CLT, de Salário Mínimo Alto para fomentar o Mercado Interno, de criador da Seguridade Social de Massa, etc, etc, isso eram ” favas contadas”.
    Tivessem deixado o Gov. BRIZOLA com o PTB, ele seria imbatível já na primeira Eleição Presidencial DIRETA após Presid. FIGUEIREDO.

    Mas o Gov. BRIZOLA chegaria a Presidência da República pelo PTB, com um Congresso amplamente Conservador-Liberal, e novamente estaria instalada ” a Crise”. Então foi melhor assim. Sei que o senhor não concorda com essa Tese de que “foi melhor assim”, TRABALHISTA HISTÓRICO que o senhor é, mas que é verdade, é.

    Em 1964, com o PAEG,( Ministros ROBERTO CAMPOS, EUGÊNIO GUDIN e OCTÁVIO GOUVEIA DE BULHÕES) por inexperiência Econômica do Presid. CASTELLO BRANCO, aplicou-se uma dose “cavalar” de Austeridade para combater a Inflação, que imediatamente o Gov. CARLOS LACERDA, UDN, um dos maiores responsáveis pela Revolução de 64 foi para a TV e atacou o PAEG dizendo quera injusto com os Assalariados e explicando ao Presid. CASTELLO BRANCO que isso estava tirando toda a “popularidade” da Revolução de 64, que perderiam a maioria das próximas Eleições Estaduais, como aconteceu logo depois no RJ e MG, Estados estratégicos. Nesses debates na TV, LACERDA foi chamado pelo pigmeu Político ROBERTO CAMPOS de “Corvo e Assassino de VARGAS”. Mesma coisa disse o Banqueiro Gov MAGALHÃES PINTO também UDN e grande Líder Civil de 64, e Outros. Mas não adiantou nada, o Presid. CASTELLO BRANCO era cabeça dura.
    Tudo mudou com o Presid. COSTA E SILVA que mudou essa Política de excessiva Austeridade ( tudo tem sua dose certa), e levando para o Ministério o brilhante Ministro DELFIM NETTO, ANDREAZZA, etc, fez grande Governo, complementado pelo Presidente MÉDICI que Governou quase com esse mesmo Ministério e promoveu o Milagre Brasileiro, de crescimento anual do PIB médio de mais de 10%aa por mais de 10 anos.
    Foi o preparado Presid. GEISEL que arriscou uma Política mais Nacional-Desenvolvimentista ainda dentro das duas crises do petróleo 1973 e 1979 e a crise dos Juros altos do FED-USA que chegaram em 1980 em 22%aa sobre o US$ Dollar ( hoje está em +- 1,5%aa em US$ Dollar), e por não ter conseguido fazer “aquela arma que poucas Nações tem”, somente os poços de testes na Serra do Cachimbo-PA, o Presid. GEISEL entregou ao Presid. FIGUEIREDO, uma Economia falida. Mesmo o competente e experiente DELFIM NETTO agora já não pode produzir outro Milagre, mas fez o Milagre de sobreviver, e sobrevivemos sem Moratória, sem Calote, o que só veio acontecer já no Governo Presid. SARNEY.

    A nosso ver, em 2019, deve ganhar um Candidato DESENVOLVIMENTISTA, que faça o resto das REFORMAS, porque as Reformas infelizmente são necessária, não exatamente essas do Governo TEMER, mas Reformas DEBATIDAS, DIALOGADAS no Congresso, e tudo isso se pode fazer em máx. 6 meses.
    Depois disso o Brasil abre cancha para crescer SUSTENTADAMENTE 4%aa a 6%aa e talvez até mais, por longo tempo, já que possui grande DESEMPREGO e CAPACIDADE OCIOSA.
    O Brasil é um País jovem, que tem tudo ainda por fazer, e isso gera muito Emprego, Produção e Renda.
    Abração.

    • Enquanto o mundo se globalizava fazendo ricos os tigres asiáticos, Geisel isolou o Brasil fazendo deste país a Albânia dos trópicos: realizou o sonho das nossas “patrióticas” esquerdas. Deu no que deu.

    • Bortolotto, ouço desde os anos 50 que o Brasil é o país do futuro. Só ainda não sei de qual futuro e de quem. E, uma reforma passando pelo Congresso e aprovada em seis meses, só pode ser coisa ruim. Uma boa reforma, levaria pelo menos uns dois anos e não sei quantos deputados o Presidente ainda teria que comprar/dar cargos/verbas e outros penduricalhos. O Brasil politicamente está tão ruim que esperar o pior pode até ser o melhor.

      • Prezado Sr. PAULO DU BOIS,

        É verdade, deveríamos e poderíamos ter feito muito mais.
        Eu nasci em 1950, creio que sou contemporâneo do senhor, e para não desanimarmos vi o Brasileiro com exceção das Capitais e alguns pontos do Litoral, com muito baixo Padrão de Vida, mal alimentado, mal vestido, pessimamente calçado, muita falta de dentes, sem SUS, sem Seguridade Social, muito analfabetismo ( +- 50%), e de cortar o coração CRIANÇAS SEM ESCOLAS.
        Muito pouco Emprego.
        Em 1950 éramos +- 50 Milhões de Habitantes.
        Em 1970, +- 90 Milhões, Hoje +- 220 Milhões.
        Em +- 60 anos incorporamos +- 160 Milhões de Habitantes, e não por Imigração quando o Imigrante já “vem pronto”, bem ou mal já Escolarizado.
        O Brasil teve que proporcionar Comida, Roupa, Escola, Saúde, Saneamento, EMPREGO……para esse enorme contingente em tão pouco tempo.
        Temos grandes problemas, mas o Povo na média está hoje em bem melhor Padrão de Vida do que a média de 50 anos atrás.
        Agora, daqui para frente, quando TODAS as CRIANÇAS Brasileiras estão indo para a ESCOLA, e a pressão Populacional diminui, o Padrão de Vida Brasileiro vai aumentar mais.
        Temos hoje +- 80 Milhões de Automóveis rodando no Brasil. Alguma Classe Médias se fêz.
        Abração.

  6. Interessante é que Ciro Gomes, que se pretende condutor desse legado, em nenhum momento cita o Brizola, pelo menos nos seus acertos. Como o projeto dos CIEPS, por exemplo: descontada a precipitação, talvez, com que foram conduzidos, em tese, continuam sendo a solução para ensino básico no Brasil hoje, na sua essência.

    • Acontece que o Ciro nunca foi um Trabalhista e sim um canguru. Pula de partido em partido a cada seis meses e pode, ainda mudar, mais uma vez, até abril.

      • Também acho. Mas a responsabilidade é de quem o escolheu como candidato. Embora eu ache que ele tenha todo direito de pleitear, como qualquer outro cidadão. É um problema interno do partido.

  7. Assim que Castelo Branco tomou posse, seu primeiro ato foi revogar a lei de Remessas de Lucros.
    Na vitória do Collor a presidência houve vários fatores para Brizola não ir ao segundo turno, Collor disse que preferia o Lula no segundo turno que o Brizola, então a Globo abriu espaços para o Lula. Minas Gerais,foi decisiva, um dos Estados mais católicos do Brasil, a igreja católica apoiou o Lula. Brizola não foi ao segundo turno com menos de 1% de diferença do Lula.
    O povo brasileiro merece, pelo sufoco que está passando, e não nos iludamos, vai piorar..

    • Nélio, já naquele tempo as eleições eram manipuladas. Veja que a diferença foi de 1% e, o Brizola tinha tudo para ter passado ao segundo turno. Minas foi a ponte para a acomodação das urnas.

  8. Politicamente, mesmo como LACERDISTA, sempre admirei Brizola. O conheci pessoalmente, e o cumprimentei aqui em Muriaé. Era franco ,autêntico e competente. Claro,
    claro, tinha suas falhas, como qualquer ser humano.

    • Um lacerdista que reconhece méritos no Brizola só pode ser uma pessoa digna.

      Enquanto o brasileiro não se conscientizar que em política não existem inimigos, apenas adversários, estaremos sempre chafurdando na lama.

  9. Roberto Campos e Bulhões foram vitoriosos no combate à alta inflação ( o pior dos impostos ). Depois deles, todos os sucessivos governos( TODOS) foram derrotados pela inflação. Em 1.994, com o surgimento de Gustavo Franco ( com o apoio de FHC) novamente a inflação foi domada. Sempre quem vence a inflação paga o preço ( recessão/desemprego). Os que tentaram vencer a inflação por mágica ( Dilson Funaro/ Collor), foram vergonhosamente desmascarados.

  10. Bortolotto, tenho muito respeito por você e admiro sua franqueza ao antecipar que eu não concordaria,com a tese de que foi ‘melhor assim’. Você está certissímo, pois só jogo com a realidade. Não aprendi a jogar cartas, tarô e muito menos ler “bola de cristal”. Só posso dizer que pelo histórico de Brizola, nada o impefiria de fazer um bom governo. É só lembrar sua coragem cívica quando os militares quiseram impedir a posse de Jango depois que Janio renunciou: Ainda soa nos ouvidos dos brasileiros que viveram aquela epopeia a frase de Brizola: Se os militares rasgarem a Constituição eu levantarei o povo gaucho em armas. E assim foi feito; Pela primeira vez na história um civil derrotou um esquema militar somente com sua coragem cívica. As Forças Armadas se dividiram com a maior parte apoiando Brizola e Jango tomou posse. Não houve milagre, a coragem cívica era escudada pela honestidade de Brizola e suas mãos limpas. A história é implacável; só dá direito a quem tem. Valeu.

  11. Prezado amigo Antonio Santos Aquino,

    Com grande satisfação li este teu texto, logo cedo. Não sei que horas foi publicado, ontem, mas de fato mais ou menos no mesmo instante tratamos deste assunto porque há 22 horas postei em meu face o que colo adiante: Advogado de Lula circula bem no sistema. Além do petista, ele defende Marina Silva e dois José’s (Sarney e Serra) em processos. Nesta quarta-feira (14), Sepúlveda Pertence se encontra com a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Ele atende gratuitamente ex-presidentes e presidenciáveis em demandas judiciais. https://jornalggn.com.br/noticia/sepulveda-pertence-diz-que-trabalha-de-graca-na-defesa-de-lula

    Não há problema nisto, Lula conhece aqueles tapetes e busca preservar sua liberdade desde que o custo político de tais ajustes não seja descontado em outras décadas de servilismo e submissão à direita conservadora.

    As alianças que o presidente Lula estimulou pelos estados foram servis ao conservadorismo, fizeram piorar a composição do Congresso e por via de consequências arruinaram a correlação de forças desembocando no golpe contra a presidente Dilma. O acordão FHC-Lula partindo da nomeação de Henrique Meirelles (PSDBoston, nada tinha com a aliança vitoriosa) afastou a grande expressão do TRABALHISMO BRASILEIRO expressada por Leonel Brizola, desde a composição do governo lulista que não só impõe um ministro das Organizações Globo nas Comunicações como o estimula à luta interna no PDT. As consequências todos sabemos.

    Eu respeito que Lula se coloque como uma das alternativas e acho legítimo o PT brigar até as últimas consequências por sua candidatura e liberdade, mas daí pretender a hegemonia em torno de suas cumplicidades e práticas conservadoras, entendam, a distância é insuperável.

  12. Conheci Leonel Brizola. Sempre foi honesto e um defensor intransigente da educação. Que temos hoje ? Governantes que mentem e acreditam em suas mentiras. Os três últimos partidos a governar nosso país foram lamentáveis. Exemplos de voo de galinha. A crise em que vivemos não é surpresa nenhuma. Quando se festeja um crescimento do PIB de 1% ( depois de toda recessão ) é algo alarmante. Este crescimento é pífio e está pouco acima do crescimento populacional do Brasil. Se Brizola estivesse vivo, estaria chorando de, além disto tudo, ver o seu partido ( PDT ) virar um apêndice do PT. Com todo respeito, é como ser asa de um urinol.

    • Não há fatos que sustentem a “tese” de que o PDT tenha virado apêndice do PT, ou “puxadinho do PT” como também foi plantado na mídia pelo governador Pedro Taques (atualmente no PSDB tendo sido excluído da sigla brizolista), de Mato Grosso.

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