Reflexões de um brizolista sobre o caso de Carlos Lupi

Valmor Stédile

Insisto em interpretar no sentido oposto ao das ondas, reforçando o conteúdo do informativo da Rede PDT emitido extraordinariamente no sábado sob o seguinte título: “Dilma deve demitir Gilberto Carvalho, não Lupi”. Sim, porque está no ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência o epicentro da crise (não escândalos, diga-se de passagem) envolvendo o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.

 Trata-se de “fogo amigo” que tem como principal objetivo afastar o pedetista do MTE para colocar no lugar José Lopes Feijó, do PT, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, aliás, que também foi assessor de Carvalho após se afastar da direção do sindicato.

A propósito, esta crise vem sendo provocada desde o início do mandato da presidente Dilma Rousseff, quando o governo esvaziou parte das atribuições do Ministério do Trabalho, como a capacidade de negociação com as centrais sindicais. O mais evidente factóide produzido por intervenções atribuídas a Gilberto Carvalho veio no início da semana com a decisão da Comissão de Ética da Presidência recomendando a demissão de Lupi, cujos conselheiros chegaram a absurdas conclusões dando idéia de que “a inexistência de indícios de suborno não exime o ministro das supostas irregularidades”.

Não por menos, Dilma foi para Caracas na Venezuela deixando aos “conselheiros presidenciais” a tarefa de detalhar melhor o imbróglio no qual se meteram, produzindo manchetes antes mesmo de levarem o tema à presidente.

Decifrada a questão, o ministro Carlos Lupi acabou fortalecido e esta Comissão de Ética encerra com qualquer credibilidade para prosseguir dando palpites sobre questões administrativas, mesmo porque tem histórico de falhas por haver se omitido diante de situações muito piores que no passado envolveram o próprio Gilberto Carvalho.

Para os pedetistas, não resta outro caminho senão sustentarem o óbvio: a presidente Dilma Rousseff é quem tem o poder de nomear e demitir ministros. Se demitir Lupi, sendo vencida pelas táticas palacianas e pressões de mídia, mostrará quanto é limitada sua capacidade de resistir, e neste ambiente o PDT – saindo arranhado da situação – pode realinhar seu destino adotando uma postura de independência em relação ao governo.

 

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