Reflexões políticas e psicanalíticas sobre a corrupção freudiana e pavloviana.

Edson F. Carvalho

Jean Baudrillard (Reims, 27 de julho de 1929 — Paris, 6 de março de 2007) , em seu livro “Estratégias Fatais”, dizia (diz) que na vida o que interessa é o mal, pois todos queremos o mal e usamos o argumento do bem para esconder nossos verdadeiros e perversos desejos.

Concordando e ao mesmo tempo discordando de Baudrillard, penso que todos nós queremos o mal. E que o mal – o pecado, a corrupção, a preguiça, dentre outros – é revolucionário quando de fato é de todos, e não de alguns que despoticamente o possuem, mas se recusam a distribuí-lo, democraticamente.

A extrema-direita usa e abusa de seu fundamentalista braço midiático a fim de evitar a todo custo a promessa de laica democracia da corrupção do governo Dilma Rousseff, tendo em vista que essa promessa é antes de tudo dos governos de centro-esquerda da América Latina, de vez que todos eles trazem consigo esta inscrição democrática, como revolucionária possibilidade: corrupção boa é corrupção para todos; para o povo.

No caso do Brasil, a corrupção de e para poucos nunca é denunciada pela religiosa Organização Globo (a grande mídia), geralmente tão ávida em caçar ministros do governo da presidenta Dilma Rousseff, acusando-os de corruptos, mas sempre pronta a bloquear as investigações, as denúncias e o fim das três principais fontes religiosas de corrupção que respondem diretamente pela vida difícil do brasileiro comum, a saber:

1. A corrupção dos juros mais altos do mundo, fonte direta de repasse de recursos públicos para uma religiosa elite especulativa brasileira e mundial.

2. A corrupção das remessas de lucro das multinacionais aqui instaladas – geralmente contempladas com corruptas isenções de impostos – para suas respectivas sedes.

3. A corrupção da fundamentalista concentração de renda de nossas elites, principalmente, nos tempos atuais de superávit comercial, as que roubam para si o esforço do trabalho coletivo do povo brasileiro, enriquecendo-se como nunca, sem que possamos nos beneficiar coletivamente com tal superávit, mediante efetivo aumento dos investimentos na saúde, na educação, na moradia, na infraestrutura do e para o bem comum – “religiosa corrupção tanto mais perversa quanto mais percebemos que tais recursos estão sendo queimados com consumo de carros caríssimos, de iates, de mansões, de especulação financeira, amorosa, cínica, exibicionista.” [Luís Eustáquio Soares é poeta, escritor, ensaísta e professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal do Espírito Santo – Observatório da Imprensa 31/10/2011, na edição 666].

Ainda bem que a nova intelectualidade brasileira, além da letra farta, ilustração, sensibilidade e valentia da velha-guarda (poucos valentes), ainda reune multidisciplinaridade e muito mais independência, embora sem notoriedade e refém do ineditismo.

Sobre o assunto, o José Reis Barata, lá das confundas de Sergipe, como qualquer nordestino alfabetizado, dá mostra que tem folêgo de poeta/músico/pensador/guerreiro. Não sou muito afinado com inteletual carioca ou paulista da capital. Mas respeito o gato deitado-na-brasa, comia o pastel servido-sem-guardanapo (e ainda não sei como ficou palavra composta em nossa outra reforma ortográfica).

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