Reflexões sobre a alma feminina, em meio a mitos e preconceitos históricos  

Resultado de imagem para frases sobre mulherSilvia Zanolla
O Popular

Com base na História da Humanidade, sem cair num otimismo exagerado, muito se tem a comemorar sobre as conquistas das mulheres. Sabe-se que a alma feminina nem sempre foi objeto de admiração e reconhecimento pela humanidade. Aliás, no sentido figurado, houve um tempo distante em que a mulher sequer possuía uma alma, já que registros sobre isso dão conta de que, na tão aclamada Grécia antiga, a mulher não tinha direito de ser considerada cidadã ou de ser livre. Por ironia da situação, a elas era dado o direito de transmitir cidadania, mas nunca, serem cidadãs. Em Roma a situação não era muito diferente, as meninas pouco podiam estudar e as mulheres eram submetidas à lei do patriarcado, que regeu toda a história daquela civilização.

Alguns séculos se passaram, mas nem a queda do Império romano alivia a condição feminina na cultura ocidental. Das fogueiras da inquisição no século XVII à liberação sexual do século XX que a autoriza a votar em uma eleição, a figura da mulher resiste à parte do sacrifício de ter que provar cotidianamente possuir uma “alma”. Esse sacrifício é traduzido pela maneira com que homens e mulheres entendem o valor simbólico do feminino.

AUTOPRECONCEITO – É que ser mulher não lhe garante em momento algum possuir uma visão livre de preconceitos contra ela mesma. Prova disso se encontra ao observar a relação entre patroa e empregada. Quando a doméstica anuncia uma gravidez inesperada, a primeira preocupação da empregadora é quanto ao “rendimento normal do trabalho”.

O que mais chama atenção nas questões femininas é o fato de a mulher estar simbolicamente envolta em muitos mitos que levam ao preconceito.  Na literatura, em vários momentos a mulher foi traduzida entre o profano e o sagrado, são retratadas figuras que alternam entre o bem e o mal de maneira intensa. É a bruxa ou a princesa, a casta ou a pecadora, a bruxa ou a santa virginal.

Dos contos de fadas à realidade do mundo do trabalho, a mitificação é permanente na cobrança de que a mulher se equipare ao homem, seja eficiente, excelente mãe, constantemente elegante, preste contas das tarefas domésticas e, ainda dê conta de preservar a sua “alma”.

COBRANÇAS – Mas as cobranças não são novidades para nenhuma feminista nem tampouco para alguém que estuda questões de gênero. Na verdade, essas cobranças já não assustam tanto às mulheres, que aos poucos vão elaborando o preconceito e ocupando o espaço que lhes cabe na sociedade. Por mais incrível que possa parecer, o que realmente causa espécie na questão feminina não é a injusta tentativa de se equiparar ao homem no mundo do trabalho em termos de conquista de espaço, mas é que, ainda assim, muitas mulheres resistam inconscientemente em preservar a própria identidade.

Apesar da condição frágil e contraditória, a imagem ambivalente da mulher resiste ao tempo como um objeto profano e sagrado, que ameaça fazer emergir a qualquer tempo sua identidade feminina. Guerreira e sensível, competente e mãe, doméstica e trabalhadora, sobrevive como uma espécie de resistência e ousadia simbólica da sensibilidade contra a força, do sentimento contra a dureza.

MITIFICAÇÃO – No delírio social inconsciente do mundo embrutecido, racional e preconceituoso, a mulher não poderia existir por inteiro porque envolta pela mitificação se vê cobrada, precisa ser uma coisa ou outra, amante ou mãe, feminista ou masculinizada, doce ou amarga, dona de casa ou competente profissional, jovem bela ou velha sábia, princesa ou bruxa.

A bem da humanidade, no cotidiano a história sofre um revés, rasgada pela realidade em que emergem frutos do próprio preconceito, porque as mulheres se enchem de coragem, vivem e enfrentam os mitos. Não se cobram perfeitas, sem abrir mão de sua natureza feminina. Já ousam participar e opinar na política e na economia, em um reino predominantemente masculinizado, e têm uma visão especial sobre seu futuro e seu papel, um olhar que consegue aliar a ternura da feminilidade e a competência da profissão. São mulheres que se preservam à parte de quase tudo que possa vir a empobrecer a sua essência…  sua alma.

2 thoughts on “Reflexões sobre a alma feminina, em meio a mitos e preconceitos históricos  

  1. “removendo pedras e plantando flores.””

    Precisa ter muito cuidado ao falar em flores perto do Prefeito do Caviarquistão, o famoso fascista francês John-John Henry Phillipy II Dorian Grey.

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