Reflexes sobre a morte do cinegrafista da Band

Milton Corra da Costa

A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Gelson Domingos da Silva, no domingo ltimo, no exerccio da funo jornalstica, na cobertura in loco de uma incurso policial, numa favela da Zona Oeste do Rio, uma rea conflagrada pela atuao do narcotrfico, deve nos levar a reflexes sobre tais misses, de altssimo risco para a integridade fsica do profissionais de mdia, face violenta e permanente guerra que vivenciamos no Rio.

At onde vai o limite do profissionalismo, na obteno do furo jornalstico, na transmisso em tempo real de um violento confronto entre policiais e marginais da lei ou mesmo entre faces criminosas rivais e o resguardo da vida do profissional de imprensa? Que tipo de equipamento, de relativa segurana para proteo individual, possuem para o desempenho de to complexa misso? Que tipo de treinamento e adestramento possuem para a progresso segura e abrigada em morros e favelas, locais geralmente ngremes, de dificl acesso, quanto mais quando se porta pesado fardo de coletes prova de bala, capacetes de proteo, cmeras e equipamentos ?

H de se convir que a misso do reprter e do cinegrafista, autnticos correspondentes de uma das mais violentas e sangrentas guerras urbanas que se tem notcia na histria do mundo, das mais complexas e difceis. Reprter policial no profissional de polcia, muito embora acabe se tornando personagem vulnervel nos confrontos bala, situados na linha de tiro, com pouca mobilidade de progresso, as vezes em locais de difcil abrigo, sujeito a ser vtima, como foi Gelson Domingos, da potncia de uma arma de guerra, altamente letal.

Um alvo vulnervel de perigosos marginais da lei, de posse de armas de destruio humana que continuam adentrando aos morros e favelas do Rio, que no se consegue explicar como chegam. H que se entender que so confrontos curta e mdia distncias, o que os torna ainda mais letais.

Doravante, aps o lamentvel episdio que ceifou brutalmente a vida de um dedicado e corajoso profissional do jornalismo, alm de equipamentos de segurana mais eficazes e resistentes – justa e antiga reivindicao dos sindicatos de classe – o treinamento de tais profissionais, em campos de instruo militar, que os ensine a progredir em terrenos acidentados, com menor risco, so mecanismos de defesa pessoal necessrios e imprencindveis para atuao na linha de frente. A violenta guerra do Rio, onde ningum est a salvo, h muito tempo est a exigir.

H uma linha tnue entre o profissionalismo jornalstico, o amor profisso e o resguardo da vida. Esta, sim. o maior bem tutelado.

Milton Corra da Costa coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro

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